Baú de Elementos #01: Um início à desconstrução

Postado no dia 4 de novembro de 2008 por em Baú de Elementos

bauEnfim, vamos estrear essa coluna e quem sabe um dia ser como o Johnny, que tem colunas mensais, quinzenais e semanais! No BdE #00 comentei sobre os temas que eu trataria aqui no blog, mas a proposta é sempre apresentar elementos para jogos de RPG junto das idéias que usei para criá-los ou adaptá-los, afinal não basta dar o peixe; ensinar a pescar é mais legal! :D

Antes de tudo, para começarmos a construir nossos elementos, precisamos entendê-los. A melhor forma de começar a fazer isso é através da desconstrução. Foi pensando nisso que comecei a pesquisar o que eu chamo de dinâmica de cenário — toda aventura tem um fluxo de acontecimentos que varia entre acontecimentos importantes, eventos-chave e fatos corriqueiros. Os narradores iniciam a criação desse fluxo no momento em que estão bolando a história, mas a intervenção dos jogadores é um ponto fundamental na alteração dessa continuidade. Essa narração colaborativa, temperada com a arte do improviso diante do inesperado, trás muita diversão para a mesa de jogo.

Assim que o cenário criado pelo narrador começa a interagir com as ações dos personagens, os elementos ganham vida própria, se tornando ganchos para aventuras ou até se envolver nas histórias das personagens; criando um relacionamento que provavelmente deixará seu jogo mais interessante.

As Verdades de Mentirinha

Criei um Mundo Secundário no qual sua mente pode entrar. Dentro dele, tudo o que ele relatar é “verdade”: está de acordo com as leis daquele mundo. Portanto, acreditamos enquanto estamos, por assim dizer, do lado de dentro.

— Tolkien

De acordo com a dinâmica do seu cenário, as coisas criadas pelo narrador — e aquelas que surgem de sopetão durante as sessões de jogo — podem ou não serem reais. Tenho certeza que uma ilha voadora com goblins cobrando pelo transporte não seria muito bem aceita na dinâmica de jogo existente em Dragonlance, por exemplo; porém onde ela foi criada existe tudo o que precisaria existir para que algo de tal formato exista e funcione muito bem.

Essa dinâmica consiste em desenvolver o ambiente com elementos vivos e pertinentes à história que rege o universo que está sendo criado. Se a sua dinâmica estiver funcionando, as histórias surgirão a todo instante e o cenário ficará cada vez mais rico e complexo durante suas sessões de jogo! Nada melhor do que ver um filho crescendo — ou ganhando XP! :P

Tijolinho por Tijolinho

Entretanto, onde entra a desconstrução nisso? Eu a escolhi como um primeiro passo para esquematizar a criação de elementos para cenários. Sim, a idéia é que conforme essa coluna vá avançando tenhamos desenvolvido uma forma mais simples e fácil de criar elementos para seu cenário ou personagem, seja um item, personagem, evento ou local de aventuras. Algo semelhante vem sendo desenvolvido lá fora, se desejar saber mais confira A Forja, feita pelo Ron Edwards.
Falaremos mais dela futuramente.

Vamos à nossa primeira desconstrução: para começar a encher nosso baú com elementos de jogo, escolhi um item mágico muito famoso justamente porque errei o nome dele no primeiro d3cast, lembra? ;P

A Espada Justiceira
Tipo de Elemento: Arma
Origem: ThunderCats
Criador: Ted “Tobin” Wolf

A Espada Justiceira

No desenho animado ThunderCats, a Espada Justiceira é a principal arma de Lion-O, o Lorde de Thundera. Ela contém na sua empunhadura uma espécie de rubi mágico, o chamado “Olho de Thundera” e vem sendo passada de geração em geração através dos tempos pelas mãos de todos os líderes ThunderCats, sendo considerada sua real fonte de poder.

Uma curiosidade é que o nome original dessa arma no desenho é Sword of Omens (ou a “espada dos presságios”, numa tradução mais literal). Essa informação pode ser importante durante o nosso estudo à respeito desse item.

Poderes Principais

Uma notável qualidade dessa espada, é que ela não pode ser usada contra um outro Thundercat e simplesmente se recusa a executar tal ação. Além disso, ela só pode ser empunhada por alguém de coração puro, como Mumm-Ra (a múmia vilã do desenho animado) descobriu quando a roubou e tentou usá-la, no episódio Jardim das Delícias.

Outros Poderes

  • Quando o Olho de Thundera está “dormente”, se transforma numa adaga;
  • Quando está na linha de visão, pode ser convocada para vir até seu dono;
  • Pode disparar feixes de energia que produzem um campo de força protetor;
  • O Olho de Thundera pode avisar que seu dono ou seus companheiros ThunderCats estão em perigo;
  • O Olho de Thundera pode ser usado para ver onde estão seus amigos através de clarividência. Esse poder também pode revelar o que aconteceu no passado ou o que vai acontecer no futuro;
  • Permite entrar e sair do Livro da Justiça (um outro item poderoso) e até mesmo para viajar no tempo e no espaço quando é utilizada em conjunto ele.
Feixes de energia eum campo de força protetor

Esses são apenas alguns dos poderes mais conhecidos da Espada, outros são apenas comentados e é possível perceber a importância de tal objeto que, durante quase toda a trama, é o ponto central de muitas histórias (dê uma olhada nessa Wiki se quiser saber mais sobre os ThunderCats e a Espada Justiceira).

Adaptando

Em alguns minutos de pesquisa descobrimos as principais informações sobre um elemento importante em toda uma trama. Algo semelhante pode ser adaptado para seu cenário de RPG, seja ele o Mundo das Trevas, um cenário de campanha de D&D, um universo em GURPS, o futuro ciberpunk de Shadowrun e por aí vai.

O que deve ser levado em conta é o contexto principal que está por trás de todo o elemento — no caso da Espada, podemos ressaltar o fato dela ser passada através de gerações e somente ser utilizada por pessoas de coracão puro — o que você pode comparar com tendências (no D&D), natureza (No MdT), vantagens e desvantagens psicológicas (em GURPS) e outras regras ligadas ao comportamento dos personagens.

Para descontruir algo você precisa tentar enxergar o todo; entender porque tudo foi criado como foi. Porquê Mumm-Ra e seus mutantes iriam iniciar uma luta contra os Thundercats? Existem muitos motivos, mas focando nosso elemento, o líder das trevas está sempre em busca de mais poder e certamente o Olho de Thundera poderia deixá-lo ainda mais poderoso! Como base nessas perguntas nossa trama começa a tomar corpo e nosso elemento vai se encaixando cada vez melhor dentro do nosso universo.

Uma espada forjada por um antigo samurai na guerra após a morte do imperador Toba no Japão Feudal pode estar sendo procurada por clãs de vampiros ou por cultistas que pretendem conjurar antigos espíritos guerreiros. Enfim, uma gama de possibilidades infinita podem ser adaptadas. Tudo vai depender de como anda o desenvolvimento da sua dinâmica. Aos poucos nosso Baú de Elementos vai tomar forma e quem sabe um pequeno cenário não surge por aqui? Por hora, ai vão algumas referências de espadas famosas para ajudá-lo a começar a criar a sua:

  • Excalibur, a espada do Rei Artur dos Cavaleiros da Távola Redonda
  • Ferroada, a espada de Frodo Bolseiro, em O Senhor dos Anéis
  • Espada da Galáxia, a espada dos Metalianos, criados por Marcelo Cassaro
  • Gunblades, uma junção de lâmina e arma de fogo criada no oitavo episódio da série de videogames Final Fantasy
  • Sabres de Luz, as famosas espadas dos Jedi de Stars Wars

Aliás, os sabres de luz e as gunblades são ótimos exemplos de como uma arma pode temperar de um jeito bem especial todo um universo em que, à primeira vista, esse tipo de arma estaria completamente fora de contexto. Os sabres são empunhados por uma seita religiosa que provoca discussão filosófica durante toda série de filmes. As gunblades combinam de forma curiosa dois elementos aparentemente distintos, uma ótima idéia para ser explorada num cenário medieval (com anões e gnomos desenvolvendo um novo tipo de arma que combina arcabuz e espada bastarda) ou num universo steam ou ciberpunk.

Citamos algumas referências através das quais é possível, com alguma pesquisa e um pouco de criatividade, tirar ótimas idéias para criação de ganchos de aventura, motivações para personagens e tramas de enredo. Em uma próxima etapa vamos começar a colocar a mão na massa, por hora, contamos com vocês para deixarem aí nos comentários as referências que lembrarem, assim como as relações interessantes que vocês notaram ou utilizaram para criar elementos interessantes usando armas em suas campanhas.

Até a próxima!

Ao som de: Thundercats – Trem da Alegria

15 Comentários

Fabio

4 de novembro de 2008

Por que naum lembrarmos da Lamina do Olimpo (Blade of Olimpus) de God of War?

Ou o nunchaku de panthro o_0

Relembrando a parte feudal, que tal a Sakabatou criada por Shaku Arai? Ou a Zanbatou de Zanza (Sanosuke)

Esses fazem maravilhas tbm ^^

Tairã Rabelo

4 de novembro de 2008

cadÊ a espada olimpica do jiraya?

Shin

5 de novembro de 2008

Realmente,
Se olhar para o Devil May Cry, temos algumas armas, em geral com uma certa “história” por tras e muita coisa interessante.

Também podemos lembrar da Holy Sword que o Cecil usa para se tornar um “Paladin” em Final Fantasy IV.

Ou então o uso de “bottons” como armas em “The World Ends With You”, um jogo de Nintendo DS que mudou muita coisa e colocou de uma forma nova o cotidiano japonês.

Voltando um pouco no passado ainda temos o Miyamoto Musashi, que empunhava duas espadas com a incrivel abilidade. Mostrando que não é apenas a arma, mas sim que a usa.

Aposto que a Gunblade não seria muita coisa, se o Squall não tivesse aquele jeito único e seco.

Tudo isso é referência, se era esse o ponto que estava procurando.

Danielle Toste

5 de novembro de 2008

Muito bom o artigo.

Falando em referências de espadas super-poderosas há também as moonblades de Forgotten Helms.

Ah… tem também a Espada Kensei, do Hiro Nakamura em Heroes.

Alexandre Ðraco

5 de novembro de 2008

Muito interessante o conceito de desconstrução. Encaixar elementos do enredo no cenário de forma completa com certeza é importante.
E falando em gunblades e afins, dá uma olhada nas baionetas para 4e (http://aldetoron.blogspot.com/2008/09/baionetas-e-armas-de-fogo.html).

Luminus

6 de novembro de 2008

… por quê SEMPRE espadas? Não tem como fazer um martelo, um machado, cetro, etc? Gostaria que esse tema fosse abordado em futuros artigos. Cansei de espada, sério mesmo.

E.

rsemente

6 de novembro de 2008

Se for citar espadas famosas teremos desenas, é um simbolo de poder de reis em muitissimas culturas. Temos Andúril e Glamdring (Senhor dos Anéis), Holy Sword (Classica espada de D&D), Espada do Poder (de He-man), Espada Vorpal (Do poema “Jabberwocky” lido por Alice no livro de Lewis Carroll)…

Fabio

6 de novembro de 2008

Artigo muito bom mas parece que “acabou quando ia começar”, lógico que sendo uma série é isso mesmo, mas ficou com gostinho de quero mais (se esse foi o objetivo parabéns ;-) ).

Eu lembro ainda da Espada Cantante, empunhada pelo Príncipe Valente, infelizmente a EBAL faliu e deixou de publicar o restante dos livros, uma pena.

Kirano

6 de novembro de 2008

Em uma aventura que joguei o mestre utilizou algo de meu enredo para criar a cronica, uma espada amaldiçoada. O que também é um otimo recurso para se utilizar.
De espadas famosas ja citaram varias. Mas eu gosto mesmo de coisas mais bizarras, como fazer a adaptação da arma do Tokugawa no joho “Samurai Warriors”. Que é basicamente um martelo, com um canhão embutido. Outra coisa que eu ja adaptei também foi o carrinho do Itto Ogami, do manga lobo solitário. Não num carrinho de bebe claro xD Mas foi uma ideia interessante num mundo medieval embutir um arma de fogo num carro.

Otima coluna o/

Pocb

6 de novembro de 2008

Prefiro o arco do Hank, óbvio!

Túlio

6 de fevereiro de 2009

Acho q seria legal voltar a mexer nessa sessão!
A idéia de Zanpakutous do Bleach é legal tbm, além da maioria q o pessoal falou aí em cima.

Will

27 de maio de 2009

pois eh..
eu jah prefiro a espada Z do Dragon ball¬¬
mas uma espada jedi seria mais massa..
ou a do inuyacha

Will

27 de maio de 2009

ahhh..
eh verdade..
a espada do hemam tem bem mais poder^^

Pedro Gabriel

29 de julho de 2009

Tem também a Keyblade, a espada em forma de chave, que pode abrir e lacrar fechaduras, baús e portais para outros mundos; ela está presente nos jogos da série Kingdom Hearts.

Pena que eu cheguei atrasado… =P

jose rafael

4 de janeiro de 2010

eu quero fazer um sabre de luz mas n sei como alguem da produção pode me dizer como fazer

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