Capitalismo e a Arte sublime do RPG
Postado no dia 29 de outubro de 2009 por Jaime Daniel em Artigos

Muito se fala sobre as diversas gerações do RPG, sempre começando com a geração Xerox (a galera que trazia de fora cópias de RPGs importados para o Brasil) e daí pra frente cada um inventa um termo.
Mas o RPG ganhou popularidade quando a Editora Abril entrou no mercado com o saudoso Advanced Dungeons & Dragons e alguns suplementos como Karameikos, Undermountain, First Quest e a revista Dragon Magazine. Nesse meio tempo já havia também títulos da Série Aventuras Fantásticas, da Marques Saraiva e Shadowrun e Senhor dos Anéis, da Ediouro, além de outra publicações nacionais, como Era do Caos da Akritó, Demos Corporation da Vulture, Tagmar, Desafio dos Bandeirantes e Milênia da GSA, os mainstream GURPS e Vampiro a Máscara da Devir Livraria e a revista Dragão Brasil da Trama, além do Dungeons & Dragons, Dragon Quest e Classic Dungeon da Grow e o amado Hero Quest da Estrela.
Nessa época, surgiu também um importante elemento na popularização do jogo, que são as lojas especializadas, também conhecidas como Lojas de RPG.
Com a saída da Abril e o fechamento de algumas editoras, a bolha de sabão do RPG daquela época estourou. Muitas lojas fecharam e alguns poucos lugares sobreviveram da venda de livros, quadrinhos, cardgames, action figures e outros produtos de desejo do público nerd. Também encontramos livros de RPGs em algumas das grandes livrarias e até em bancas de jornal é possível encontrar alguns títulos. Mas será que é o suficiente?
Capitalismo e o RPG
Recentemente, meu grande amigo João Paulo Sette foi para New York e passou em algumas livrarias para fazer compras (inclusive para mim, abusado como sou!) e teve uma surpresa. Em seis ou sete livrarias diferentes, de livros de RPG ele encontrou apenas Dungeons & Dragons 4 ed e UM exemplar do World of Darkness. Ou seja, mesmo nos EUA, para encontrar variedade é preciso apelar para as livrarias especializadas.
Uma das grandes dificuldades de qualquer editora nacional, como Daemon, Devir ou Jambô, entre outras, é a distribuição de livros.
Confiar apenas em seu próprio site para vender seus livros é uma aventura arriscada que nenhuma editora quer enfrentar, já que a distribuição ainda é um dos fatores mais importantes na venda de qualquer publicação. Para exemplificar isso, é só ir até qualquer grande livraria e conferir o lugar dos RPGs. Veja quantos livros estão expostos e quantos títulos nacionais existem no momento. Se você for a uma livraria de menor porte, as possibilidades diminuem sensivelmente…
Então, no Brasil, são necessárias as lojas de RPG?
Bem, obviamente eu sou uma das pessoas mais suspeitas do mundo para falar a respeito (basta ver a quantidade de links para a d3store), então deixo essa resposta para os leitores. Nas próximas semanas, vou retomar o assunto, falando das dificuldades que uma loja de RPG no Brasil enfrenta e das vantagens que ela proporciona ao RPGista e ao neófito no hobby.
Na mesma d3-hora, no mesmo d3-canal!
N. do A. O título é uma piada relacionada com um fato que aconteceu com o Douglas (d3) Guimarães. Ficou curioso? Leia a continuação do artigo nas próximas semanas.


































13 Comentários
Nume
29 de outubro de 2009
Olha, o título da matéria deveria ser “ei, tenho umas coisas legais pra falar, mas fique acompanhando o site que estou com preguiça de escrever tudo hoje!” XD
Jaime Daniel
29 de outubro de 2009
Salve!
Na verdade, o título deveria ser:
“Ei, tenho um monte de coisas para dizer, mas o artigo ficou longo pra caramba e o pessoal da internet não gosta de ler textos longos, então eu dividi em quatro artigos diferentes e aproveitei para fazer um suspense!”
… mas não coube todo esse texto na linha de título, então desencanei!
E o texto é meu, só para dizer quem é o verdadeiro culpado, já que nas próximas semanas alguns vão realmente querer saber… XD
Puppet
29 de outubro de 2009
você esqueceu o GURPSS !!! AAAhh Sempre maltratam o GURPS.
Bom eu sou de BH a terra do Tio Nitro e ele pode até confirmar o que vou falar. O fato é que aqui depois daquele caso de Ouro Preto os livros de RPG simplesmente sumiram.
Hoje é comum encontrar estantes reservadas para livros de RPG recheadas de suprimentos de informática. Fui em uma livraria de médio porte em um shopping e encontrei somente o PH de 4d&d e o Livro dos Níveis Épicos. (Pior o louco aqui vai na mesma livraria a uns 6 meses todo sábado e sempre tem os mesmos livros)
Felizmente esse ano as coisas estão começando a reagir. Ainda não nas livrarias mas, ja temos grupos ativos marcando encontros de RPG.
Por fim não digo somente em relação ao RPG mas, acho que as livrarias de um modo geral estão com os dias contados. Aqui em casa esse ano devemos ter comprado uns… 13 livros TODOS pela internet.
Jaime Daniel
29 de outubro de 2009
Salve Puppet!
Na verdade, não esqueci, mas o Douglas Reis (eu tava com uma preguiça danada de conferir todas as datas pelos livros… XD) me passou que esses livros vieram primeiro, e que o GURPS foi um pouco depois da entrada da Abril.
O efeito de Ouro Preto foi cruel, chegando ao ponto de proibirem a venda de RPG em duas cidades brasileiras. E a impressão que dá é que houve um progresso em relação aquela época, mas ainda foi tímido. É muito comum as livrarias colocarem livros de RPG na seção infantil ou misturado com quadrinhos. Em uma livraria aqui achei um Mago ascensão na seção esotérica…
A profusão de grupos e eventos de RPG podem servir de estímulo para livrarias perceberem que há um público consumidor para esse produto, mas o processo é lento.
E mesmo nas livrarias virtuais não é simples encontrar RPG…
abraços
Danielfo
29 de outubro de 2009
Já estou vendo o drama que João Paulo vai fazer quando contar o drama de não ter achado fácil os livros. Ele é uma figura.
Uma coisa que faltou falar é que na época da entrada da Abril no mercado do RPG por aqui havia uma paridade real/dolar.
Quem pode, fez a festa. Pelo preço do livros monstros em portugues dava pra comprar o phb, o dmg, e um redbook em inglês e pagar o frete pro Brasil.
Arquimago
30 de outubro de 2009
Também esperava um texto mais longo! Justo hpje que estou de folga!
Mas irei esperar os proximos artigos, pois estou curioso que acredito que a discução será muito boa, instigante!
Ricardo Matheus
30 de outubro de 2009
Acho que lojas de RPG são necessárias no Brasil e em qualquer lugar do mundo onde haja RPG.
Eu vejo o RPG toda hora ser comparado com “livro” e se falar em livrarias, eu acho essa comparação ruim. Na minha opinião RPG não é literatura, não é comprado como literatura, não é usado como literatura.
O perfil de compradores e a lógica de venda de RPGs é muito mais parecida com a de hobbies como Modelismo, Autorama, Pesca ou Boardgames. Você precisa de lojas especializadas porque é lá que se formam os grupos de hobbistas (tb conhecidos como viciados) que sustentam o jogo.
Para dar um exemplo de um mercado “mais vigoroso” eu morei em Montpellier (uns 250 mil habitantes) e lá haviam 2 lojas de RPG, mais 3 exclusivas da “Games Workshop” e 1 especializada em Boardgame.
Mesmo na área não especializada, eu gostaria de ver RPG vendido em lugares como lojas de brinquedos ou de jogos de computador, acho que teria mais saída do que numa livraria.
PS: quanto as datas, acho que o Tagmar e o GURPs em português vieram antes da Abril entrar. Nesse post aqui ( http://maisumaedicao.blogspot.com/2009/08/comecando-jornada-introducao-parte-iii.html ) eu coloquei uns panfletos que tenho da época e ali tem uma nota que mostra que comprei o GURPs em 92. A abril só apareceu nas EIRPG pela primeira vez em 94 (com o ” castelinho” )
Michel
3 de novembro de 2009
Com certeza vieram antes da Abril… Não precisas ter dúvidas quanto a isso.
Jaime Daniel
3 de novembro de 2009
Salve!
Olha o texto mais longo vem daqui a alguns dias…
E sobre GURPS e Tagmar, eles realmente vieram antes da Abril entrar no mercado, por isso eu digo no artigo que já havia no mercado os sistemas acima…
Abraços a todos
Japa Loca
4 de novembro de 2009
Legal o artigo. Mas admito que só estou lendo porque a internet aqui em casa está ruim e eu precisava carregar um site pra testar ^^ fora que minhas comidinhas no World Café ainda não estão prontas ^^
Bom, agora que já comecei a ler quero saber o resto.
Tenho que esperar até quando?
Three Beggars
5 de novembro de 2009
Salve Jaime,
Primeira vez que visito seu blog, to curtindo bastante, parabéns pelo trabalho. Além do conteúdo interessante está me abrindo os olhos para a blogosfera de rpg com a qual eu ainda não tinha tomado contato.
O artigo está bem legal e mostra que o você domina a arte sublime dos ganchos para próximos posts xD
Tudo de bom para todos aí e espero jogar um live do D3 aqui em Curitiba de novo!
rsemente
6 de novembro de 2009
Não sei se elas são imprescindiveis, mais é uma ótima forma de suprir de maneira eficiente o publico nerd (isso inclui otakus, card gamers, entre outros…).
Eu gosto muito delas, e infelizmente as duas unicas aqui de natal não são 100% – uma se queimou com RPGistas a muito tempo, oura não trabalha com estoque, tendo que encomendar os livros – desse jeito eu mesmo peço.
Jaime Daniel
6 de novembro de 2009
Salve!
Japa Loca: Já viu, né?
Three Beggars: Nem domino, cara! Eu me esforço, mas obrigado pelos elogios exagerados…
RSemente: Em tempos de internet, talvez não sejam tão necessárias para compras, mas lojas de RPG que tenham espaço para jogar ou que promovam encontros são ótimos meios de se encontrar outros jogadores e narradores. Mas, como eu já disse, fora das grandes cidades é cada vez mais difícil…
abçs a todos!
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