DZSYSTEM: Sobrevivência

Postado no dia 15 de janeiro de 2009 por em dZsystem

Eu não sei se isso chegará até você Douglas.

Os telefones fixos estão mudos. A energia que nós temos é de um gerador a diesel. Por sorte, a casa em que estamos abrigados tinha um computador antigo ainda funcionando. A conexão com a internet que eu estou usando é de um ponto wireless que o Gilberto conseguiu direcionar pra cá.

Deus, eu não sei nem por onde começar…

5º Dia — 09/01/2009 – entre 00:04 h e 22:30 h

A última vez que nos falamos foi na quarta-feira. Antes disso, eu só me lembro de ter conversado com o Johnny pelo celular.

Foi quando as portas do inferno se abriram.

Enquanto falava com ele, um acidente ocorreu na rua da minha casa. Parecia que o caos havia se instaurado na cidade e a primeira coisa que começou a falhar foi a energia elétrica. Mergulhada nas trevas, a cidade estava lentamente sendo tomada pela loucura.
Apesar de ter comentado rapidamente com o Johnny na quarta feira, talvez você não saiba, mas o aeroporto de Guarulhos estava sendo interditado. Ao voltar da casa da minha namorada no dia 08/01, eu me lembro de ter visto diversos policiais e caminhões do exército se dirigindo para o aeroporto. Barricadas iam sendo montadas no percurso depois que eles passavam. Se eu tivesse idéia do que estava acontecendo, eu não teria deixado a minha garota sozinha naquele lugar.

D3, Cobbi, Will (ou quem estiver lendo esse relato), me desculpem. É difícil lembrar disso. É difícil conviver com os meus próprios pecados.

Durante a ligação com o Johnny, eu ouvi um grito e um som de acidente. Mas o grito que eu ouvi não parecia de um ser humano. Ao chegar no local do acidente, pude ver o que aconteceu. Devido a escuridão um carro atropelou uma garotinha. Ela aparentava não ter mais que doze anos de idade.
As pessoas, sendo como são, estavam prontas para fazer um linchamento público. O motorista tentava em vão se esquivar das acusações e achar um lugar onde pudesse estar seguro com a turba o cercando.

Foi quando aconteceu. A menina, agora mais um emaranhado de carne e dentes do que uma pessoa, atacou os curiosos que estavam mais distantes do motorista.

Pobre menina!

E o terror se espalhou.

Foram necessários 4 homens grandes pra derrubar a menina. Um deles batia nela com um pedaço de madeira, que mais parecia um taco de beisebol, transformando o seu pequeno corpo já castigado em uma pulpa de carne no asfalto. Mas antes ela mordeu e arranhou pelo menos 3 deles.

A cena não durou mais que 2 minutos. Mas o horror já estava instaurado. E eu sabia o que viria em seguida.

Corri de volta para casa, peguei meu outro celular (pré-pago) que ainda tinha alguma bateria, liguei para a minha mãe e pedi que ela fosse para a casa da minha tia, próximo ao quartel de Quitaúna, em Osasco. Talvez por sorte, Douglas, nosso grande amigo, o Gilberto, ex-militar, estava morando lá perto. Não pensei duas vezes. Peguei a comida que consegui do armário, algumas mudas de roupas e saí de casa em disparada.

Mas, ao sair na rua, notei algo estranho. Ela estava em silêncio. Silêncio absoluto.

Naquela escuridão quase total, comecei a caminhar apressadamente em direção ao ponto de ônibus, mas acabei tropeçando em algo no chão. Olhando na penumbra, achei que era o taco utilizado pelo homem que acabou com o sofrimento da garotinha. Ao pegar o taco sujo de sangue…

O Horror!

Droga…

Jogos são uma coisa, mas inferno, aquilo era REAL!

— Merda, é um braço mastigado! Um maldito braço mastigado!

Daquele local até o ponto de ônibus, tudo ficou meio nebuloso na minha memória. Eu lembro de perceber a escuridão ficando vermelha. Lembro da tremedeira nas minhas pernas e de ter esvaziado as minhas tripas, vomitado até as minhas malditas tripas, enquanto andava. Nada no mundo te prepara pra esse tipo de coisa. Nada!

Eu tinha que sair dali, tinha que sobreviver.

Ao chegar no ponto de ônibus, eu pude ver que não estava sozinho. Muitos moradores com filhos nos braços, malas, sacolas, corriam em direção à Rodovia Anhanguera, ponto de saída do meu bairro. Vendo aquelas pessoas ao meu redor, eu quase me senti seguro novamente. É estranho como os seres humanos se tornam covardes quando sozinhos, mas em meio a um número grande de semelhantes, a coragem retorna. Mas aquele povo estava condenando.

Todos nós, na verdade.

Depois de alguns minutos, ao longe, eu consegui ver as fogueiras queimando na rodovia. Barricadas. Para impedir que algo entrasse nos limites de São Paulo. E que nós saíssemos de Osasco…

O desespero tomou conta. A turba, sem saber o que fazer, começava a se acumular nas proximidades das barricadas em chamas. Os carros espalhados pela rodovia pareciam lápides em um cemitério. Foi então, ainda no meio da pequena multidão, que eu notei. Não havia ninguém nas barricadas. Ninguém, exceto as chamas. E também não havia ninguém se movendo entre a escuridão dos carros parados.

Barricadas? Contra inocentes?

Minhas mãos ainda tremem só de pensar novamente naquela cena. Graças a Deus, o Gilberto encontrou uma garrafa de Passaport no armário da casa. Algo pra me acalmar.

Novamente, sentindo a ironia trágica no ar, eu sabia o que viria a seguir. Então os gritos começaram. A pequena mutlidão foi atacada. E eu sabia o que tinha que fazer.

Sem pensar duas vezes, pulei no primeiro carro vazio que eu encontrei, agradeci a Deus pela chave ainda estar no contato e dei a partida. E saí daquele abatedouro como se o Diabo estivesse na minha cola. Sinceramente? Eu acredito que ele ainda está.

Quantas pessoas eu atropelei no processo? Não me lembro. Era como se eu estivesse drogado, bêbado ou em transe. Quantos gritos de ajuda eu ignorei, quantos eu atendi, não me recordo. Mais alguns pecados e boas ações pra quando eu encontrar o Criador…

Dirigindo perigosamente, consegui chegar até Quitauna. Horas se passaram antes que eu abandonasse o carro e as pessoas que fugiram daquele inferno comigo. Eu estava quase nas portas do quartel, então o último local de resistência em Osasco.

Eu devo ter caminhado a esmo até encontrar o condomínio do Gilberto. Perdido horas e horas. Foi quando você me ligou, D3. Eu nem me recordava de estar com o meu celular no bolso. Sinceramente, eu lembro vagamente do que você me disse. Os zumbis, pânico no país, estradas fechadas, as Forças Armadas isolando cidades e aeroportos, uma fuga para o litoral. E a zona norte abandonada, como o foco inicial do caos. As pessoas que se encontravam lá foram deixadas para morrer. Então a bateria acabou, e a próxima coisa que eu me lembro foi o Gilberto me erguendo do chão e me colocando no seu Opala.

6º Dia — 10/01/2009

Eu tive um sono inquieto. Quando eu acordei, vi que estava em uma casa que não era a do Gilberto, e ele tentava me atualizar sobre o que estava acontecendo. Foi quando ele me disse que tinha conseguido uma conexão de internet, mas não sabia até quando. E-mails, mensagens instantâneas, todos sem resposta. Tentei falar com o Johnny, o Cobbi, o Douglas, o Will, minha namorada, mas não consergui. A bateria do celular do Gilberto está quase no fim. A minha ainda está carregando no gerador.
Acabei de ver no blog da Matilha que uma resistência estava sendo organizada no sul. Na hora lembrei do D3system, e vi quem nem todos estavam mortos. Mortos e de volta do inferno, pelo menos.

Por isso eu estou deixando essa mensagem, primeiramente ao Douglas, depois a quem ela alcançar.

Não desistam. Ainda temos uma chance. As saídas principais das cidades estão tomadas pelos que tentaram fugir… e não conseguiram. Não tentem sair das cidades por elas. As estradas pequenas para o interior ainda estão livres. Não vão aos aeroportos. Guarulhos e Cumbica estão condenados, verdadeiros ninhos dessas criaturas. Consigam água e comida. Consigam armas, como o Rocha. Você conhecem as regras do jogo. Diabos, se você está lendo isso, pelo menos os filmes você assistiu. Mirem em direção a cabeça. Eles não descansam. Eles não dormem. E estão sempre famintos.

Deus nos ajude, mas agora não existe retorno. Minha mala está pronta, D3. O Gibs esvaziou o armário e o cofre. Estamos armados e estamos chegando na sua casa ainda hoje. Espero que você tenha um plano.

Abençoados foram aqueles que morreram primeiro. Amaldiçoados somos nós que tentaremos herdar o inferno na Terra…


Essa é uma obra de ficção. É um desafio que começou em outros blogs de RPG do Brasil, citados nesse artigo, e continuará a ser atualizado nos artigos “mortos-vivos” do D3System. Você identificará as atualizações pelo logo zumbi do blog.

11 Comentários

Fabio Moron

16 de janeiro de 2009

“As estradas pequenas para o interior ainda estão livres.”

o.o

Naum vem pra Sorocaba naum, cês vão acabar com minha cidade!!!! >.<

d3

16 de janeiro de 2009

Então se esconde, porque estamos saindo daqui ;)

Fabio Moron

16 de janeiro de 2009

Franciolli Araújo

16 de janeiro de 2009

O negócio tá ficando cada vez melhor, ou seria pior?

Fabio Moron

16 de janeiro de 2009

Franciolli, junte-se a mim! Com uns R$ 5,00, vc tá equipado :D

Heitor

17 de janeiro de 2009

E que valor tem dinheiro no Apocalipse?

valberto

17 de janeiro de 2009

A resistência no DF vai bem. Com a ajuda dos sobreviventes e da polícia estamos erguendo uma barricada com fosso em volta do perímetro principal de segurança, como se fosse um forte medieval. Apesar de serem mais de 4km de diâmetro as coisas estão sob controle, por enquanto. O helicótero da PM chega a todo instante com amis sobreviventes que são examinados e mandados assim que possível para o front. Começa a faltar gasolina. A energia vem de geradores a dissel, moinhos aeólicos e, claro, caldeiras à lenha. Os capacitores solares ficam prontos no fds. Não temos contato de longo alcance, se não por esta linha, que é via satélite.

Fabio Moron

17 de janeiro de 2009

Heitor,

Okay, então vamos saquear as lojas de cosméticos e furtar uns isqueiros e pronto :D

Tales

18 de janeiro de 2009

Começem a se preparar,porque o que nós experimentamos do inferno, foram apenas seus criados que destruiram tudo e a todos, não imaginem quando seus líderes vierem do Sub-mundo a procura de escravos !!

Giuliano

19 de janeiro de 2009

Saudações!!

Ainda temos paz na Base do Rio Batalha. O fim de semana foi de muitos esforços, mas já conseguimos mapear toda região. Nossos batedores se mostram muito eficientes!! Bauru já era… literalmente já era! Tenho sorte desses monstros não gostarem de mastigar cabos de energia!!! Se fossem cachorros eu estava ferrado! Digo isso porque o sinal da operadora de celular ainda está firme e forte aqui, e ainda posso me comunicar com alguns dos lideres da resitência na região.

A situação da nossa “base” é estavel. Temos pontos de vigia que nos garantem uma boa visualização das redondezas. Parece que o “alimento” (digo, comida de zumbi) na cidade está no fim, mas as criaturas ainda não sentiram nosso cheiro… e ainda não aprenderam a dirigir!!!

Já somos 250 pessoas aqui. Os treinamentos continuam. Ninguem está sendo poupado. Mulheres e crianças estão aprendendo como dar cabo dos bixos. Estamos praticamente numa regime feudal aqui, nos preparando para uma guerra. Nossas armas de fogo não passam de 50. A munição é escassa. Estamos aprendendo a como nos defender com facões, inchadas, foices e material de colheita! Realmente me sinto na era medieval!!

Ouvimos dizer sobre a tática do “Rolo compressor”!! Improvisamos alguns tratores para que quando os miseráveis chegarem aqui, possamos utilizar essa mesma tática!

Por enquanto, estamos nos preparando!! Comida temos bastante. Conseguimos alimentar essas 250 pessoas por mais uns 6 meses ainda! Agua temos de sobra.
Continuamos a produzir comida aqui. Se nosso “feudo” não for atacado, conseguiremos sobreviver indefinidamente.

Convocamos todos aos que estiverem desprovidos de abrigo a juntar-se a nós! podemos montar um grande exercito aqui, e marchar contra essa praga!! Não podemos nos esconder! Somos humanos.. e esse planeta é nosso!!! Ao INFERNO os que são do INFERNO!! e a terra aos que são da terra!!

Resistam companheiros!!! E levem fogo às pragas!!!

Aguardamos mais noticias sobre a resistência!

Franciolli Araújo

19 de janeiro de 2009

Como estarei equipado com R$5,00?

Deixe seu Comentário

Website ou blog (opcional)