Guia d3system: RPG Old School

Postado no dia 19 de junho de 2009 por Antônio Sá em Artigos, Guia d3system

Diante das recentes mudanças de edições, revisões de regras e até do amadurecimento geral da cultura de jogos diante de fenômenos como Guitar Hero e World of Warcraft, muito se fala sobre a Golden Age do RPG — o RPG Old School (ou, a “Escola Antiga”). Dentro desse cenário cheio de novidades, era inevitável um resgate as raízes e o d3system trás com exclusividade para você mais uma edição do Guia d3system — dessa vez abordando tudo o que é preciso saber sobre essa tão aclamada forma de se jogar.

Old School: Os Velhos Tempos Voltaram!

Pode ser que você nunca tenha ouvido em RPG old school. Talvez você tenha começado a jogar por este método, mas, com o passar do tempo, se deixou seduzir por novas edições, regras mais modernas ou livros mais vistosos. Quem sabe você sequer saiba direito o que é RPG. Tudo bem, nada disso importa: RPG old school é para todos.

O que se ensina nesta Escola?

O que é essa tal de Escola Antiga? Posso virar aluno? Bem a resposta é simples, mas vai depender de dois fatores:

  1. O seu Mestre é old school?
  2. Você é capaz de se tornar um Mestre old school?

“É, realmente não tenho um mestre old school. Meu mestre só quer saber de novidades, regras, miniaturas, tabuleiros, jogadas de dados e essas coisas… Um saco!”

Calma pequeno leitor! O processo é simples e indolor, você não deve se assustar. O Old School está aí para somar esforços, dar dicas e não para dividir o público em “lados opostos”. Para começar, leia este nosso artigo de introdução ao mundo Old School, mande-o para seu Mestre e/ou parceiros de mesa  e pronto! Quem sabe vocês até já estejam usando algumas das dicas daqui e nem estejam sabendo!

"Bom dia querida professora!"
Observem o atento tio Nitro sentadinho na primeira fila!

De antemão, é preciso saber que o “estilo” Old School se afirma sobre três pilares que você deve conhecer. Eles são ótimas dicas para deixar seu jogo, seja ele velho ou novo, muito mais interessante, atrativo e divertido. Vamos a eles:

  1. O Mestre Pensa! Sim caro leitor, o mestre não precisa decorar regras, páginas e tabelas… Um bom Mestre precisa ter a mente livre! Nada de ficar preso à regras, tabelas e rodapés de livros — o Mestre precisa de BOM SENSO para tomar decisões e descrever as cenas de forma inspiradora! É preciso estar imerso no jogo para conseguir responder as perguntas de seus personagens, contornar acontecimentos imprevistos e manter todos ocupados com as várias opções que você criou.
  2. O Dado Soluciona! O RPG é um jogo cujo andamento é determinado pelos dados, certo? E por que não deixar na mão dos dados as soluções de problemas insolúveis? Seu grupo não consegue encontrar o suplemento onde está a regra para cavar de castelinhos de areia? O Mestre não sabe o que fazer? Simples! Jogue 1d6: par dá certo, ímpar não! E toca o barco pra frente que atrás vem gente! Preocupe-se apenas com o que realmente for importante!
  3. A Narração é Tudo! Esta é, de longe, a mais importante! RPG é descritivo, portanto enxergamos as pessoas, lugares e situações através da imaginação. As imagens se formam em nossas mentes através  daquilo que é narrado pelo Mestre, daquilo que ouvimos e sentimos enquanto estamos na mesa de jogo. O mestre Old School deve descrever, explicar, causar sensações, emitir ruídos, descrever texturas, odores, emoções, enfim, fazer com que TUDO esteja presente no palco da mente dos seus jogadores e não só rabiscado no tabuleiro sobre a mesa!

O que estudar pro vestibular?

Agora você conhece alguns dos pilares mais importantes do Old School, pode se perguntar de onde veio tudo isso? Quais são os jogos considerados Old School hoje em dia?

Tecnicamente, as soluções sugeridas aí em cima podem ser adotadas em qualquer mesa de jogo, independente do sistema. Elas são consideradas Old School pois nasceram da experiência dos jogadores no decorrer da história do RPG. São dicas simples, mais usadas na época que o RPG nasceu e que a informação não era assim tão presente e de fácil acesso com é hoje. Por causa disso, o improviso era mais necessário, deixando as regras de lado e a mente mais livre para se concentrar naquilo que mais interessava: a história.

Hoje em dia, os jogos que podem ser considerados Old School são aqueles que eram jogados nos anos setenta, oitenta e até a metade da década de noventa. Para quem gosta de fantasia medieval, temos as encarnações do D&D pré-terceira edição, tidas como jogos Old School.  Quanto mais antiga a edição, mais Old School ela será!

Primeira Edição do D&D
D&D ZERO: onde tudo começou!

Entre outros jogos medievais, você pode começar sua procura por dois jogos: RoleMaster e seu filho MERP. Outra opção pouco conhecida mas muito interessante é o DragonQuest; não a caixa da Grow que chegou a ser vendida aqui no Brasil, mas sim um RPG clássico, da primeira metade dos anos 80. Muito bom mesmo!

Se você prefere horror, indico as primeiras edições do CoC: tentáculos, livros proibidos e deuses adormecidos não fazem mal a ninguém! Gosta de pós-apocalipse? Saia à caça de água e suprimentos em Aftermath! ou Gamma World! Curte Ópera Espacial? Então divirta-se com Fading Suns! Fã de faroeste? Procure por Deadlands, um clássico do steampunk!

Pra quem não sabe o que quer — ou para aqueles que querem fazer uma BELA de uma mistura — procure o seu Rifts; uma mistura de elementos cyberpunk com ficção científica, fantasia, horror, faroeste, mitologia e muitos outros gêneros! Sério, dá pra fazer QUALQUER coisa!

Opções realmente não faltam. São temas variados, de jogos variados para públicos variados. Certamente você encontrará o seu!

E o Material-Didático?

Se você entende razoavelmente o inglês, pode encontrar informações com mais facilidade na blogosfera americana. Eu fiz um apanhado sobre blogs estrangeiros na pegada Old School lá no POP DICE. Mas mesmo assim vou quebrar o galho de vocês e trazer pra cá os mais importantes/legais!

Estes são os blogs que fazem parte da minha doutrinação diária! Aposto que vocês gostarão! Se tiver problemas com o inglês restam duas opções:  a primeira é usando o Google Idiomas, a segunda é procurando material nacional!

Aqui no Brasil, atualmente o Vorpal é, na minha opinião, o blog mais Old School que temos. O  Old School anda um pouco inconstante, mas o pouco que posta vale por 10! O Old Skull (pegou trocadalho?) também é bem bacana e entre os que não são 100% dedicados ao Old School temos a categoria “Good Old Game” lá do Lote do Betão e, modéstia a parte, alguns artigos do PopDice!

Onde Encontrar Livros-Didáticos de GRAÇA?

Aqui segue uma breve descrição dos principais jogos retro-clones que podem ser encontrados gratuitamente na net. Por retro-clones, entenda “jogo recente que tenta similuar jogos antigos”:

  • OSRIC: O maior, mais famoso, mais jogado e apontado por muitos (mas não por mim) como o melhor retro-clone disponível gratuitamente na net. Já está na segunda edição e possui um livrão por demais completo. Ele se destaca por ser semelhante às regras do AD&D 1ª edição.
  • BASIC FANTASY: De todos os jogos retro-clones existentes este é o que eu mais conheço. Foi minha porta de entrada no mundo Old-School e o responsável por eu ter recuperado o brilho nos olhos ao jogar RPG. Ao contrário do jogo anterior, o BF foca num crossover interessante de regras do AD&D 2ª edição com uma leve pitada de D&D Rules Cyclopedia. A lista de materiais gratuitos para o jogo empolga e são tantas opções que dá vontade de baixar tudo! RECOMENDADO pelo POP!
  • LABIRINTH LORD: Ô jogão! Ele compõe, junto do Basic Fantasy, a minha lista de favoritos. Acho que as regras ficaram bem escritas, o jogo passa bem a temática dos jogos Old School e, ao contrário dos dois anteriores, possui uma arte bem decente! Só não é o meu retro-clone favorito por que eu não joguei tanto quanto eu deveria. Ele também foca as regras dos jogos do final dos anos 70 e o início dos anos 80, sendo o AD&D 1ª edição sua principal fonte de inspiração.
  • SWORDS AND WIZANDRY: De todos os retro-clones, este é o que eu menos tive contato em mesa. Não posso avaliar muito bem a presteza de suas regras, mas posso dizer com certeza que ele é o mais simples de todos. Talvez seja o mais indicado para jogadores não tão experientes no conceito Old School começarem sua jornada em busca do prazer de jogar como antigamente! Principalmente porque, dentre todos,  este é o único cujas regras foram traduzidas totalmente para o português. Um achado!

As iniciativas em português não ficam restritas a jogos traduzidos. Felizmente, ainda que tímida, a comunidade Old School brasileira já começou a se coçar e a produzir jogos totalmente nacionais. Destes, posso destacar três: o já consagrado TAGMAR 2,  o Old is Cool 20 do pessoal da REDE RPG e, é claro, o projeto mais querido deste pequeno blogueiro que vos fala: OLD DRAGON, criado em conjunto com o pessoal do Vorpal e do Pensotopia!

logo_olddragon
Old Dragon: Old School, 100% nacional!

Sobre este último projeto, posso garantir que estamos fazendo o possível para torná-lo um marco! Ainda não temos muitas informações concretas para divulgar justamente por estramos sendo absolutamente criteriosos na concepção das regras, o que certamente leva bastante tempo.

Em primeira mão, posso divulgar que o projeto será OGL, portanto aceitará e incentivará a publicação de material de terceiros, e que os testes do sistema serão abertos, como foi feito com o Pathfinder! Quem viver verá!

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14 Comentários

JP

19 de junho de 2009

Boa iniciativa!

Eu jogava AD&D, mas, por prorizar a narrativa em detrimento das regras migrei para os da White Wolf. Agora com a quarta edição me empolgei de novo a ir às dungeons.

A propósito, Hero Quest juntamente com meu estojo do First Quest me fascinavam e garanto que se relaçassem agariariam muitos fã. Faço destes, então, sugestões a quem não conhece a fundo RPG. Servem como excelentes introduções.

franciolli

20 de junho de 2009

D&D Old School é bom demais!
Excelente artigo.

Thiago

20 de junho de 2009

Outro jogo que é bem Old School, mas não é D20, é o Dungeoneer, sistema utilizado pelos livros-jogos da série aventuras fantásticas. Aquilo sim era Old School. três atributos básicos, algumas habilidades especiais e mais nada.

Procurem pelo suplemento Blacksand, sobre uma cidade portuária no mundo de Allansia, mundo dos livros-jogos.

Tem em português e se encontra por aí nos sebos da vida.

Max Silva

20 de junho de 2009

Sensacional!Apoio qualquer iniciativa que valorisse a Old School.Principalmente as tragam novos alunos(como eu)a velha escola.

Antonio Sá Neto

21 de junho de 2009

Olá gente!

Só passando pra agradecer os comentários e pra reforçar a indicação do Thiago. Dungeoneer é bom demais!

Vale mesmo a pena! Eu tenho o básico, o Dungeoneer e o Blacksand, ótimas leituras e ótima fonte de idéias!

Abraços!

Duncan Salazar

22 de junho de 2009

Contem comigo. Ser Old School vai ser moda de novo logo logo hehehehe

rafael

22 de junho de 2009

ótimo apanhado geral, parabens!

NILSON

22 de junho de 2009

Cara, se Old Dragon não for fake e realmente tiver a “alma” de Old school q eu vejo em vçs, e pela quantidade de orfãos q o D&D 4 deixou.
Se tiver o apoio de um old school famoso como o Jovemnerd, os caras vão vender mais livros basicos q o Eduardo vendeu Batalha do Apocalipse.

NILSON

22 de junho de 2009

Ta na hora dos blogueiros do Brasil inteiro se unirem pelo selo “Old School/RPG Nacional/Old Dragon”.
Nós temos a “força”, só não sabemos disso (ainda).^^

Fabiano Neme

22 de junho de 2009

O Old Dragon de fake não tem nada. Ele vai sair sim. A versão beta para playtest aberto já está em fase de revisão e muito em breve estará disponível para todos.

Eu gosto muito do Dungeoneer, tenho todos os suplementos lançados no Brasil até hoje e não me desfaço de jeito nenhum!

Só uma correção no texto do Antônio: a caixa da Grow foi lançada no Brasil em 1994, não na primeira metade dos anos 80.

Mas o artigo ficou muito bom. Quero ver todo mundo lá no Vorpal, hein?

Cheers.

Antonio Sá Neto

22 de junho de 2009

Fala Neme,

Eu não estavafalando da caixa da Grow, estava falando do DragonQuest, um RPG realmente dos “baixos” anos 80. Não conhece? Se não, aguarde, ele vem a ser um dos meus primeiros artigos no Paragons!

Lesh

23 de junho de 2009

A caixa vermelha do D&D me fez chorar de nostalgia =(

Daniel "Talude" Paes Cuter

12 de julho de 2009

Não esperava ver esse artigo por aqui, sempre achei o D3, o Jhonny e o Cobbi jogadores de D&D4, mesmo sabendo que o artigo é do Mr Pop.

Luis David

16 de maio de 2010

Eu sempre amei RPG, e a década de 90 no Brasil foi uma época de muitas experiências boas pra mim…

É triste o rumo que o RPG anda pendendo…

RPG mais regrado que interpretativo.

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