Postado no dia 25 de junho de 2009 por Vasco em Artigos, Mundo das Trevas
-Tema: Redenção fria, e Conhecimento. Com o surgimento dos acólitos de Anhangá, e os sinais do seu retorno, sozinhos os cainitas tanto do Sabá quanto da Camarilla cairão, mas juntos eles tem uma única chance de impedir que o verdadeiro mal se espalhe pelo pais, e condene a todos a uma maldição pior daquela que eles agora carregam. Estarão então os cainitas prontos para combater um mal essencialmente similar ao deles, mas ainda assim tão intimamente diferente? Estarão prontos para buscar respostas em lugares esquecidos, aonde terrores maiores do que eles espreitam em cada esquina escura, por respostas mais assustadoras do que a ignorância que eles agora carregam?
-Informações aos Narradores: Os narradores devem ter em mente quando conduzirem esse plot em suas cidades, o terror que deve ser passado aos jogadores que forem introduzidos ao plot, e as escolhas morais que devem ser apresentadas aos mesmos no decorrer da crônica. O terror se deve principalmente por eles acabarem tendo que combater algo que eles não entendem, algo mais cruel do que o pior dos seus anciões, mais ainda assim tão tentador quanto o sangue dos mesmos. Algo mais antigo do que a própria historia que lhes foram contadas, mais ainda assim influenciando a tudo e a todos de uma forma que somente aqueles que realmente buscarem respostas no passado, irão compreender o que se passa no presente e tentar impedir o pior no futuro. Paranóia, frustração, e um sentimento de que não importa o que for feito, nada mudará e o inevitável acontecera, devem ser sentimentos constantes que as mentes dos jogadores devem ter. Sozinhos eles cairão, mas juntos eles podem ter uma chance de redenção. Mas será que essa redenção é melhor do que o terror que eles e os seus mais velhos provocam? Somente aqueles que sobreviverem poderão concluir…
5 – Resumo do Cenário / Plot
“O vento voltou a soprar. Eu fecho a minha jaqueta de couro, apesar de não mais sentir frio, mais por reflexo do que por necessidade. A anos eu não caminho nas escuras e sujas ruas do centro de São Paulo. A cidade Imperial de São Paulo. Realmente os anos estão passando. Eu me lembro como se fosse ontem, os anos em que isso não passava de um ponto de saída para as bandeiras. Engraçado. Eu, Diogo Salles Guerra, um bandeirante, falar dos meus de uma maneira que o som da palavra me soasse estranho. Realmente eu estou ficando velho. Oligarquia, Ditadura, Principado Novo. Apesar de vivenciar todos esses anos, isso ainda me soar estranho, indica que finalmente eu estou me tornando o que eu mais temia, um mais velho.
Eu observo o céu. Uma noite estranha. Sem estrelas. Sem lua. Somente esse cheiro de urina, o som de forros, o brilho amarelado das luzes dos bares, e as cores cinzas dos prédios próximos aos Anhangabaú. Esse realmente é um lugar diferente. Eu continuo andando entre essa selva cinza, chegando a ter momentos aonde os prédios cobrem minha cabeça de tal forma que a visão desse céu sujo me é negada.
Viro uma esquina, chamando pelo abraço das trevas que os prédios projetam, e tenho a impressão de estar sendo seguido. Balanço a cabeça e penso comigo: Isso é impossível. Olho o relógio no meu pulso e vejo que são 3 da manhã. Viro novamente a esquina, sentindo aquele maldito cheiro de urina, e me deparo com vários indigentes dormindo na calçada. Novamente aquela sensação. De repente, as luzes dessa rua se apagam. Usando o meu sangue, me viro e quando eu me dou conta é tarde demais, a caçada já havia começado, e dessa vez, eu não era o caçador, mas sim, a presa…
Vários. Muitos deles, ao mesmo tempo. Isso é impossível. Ele está na Cantareira, dormindo. Mas era como se o espírito dele estivesse nesses malditos. Como eles eram fortes. Cansado. Preciso de sangue. Sim, sangue, quente, faminto, ferido. Caçadores. Como? Isso é no passado, não agora. Estou finalmente ficando louco. Não, isso não é um pesadelo. Isso é real. Escuridão, sangue, sombras, um urro dentro de mim. Eu estou sentindo ela novamente me rasgando por dentro. Ela vai sair, e dessa vez eu não tenho força para conte-la. Mão, pedra, símbolos, lobos, índios, indígena, tupi… Caminho dos Bandeirantes…A hora chegou…”.
“A escuridão me abraça. Eu a sinto completamente sobre mim, como um manto que sempre me aqueceu em noites frias. Fecho meus braços sobre meu peito, somente para sentir o frio do aço do meu peitoral. Delicadamente passo os dedos sobre o símbolo ao qual orgulho mortal nenhum poderia expressar. O símbolo dos Pastores.
É chegado o momento. Olho em minha volta e observo o salão que foi preparado para mim pelo Cavaleiro dos Mistérios. Uma sala Oval no subterrâneo de nosso covil. Tochas e sombras se mesclam com o som dos cânticos antigos sendo entoados pelos nossos seguidores, que em minha volta formam um pentagrama. Novamente eu me perco em meus próprios pensamentos, ponderando sobre o fim. Sobre quando somente os escolhidos, “nós”, sobreviveremos ao grande julgamento dos antigos, na sagrada noite da Gehenna.
Ele chegou. Levanto minha cabeça, somente o suficiente para que o mortal possa observar minhas presas, e o meu sorriso. Eu quase posso me deliciar com o medo que exala do seu corpo. Que decepção. Eu esperava mais de um servo dos bruxos. Mas nada mais importa.
Enquanto me aproximo dele no centro do circulo de nossos seguidores, posso finalmente ter um vislumbre daquilo que eu busco por décadas. O amuleto da visão. Estranho como os indígenas dessa terra tinham o costume de aprisionar espíritos em algo tão fácil de quebrar. Uma pequena pedra e um osso. Mas eu não me lembro de que ele era tão vermelho. Quase como sangue…
Eu o bebo. E então começa. As visões me invadem. O poder me queima. Eu sinto como se algo estivesse errado. Não. Não era para ser assim. Ela grita dentro de mim muito forte. Visões. Elas me invadem de uma forma assustadora. O Peábyiu. Os bandeirantes de Anhanguera. Uma visão de mulheres indígenas em volta de uma lagoa. Uma galeria em São Paulo. Novamente mulheres, mas agora em uma galeria de esgoto. Um brilho vermelho. Gárgulas ao céu. A cidade de São Paulo. E finalmente ela toma conta de mim.A ultima coisa que eu escuto, sou eu mesmo gritando a todos os pulmões o nome de Artur Alabastor, e os gritos dos meus seguidores. Mas é tarde demais para eu me preocupar com isso. Agora somente o sangue importa…”.
“É tarde. Eu estou dirigindo a horas. Eu estou sangrando muito. Eu estou morrendo, eu sei. Agora eu não sei mais quem sou ou que eu estou fazendo. Só sei que a única coisa que importa, é o amuleto. Ele fala comigo. Ele me diz que eu devo levá-lo a São Paulo. Ele diz que eu encontrarei a paz lá. Mas que paz? Que paz…”.
São Paulo. A maior cidade Camarilla do mundo. Refugio dos mais Ilustres cainitas despertos do pais. Uma cidade amaldiçoada pela cobiça, pela maldade sem limites, pelo abandono, e pelos lordes negros da escuridão que a governam.
Por anos, os mortais sofreram com o abuso constante que os vampiros lhes impunham. Reservas de sangue, serviçais e ocasionalmente companheiros, os vivos, não eram mais que uma simples ferramenta nas mãos hábeis dos cainitas.
Mas, esses dias podem estar contados. Do seio dessa mesma podridão e maldade, uma fagulha de esperança surgiu. Emmanuel de Coimbra, antigo senhor das terras de São Paulo, e Duque pela palavra do Redentor, Paulo Nuno, finalmente entendeu que os amaldiçoados são um mal ao mundo, e que eles devem ser parados, de uma forma ou de outra, nem que para isso a própria sociedade cainita seja destruída.
Liberdade. Liberdade dos grilhões do sangue, das tradições, da eterna Jyhad, e principalmente, liberdade daqueles que podem enfraquecer o todo. Durante muitos anos, Ana Moura foi um nome temido nas terras do Estado de São Paulo, pelos seus feitos, pela sua capacidade de utilizar o sangue Gangrel de uma maneira tão combativa, e pelos seus preceitos de liberdade, que assumiam o lado mais radical do anarquismo. Mas os anos se passaram, e as noites de ferro mostraram que não importa o quanto se lute, quando se tenta mudar o que o tempo não pôde, o resultado será sempre o mesmo, fracasso. Mas, esse mesmo tempo que não muda, ainda assim avança, e com ele, novas oportunidades e tentativas são feitas. Agora rumores dizem que a “Donzela de Aço” esta novamente nas terras da sua linhagem, e que ancião nenhum estará seguro. A pergunta que ainda permanece é, essa será a ultima oportunidade, ou o reinicio do fim?
Superioridade. Essa é a palavra que ecoa na mente do temido regente Matoso de Castella. Por anos, Matoso se viu obrigado a se submeter aos desígnios de Lorde Isadora, dentro da maior cidade Camarilla do mundo. Por anos ele se viu incapaz de ter voz ativa dentro de uma cidade com tantas possibilidades místicas como São Paulo e cidades vizinhas. Mas o tempo de obediência acabou. Se juntando com outros membros proeminentes da “Elite”, uma poderosa ordem secreta dos Tremere, Matoso conseguiu lentamente minar tanto o poder da Lorde, como consolidar o seu e enfraquecer os outros pretensos regentes da cidade.Mas durante um momento de sorte ou pura malicia, Matoso se fez indispensável para a cidade.Junto com alguns membros proeminentes, somente o seu conhecimento foi poderoso o bastante para fazer o impensado.Através do seu poder de sangue, Matoso conteve a fúria destruidora do mais bestial dos cainitas.Anhanguera. Mas nem isso o salvou. Ganancioso por sempre mais, o Regente de São Paulo acabou sendo vitima dos seus próprios estratagemas, e com isso, acabou sendo retirado de seu cargo e da cidade Imperial. Agora, com as noites finais tão próximas, somente alguém que foi traído sabe como deter a fúria do mais velho desperto, só que seu preço será nada mais nada menos do que a própria alma de seus inimigos.E talvez até a sua própria.
Desilusão. Esse é o sentimento que permeava as noites de Werkner Siemens. Detentor de uma posição invejável na sociedade cainita, renomado entre os seus, e temido e adorado entre os outros, finalmente o peso da idade se abateu no ancião do Clã da Rosa. Sentindo o vazio lentamente dominando a sua alma, valores que antes importavam, não mais o faziam, e somente satisfazendo os seus mais deturpados prazeres, Werkner se sentia “vivo” novamente. “Lótus Negra”, esse é o nome da heresia criada pelo ancião. Um “Culto de Sangue”, aonde mortais se deliciam com o sangue potente do cainita, e aonde os prazeres não conhecem limites, nem os limites fim. Mas como tudo nessas noites antes do fim, algo estava já fadado a desaparecer.Werkner foi destruído.Seus filhos e irmãos de sangue choraram pela perda de sua liderança e sua arte.Mas a “Lótus Negra”, antes somente culto de adoração, agora se torna um câncer na cidade Imperial.Deturpados, enlouquecidos pela fome e sem limites, agora eles se voltam contra aqueles aquém deveriam servir.Os seus próprios senhores das trevas. Agora só o tempo dirá que parte eles interpretarão na Jyhad final.Peões ou Reis?
“Os Filhos Perdidos”. Esse é o nome pelo qual aqueles que seguem a trilha do espírito / demônio, Anhangá se chamam. Finalmente reunidos sob uma nova sacerdotisa, Lílian, e recuperados do ultimo ataque sofrido contra o seu templo por Anhanguera, os Filhos mais uma vez iniciaram a sua caçada contra os outros filhos de Caim, em busca dos fragmentos da historia de seus antepassados e pela Ycamiaba, o objeto pelo qual eles se sacrificarão e finalmente despertarão o grande Anhangá, que ira purificar finalmente essa terra de todo o mal.
Conhecimento é poder. Por esse motivo, os Pastores são uma força tão poderosa no cenário cainita brasileiro. Detentores de inúmeros conhecimentos, os Pastores sabem que somente existe uma forma de sobreviverem às noites finais. Trazendo a Gehenna sobre o mundo, e estendendo sua servidão aos Antediluvianos. Mas, para isso, eles devem usar dos membros menos preparados, para que até o fim, eles ainda sejam vistos como neutros em uma guerra que eles mesmos começarão. Mas, o preço do conhecimento vale a não vida de quantos? Ou ainda mais, a alma imortal de quantos?
Controle. Essa sempre foi a meta pessoal de Maria Machado. Controle e Poder fizeram dela o que ela é hoje, e essas mesmas armas a farão sobreviver às noites que se seguirão. Mas somente depois de anos, vivendo a sombra dos mais velhos, servindo fielmente os lordes da Torre de Marfim, Machado entendeu que o único lugar aonde ela poderá proteger os cainitas deles mesmos, é como o poder máximo da Camarilla. Como Justicar. E para alcançar tal objetivo, ela não se importará em vender até mesmo, os seus aliados que a colocaram na posição que ela se encontra agora, nem entregar ao Sabá cidades que ela jurou proteger.
O Fim esta próximo. Sentindo isso em suas veias, Paulo Nuno, o Redentor, sabe que a hora de conversas, e de jogos está chegando a um ponto critico. A junção da Corte e da Igreja deve ser imediata, e a proteção de todos os do sangue de Caim, uma prioridade, não um fardo.
Alianças deverão ser feitas, promessas deverão ser quebradas, lordes cairão e outros levantarão, pelo bem de todos, sacrifícios deverão ser feitos, e se depender de Nuno, eles o serão.
Por anos, um fogo queimou no coração morto de Diogo Salles Guerra. Esse fogo sempre foi uma causa ao qual lutar. Bandeiras, Cainitas, Anarquista, Camarilla, Brujah. Mas agora, depois de anos, o fogo começou a se extinguir. E com isso, o vazio começou a preencher o peito do brujah. Buscando novamente esse fogo, mais ainda assim pouco a pouco se distanciando da sua própria humanidade, Diogo se deparou com o impensável. Seguidores de uma lenda entre os bandeirantes, sobre um caminho que somente os mais fortes poderiam sobreviver. Um caminho, chamado de a Trilha dos Bandeirantes. Intrigado, agora Diogo busca saber mais sobre isso, mas algo dentro de si mudou completamente. Agora novamente o ódio de perdas passadas, tanto pessoais como de sangue se fazem presentes, forçando o brujah a tomar uma atitude drástica demais. Como vingança pelas suas perdas, agora todos os velhos deverão pagar, e o sangue deles devera ser o seu premio. A sua fortuna. A sua força. O mal nunca enfraquece, nem nunca esquece.
Mas, do caos das ultimas noites, e do desespero que se tornaram às cidades, existem ainda alguns que lutam contra os senhores da escuridão. Essas almas solitárias, mas com um desejo de se tornarem livres de seus grilhões, ainda constituem o maior medo dos cainitas. Os caçadores lentamente entram nessa peça de horror pessoal, como um ultimo fio de esperança, mas tão fraco, que ou eles permanecem unidos, ou morrem sozinhos. A partilha já começou, já que Pablo, descendente de uma família indígena de São Paulo, está sendo tomado pelo mal, e adentrando a um culto aonde ele acha poder encontrar um sentido a sua vazia vida. Esse culto chama-se “Lótus Negra”.
6 – História do Cenário / Plot
O Espírito Eterno
Anhangá é um espírito que caminhava pelas terras de São Paulo há séculos atrás. Reverenciados pelos índios, como o espírito que caminhava nas florestas, Anhangá era uma força da natureza que buscava o balanço entre as coisas vivas. Com a chegada do homem branco ao continente e conseqüentemente os cainitas, Anhangá se alterou para poder se adaptar ao que estava acontecendo. O problema foi que com isso, Anhangá se corrompeu, acreditando que o balanço só existiria se tudo começasse novamente. Para isso, a destruição do antigo deveria ser uma prioridade. Durante muito tempo, o espírito quase conseguiu seu objetivo, sendo impedido por vários xamãs de varias tribos, que o conteram e o aprisionaram em um grande vale. Com o passar dos anos, os xamãs foram morrendo, e com eles, os guardiões do vale foram deixando de existir. O ultimo dos xamãs, foi aprisionado pelo Gangrel Anhanguera, em uma das suas ultimas bandeiras em São Paulo. Sem o cuidado do índio, Anhangá pôde escapar, e novamente tentar destruir tudo o que existia naquela terra. Anhanguera, vendo o que tinha provocado, decide caçar a criatura, com a ajuda do velho xamã (subjugado pelo laço de sangue para ajudar o Gangrel). Juntos os dois conseguiram aprisionar novamente o espírito no vale. Mas antes do fim, em um momento de força maior, o xamã acabou por ligar Anhanguera e o espírito, fazendo com que o Gangrel fosse o elo que deveria ser dos descendentes do índio. O espírito continuará preso, enquanto Anhanguera existir, e se libertara se ele for destruído, ou o ritual quebrado. Mas, um novo descendente depois de muitos anos nasceu, e esse é Pablo, o caçador desiludido, que agora faz parte do Culto de Sangue de Werkner Siemens, Ancião Toreador de São Paulo.
Escuridão Interior é a primeira parte de uma crônica para Vampiro a Máscara centrada na cidade de São Paulo e que utiliza o cenário apresentado aqui no d3system. As informações abaixo são destinadas a narradores novatos e experientes, mas é possível usar o material apresentado aqui para criar novos personagens ou adaptar personagens existentes para o cenário da cidade que nunca dorme.
Conceitos
Tema: Redenção e conhecimento. Com o surgimento dos acólitos de Anhangá e os sinais do seu retorno, tanto o Sabá quanto a Camarilla encontrarão a destruição. Porém juntos eles tem uma chance de impedir que o verdadeiro mal se espalhe pelo pais condenando todos a uma maldição pior que aquela que eles carregam.
Os cainitas estarão prontos para combater um mal essencialmente similar e ainda assim tão intimamente diferente? Eles estão determinados a buscar respostas em lugares esquecidos onde o terror espreita a cada esquina? Estão dispostos a sofrer as conseqüências daquilo que estão prestes a descobrir?

Informações aos narradores: Essa crônica se baseia no horror a ser passado aos jogadores e as escolhas morais apresentadas aos mesmos no decorrer do jogo.
O horror se deve principalmente a enfrentar algo desconhecido e mais cruel que o pior dos anciões. Algo mais antigo do que tudo que eles já conhecem. Um entidade capaz de influenciar tudo e todos de uma forma tão brutal que somente aqueles que realmente buscarem as respostas perdidas no passado compreenderão o que se passa no presente. Somente assim serão capazes de tentar impedir o pior no futuro.
Na mente dos jogadores devem estar sempre presentes a paranóia, frustração e um sentimento de impotência. A sensação de que nada mudará e o inevitável acontecerá. Ele devem compreender que sozinhos eles fracassarão. Entretanto, juntos eles podem ter uma chance de encontrar a redenção.
Será que essa redenção é melhor do que o horror que eles e os anciões provocam? Somente aqueles que sobreviverem saberão…
Resumo do Cenário
“O vento voltou a soprar. Eu fecho a minha jaqueta de couro apesar de não mais sentir frio. Mais reflexo do que necessidade. A anos eu não caminho nas escuras e sujas ruas do centro de São Paulo.
A cidade Imperial de São Paulo.
Realmente os anos estão passando. Eu me lembro nitidamente de quando isso não passava de um ponto de saída para as bandeiras. Engraçado. Eu, Diogo Salles Guerra, um bandeirante, falar dos meus de uma maneira que o som da palavra me soasse estranho.
Realmente eu estou ficando velho. Oligarquia, Ditadura, Principado Novo. Apesar de ter vivenciado todos esses anos isso ainda me soa estranho. Droga, eu acho que finalmente eu estou me tornando o que eu mais temia: um mais velho.

Eu observo o céu. Uma noite estranha, sem estrelas nem lua. Somente esse cheiro de urina, música alta, o brilho amarelado das luzes dos bares e as cores cinzentas dos prédios próximos aos Anhangabaú. Esse realmente é um lugar diferente. Eu continuo caminhando por essa selva cinza onde prédios cobrem a minha cabeça de tal forma que a visão desse céu sujo desaparece.
Virando uma esquina e chamando pelo abraço das trevas que os prédios projetam, eu tenho a impressão de estar sendo seguido. Balanço a cabeça e penso comigo: Isso é impossível. Olho o relógio no meu pulso e vejo que são três da manhã. Viro outra esquina sentindo mais uma vez aquele maldito cheiro de urina e me deparo com vários indigentes dormindo na calçada. Novamente a sensação. Subitamente, as luzes da rua se apagam. Usando o sangue dentro de mim para me fortalecer eu me viro. É tarde demais. A caçada já havia começado e dessa vez eu não era o caçador.
Eu era a presa…
Muitos. Muitos deles ao mesmo tempo. Isso é impossível. Ele está enterrado na Cantareira, dormindo. Mas era como se o espírito dele estivesse presente nos malditos. Como eles são fortes. Cansaço. Preciso de sangue. Sim, sangue quente, faminto, ferido. Caçadores. Como é possível? Isso foi no passado, não agora. Estou finalmente ficando louco. Não, isso não é um pesadelo, isso é real! Escuridão, sangue, sombras, um urro dentro de mim. Eu estou sentindo-a novamente, rasgando por dentro. Ela vai se libertar e dessa vez eu não tenho força para contê-la. Mão, pedra, símbolos, lobos, índios, indígena, tupi…
O Caminho dos Bandeirantes…
A hora chegou…”
História do Cenário: O Espírito Eterno

O Anhangá é um espírito que caminhava pelas terras que se tornariam São Paulo. Reverenciado pelos índios como o espírito que caminhava nas florestas, Anhangá era uma força da natureza que buscava o balanço entre todas as coisas vivas.
Com a chegada do homem branco ao continente e, conseqüentemente, dos cainitas, Anhangá se alterou para se adaptar às mudanças que estavam acontecendo. Ao fazer isso, o espírito se corrompeu e começou a acreditar que o balanço só existiria se tudo fosse refeito.
Para que isso acontecesse, a destruição do antigo deveria ser uma prioridade. Durante os anos que se seguiram, o espírito quase conseguiu seu objetivo. Contudo, vários pajés de diversas tribos se juntaram e o aprisionaram em um grande vale. Os anos continuaram a passar,os pajés e os seus descendentes foram morrendo e os guardiões do vale foram deixando de existir.
O destino tinha outros planos para o último dos pajés. Durante anos percorrendo o território, o gangrel Anhanguera, em uma das suas últimas bandeiras paulistas, atacou uma das últimas vilas indígenas de São Paulo e aprisionou o pajé em seu sangue.
Sem o cuidado do índio, Anhangá pôde escapar e novamente tentar destruir tudo o que existia. Anhanguera, vendo o que tinha provocado, decide caçar a criatura com a ajuda do velho pajé. Juntos eles conseguiram acuar o espírito no vale, mas antes do fim do ritual, tendo sua força vital sendo sugada pelo espiríto, o pajé conecta Anhanguera com o espírito e não com o vale. Isso transformou o gangrel no elo que deveria ser dos descendentes do índio.
O espírito agora permanece preso ao ancião, e se libertará se ele for destruído ou o ritual quebrado.
Assim como o destino tinha um plano para o pajé, ele também tinha um para a sua linhagem. Um novo descendente nasceu: Pablo, um caçador desiludido e aprisionado ao Culto de Sangue de Werkner Siemens — o ancião toreador de São Paulo.
Na próxima semana, será publicada a a segunda parte da crônica. Ela detalha o envolvimento dos outros seres que fazem parte da cidade que nunca dorme.
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3 Comentários
Ivan Prado
26 de junho de 2009
Bem legal! Só não entendo pq A Mascara e não O Requiem? É por acaso uma onda Antideluvian-School?
Vasco
26 de junho de 2009
Obrigado pelo comentário Ivan.
Hehehe, não, não é uma onda Antidiluviana School. Minha participação no d3system é em grande parte sobre o antigo mundo das trevas, um cenário que eu muito conheço bem. Mas nada impede que as minhas matérias sejam adaptadas para o novo mundo das trevas (um cenário fantástico por sinal).
Um abraço
Vasco
Snake
28 de junho de 2009
Idéia muito boa essa por sinal, Vasco.
Agora acho que seria legal se o D3System trouxer também para o Novo Mundo das Trevas.
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