Meme: Falhas CrÃticas
Pra começar, o que, pela graça misericordiosa de Avandra, é um meme?
O nome é uma analogia aos genes e consiste numa idéia ou comportamento que pode ser transmitido entre as pessoas através da imitação. Na memética, isso vai desde as coisas mais comuns e fundamentais para o processo evolutivo — como andar em duas pernas — até as atividades mais complexas, como escrever textos bacanas num blog.
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| “E não é que esse mané aà me imita direitinho!” |
Resumindo ao máximo, alguém faz, você vê, gosta e copia. Outras pessoas verão você fazendo também, gostarão, copiarão e assim por diante! Reprodução viral e exponencial!
E o Kiko…?
É nessa palavrinha aà — “viral” — que todo esse fundamento sociológico encontra a blogosfera. Esse conceito deu origem a uma brincadeira comum entre os blogueiros: alguém escreve sobre determinado tema e convida alguns conhecidos para escrever sobre o mesmo assunto. Os convidados, por sua vez, respondem ao meme já convidando outras pessoas. And so on, forever ever.
O gato no sapo, o sapo na mosca, a mosca na velha…
Era um vez um post maneirÃssimo do Alexandre “RPGista”, onde surgiu a idéia da galera falar sobre os escorregões mais lendários dos jogadores e mestres de RPG. A batata-quente nasceu lá mesmo, contaminou os dados limpos do Phil que, no telefone sem fio, aumentou o foco para as mancadas dos mestres também!
De lá, sobrou pro Rey Jr e contaminou toda a toca do elfo Vindemiatrix. Muito mais gente ainda vai cair nessa (e eu vou tentar esse post atualizado com os links), mas acabou que eu entrei na dança e vou descrever aqui o momento mais pastelão da vida RPGÃstica desse Cobbi que vos fala.
“O Cobbi roubou pão…”
Mancadas não faltam! Situações engraçadas — ok, algumas são hilárias — já aconteceram e ainda acontecem o tempo todo nos meus jogos. Mesmo nas situações mais sérias, o pessoal chega anotar as piadas no rodapé da planilha (sem perder a compostura do roleplay, claro) só pra tirar um barato na hora do intervalo (“Leo, vc anotou essa!”, rs).
Se nem no podcast a gente escapa (colocando “a espada de greyskull em Thundera” ou “editando os canais de som e áudio”) imagina só quando o pessoal se junta para azucrinar e curtir?! O gongo não pára (a Ray e toda a Matilha que o diga)!
Confesso que fiquei em dúvida sobre o que escrever… Teve cavalo tomando trespassar de guerreiro, paladino montando lesma celestial e até um lich bêbado como um gambá que mal sabia pra qual lado era a casa dele… Entretanto, em época de OlimpÃadas, elegi uma pérola em homenagem à s nossas gloriosas medalhas de ouro! Aliás, uma não: duas! Uma dos jogadores e outra do Mestre!
Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar…
A masmorra tinha sido um verdadeiro desafio! Estávamos todos no primeiro nÃvel e, em ritmo de AD&D, muitos de nós ainda engatinhavam nas regras da nova edição, mas mesmo assim nós conseguimos! Depois de uma longa exploração subterrânea através de ninhos fedorentos de vermes da podridão, turbas de zumbis cambaleantes e toda uma tribo de sahuagins e seus sacerdotes do tubarão, conseguimos sair daquele buraco no litoral com o dever dos nossos futuros heróis cumprido — e com todo o grupo vivo! Isso se o bárbaro do grupo não tivesse decidido comemorar nadando num dos riachos que abastecia a tribo dos homens-peixe!
Com uma inteligência muito baixa, o pobre bárbaro meio-orc teve escolher se saberia nadar ou contar até dez quando foi criado e adivinhem! Sim! Numa interpretação impagável do meu amigo Cláudio Beck, o eterno Grolas resolveu que estava muito contente e com muito calor e que, por isso, pularia no próximo espelho d´água que aparecesse para se refrescar e festejar com os amigos.
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| Eu mencionei que eles veneram TUBARÕES GIGANTES?! |
Mesmo sob os avisos do clérigo sobre a religião dos sahuagin e dos alerta da maga a respeito das correntezas nos veios que abastecem as terras dos demônios do mar, o bárbaro insistiu que isso era um desafio à sua coragem e, sem uma graduação sequer na perÃcia natação, mergulhou como um martelo no richo que ficava logo adiante da saÃda do covil…
Na ausência de cordas (que ficaram penduradas no topo dos paredões que escalamos para atravessar o complexo de grutas) e com a escassez das magias (que já tinham sido quase totalmente consumidas no final dessa empreitada), o clérigo e o paladino logo se viram obrigados a acudir o desajeitado Grolas, que engasgava como um gato escaldado num tanque de água fria. Julgando que demoraria tempo demais para remover as armaduras, foram os próximos a pular na água, numa tentativa completamente infrutÃfera de salvar o bárbaro.
Agora a maga e o ladino estavam pasmos, parados na margem e pensando em como resgatar aqueles três gatos escaldados que se debatiam na água.
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| “Ops!” |
Resultado: depois de uma sucessão de fracassos em diversos testes de Força (que é a perÃcia usada para substituir a natação no D&D) que geraram cenas hilárias, dignas de um verdadeiro pastelão, o grupo todo aprendeu a duras penas que aprender a nadar era bem mais útil do que parecia.
Desnecessário dizer a quantidade de piadas que isso gerou na campanha, certo? Primeiro, um bárbaro que devia sua vida a um clérigo e a um paladino que, por sua vez deviam suas vidas a um ladino e uma maga! Segundo que, por motivos óbvios, até hoje não ficou definido quem é que fez a respiração boca-a-boca no pobre meio-orc, mas a maga (elfa fresca como era) foi a primeira a tirar o corpo fora!
“A vingança nunca é plena…”
Depois de um susto desses, óbvio que todos os personagens foram tomar prática na arte do nado. Num povoado litorâneo, gastaram parte do tesouro para aprenderem a se virar na água com os melhores nadadores do povoado. A maga (com inteligência sobrando) acabou virando uma verdadeira Joanna Maranhão!
A campanha continuou e o tempo se passou. Algumas aventuras (e dois nÃveis) depois, nossa missão era invadir um forte inimigo para roubar os planos de guerra dos exércitos adversários. Sob efeito de horas e horas do saudoso Metal Gear, o Mestre passou a semana inteira calculando esquemas de vigÃlia para as muralhas e preparando os encontros baseados em furtividade e enigmas estratégicos que terÃamos que resolver para burlar a vigilância da fortaleza e invadir as câmaras subterrâneas em busca dos pergaminhos. Uma verdadeira engenharia!
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| Confesse, quem é que nunca se deixou levar por filmes e videogames no RPG?! |
Ele consultou enciclopédias em buca da estrutura de fortalezas, conseguiu infográficos ilustrativos e fez uma verdadeira obra-prima da espionagem com as regras de D&D, exigindo o máximo da sua criatividade nessa invasão para compor desafios onde todos os membros do grupo seriam úteis e necessários, sem que o ladino fizesse tudo sozinho.
Ele só esqueceu de uma coisa: havia um fosso cheio d’água do lado de fora para alimentar o sistema hidráulico de abertura do portão. Tudo interligado com o sistema de esgotos na masmorra do palácio. Nada paga a cara do Mestre quando o grupo todo atravessou nadando o sistema de segurança que havia exigido todo aquele tempo de criação! Estávamos vingados!
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| “Rá! Pegadinha do malandro!“ |
É óbvio que depois de uma dessas, muita coisa mudou de lugar na fortaleza instantaneamente, incluindo os planos de guerra que, segundo os augúrios do clérigo deveriam estar “abaixo do solo onde os mortais pisam”. Perdoamos, pois nada dizia que esse “solo onde os mortais pisam” não podia ser o piso do último andar da torre de vigÃlia mais alta da fortaleza.
Pano pra Manga
Como o meme não pára por aqui, o desafio segue adiante! Nomeio mais quatro feras para continuar essa sessão de terapia RPGÃstica e contar pra gente algumas das trapalhadas que eles viveram numa mesa de RPG:
- João Paulo “Moreau do Bode”, do Pergaminhos de Tanna-Toh (Sempre por aqui!)
- Fabio Francisco Moron, do Blog do Inativo (Para sacudir um pouco esse esqueleto)
- Valberto Filho, do Lote do Betão (Não imagino metade do que as meninas aprontam!)
- Daniel Don, do Pensotopia (Prazer em conhecê-los!)






25 de agosto de 2008 às 0:28
Terapia? Terapia? TERAPIA???
As feridas jamais cicatrizarão, se é isso que vc quer saber!
Hehehe, brincadeira.
Se eu fosse colocar aqui tudo o que as meninas fazem na minha mesa, eu precisaria de anos para descrever tudo. Entre grandes sacadas existem “falhas nossas” imperdoáveis, recheadas de atitudes absolutamente sem noção. Cito algumas:
A história da princesa que fugiu para ser barda aventureira mais se parece com uma novela mexicana. Depois de meses de jogo eu ainda confundo quem casou com quem, quem dormiu com quem e quem é filho de quem.
Já o principe anão exilado por tentar tomar o trono à força descobriu que é um tipo de Paragon Anão. Não seria problema, se essa condição não causasse um frisson de ódio por qualquer elfo nas quadradezas.
Uma das personagens sofre/sofria de dupla personalidade. Uma hora era ranger safada, outra era maga austera. Hoje é maga safada.
Outra descobriu que é meio demônio, que o pai (capetÃssimo) ainda está vivo e que no corpo dela esta a chave que vai trazer os dragões de volta a este mundo. Esta mesma é especialista em furar olho de inimigos. Já tem três que ela furou o olho jogando adagas. Três inimigos mortais em potencial.
Fora outros goofs do mestre:
Uma maga anã que é apaixonada pelo prÃncipe anão paragon do machado fodão. O irmão da tal anã que é um ótimo guerreiro, mas um péssimo pensador. Og. Ele acredita com tanta vontade que seu machado é mágico que qualquer dia ele vai ser!
O primo da princesa barda que não pode ver uma dose de cachaça que bem, é casado com uma mina que nas noites de lua cheia… bom, deixa quieto.
Fora um tal de Galfgarion, ex-paladino que agora é um tremendo demon knight, level 30, com uma espada devoradora de almas…