Resenha: 30 Dias de Noite

Postado no dia 22 de dezembro de 2007 por em Resenhas

As histórias de vampiros se tornaram clássicos da literatura de terror universal. Desenvolvidos pelas mentes de mestres como Lorde Byron, John Polidori, Alexandre Dumas e Sheridan le Fanu, esses monstros ganharam espaço em todas as mídias de entretenimento. Os vampiros ficaram mundialmente famosos em obras de feras da literatura como H. G. Wells, Bram Stoker e Anne Rice e não demorou para que algumas dessas obras saltassem dos livros para os filmes.

Novas abordagens, agora com caçadores dessas criaturas sobrenaturais (Buffy, Angel e até mesmo Blade, um meio-vampiro que andava de dia) ficaram cada vez mais populares e todos esses temas se misturaram para ter sua vez nos videogames (Castlevania, Legacy of Kain e Darkstalkers). Os vampiros, seus lacaios e algozes também apareceram nas animações japonesas (Vampire Hunter D, Hellsing, Vampire Princess Miyu e Blood: The Last Vampire) e obviamente não ficaram longe do RPG por muito tempo. Vampiro: a Máscara foi lançado em 1991 e desde então juntou uma legião de fãs pelo nosso país. O mais recente lançamento da Devir Livraria — Vampiro: O Réquiem — prova que esses monstros fazem sucesso até hoje entre nós RPGistas.

Independente dos vampiros serem os heróis ou vilões da historia, uma coisa é certa: o período de atividade destas criaturas é limitado — do anoitecer ao amanhecer. Por causa disso, eles têm tido poucas horas para aterrorizar os pobres mortais e as vítimas estão sempre confiantes na máxima “não se preocupe, quando a coisa apertar o sol nasce e todos se salvam!”.

Para inovar, Steve Niles, o roteirista da excelente história em quadrinhos 30 Dias de Noite resolveu colocar até mesmo a certeza do amanhecer em xeque, criando uma estória que combina esses populares sugadores de sangue com um evento meteorológico extraordinário que ocorre na pequena cidade de Barrow, ao norte do Alasca — uma vez por ano, o sol não dá as caras por lá durante longos trinta dias.

A trama tem início quando o período em que a cidade ficará um mês na mais profunda escuridão é iminente. Como de costume, boa parte da população migra para o sul fugindo das condições inóspitas que isolam a cidade no meio do rigoroso inverno, mas dessa vez um grupo de visitantes indesejados surge para tentar se aproveitar das trevas e transformar toda Barrow num grande banquete. Cabe ao xerife da cidade conduzir um grupo (cada vez menor) de sobreviventes através da dura tarefa de sobreviver até o próximo amanhecer, que só irá acontecer dentro de um mês!

Niles cria uma trama que brinca com os medos mais primordiais do ser humano — o escuro e o desconhecido. A narrativa é altamente perturbadora e esse enredo envolvente é temperado pela arte sinistra e sombria de Ben Templesmith, que usa e abusa da imperfeição gráfica para ressaltar a atmosfera de horror do roteiro e apresenta vampiros um pouco diferentes do padrão: nada de caninos proeminentes e sim uma longa (e tenebrosa!) fileira de dentes pontiagudos como os de um tubarão. A receita é simples, leia a revista com uma lanterna debaixo do cobertor antes de dormir e tenha pesadelos aterrorizantes!

A história em quadrinhos fez tanto sucesso que recentemente recebeu uma adaptação para o cinema. Dia 7 de dezembro estreou nos cinemas brasileiros a adaptação dos quadrinhos para a sétima arte.

A história do filme é fiel aos quadrinhos: durante um mês por ano a cidade de Barrow é tomada pela mais completa escuridão e assim que os últimos raios de sol mergulham no horizonte a cidade é atacada por um grupo de vampiros que promovem uma orgia de sangue e destruição.

No filme, o heróico Xerife Eben é interpretado por Josh Hartnett (de Falcão Negro em Perigo) e a bombeira Stella é incorporada por Melissa George (Horror em Amityville, a Lauren Reed da série de TV Alias). Entre os malvados existem muitos desconhecidos: Andrew Stehlin foi o icônico Arvin, Megan Franich foi a assustadora vampira Iris e Danny Houston liderou o clã de vampiros pela carnificina, como o aterrorizante e implacável Marlow.

Felizmente, o filme contou com Steve Niles como argumentista e com a Weta Workshop — a empresa que tomou conta dos figurinos de mega-produções como O Senhor dos Anéis e Crônicas de Nárnia — para recriar uma adaptação fiel da cidade de Barrow para ser atacada ferozmente pelos vampiros apavorantes criados no gibi.

O diretor David Slade e o produtor Sam Raimi (que ficou famoso aqui no Brasil com séries de TV como Xena e Jovem Hércules) conseguiram fazer um filme de vampiros para se assistir no cinema. A câmera sacode mais do que deveria, mas a trilha sonora impressiona e a fidelidade ao quadrinho salta aos olhos. As cenas são bem fortes e certamente não é um programa para quem não tem estômago (e a cena da pequena vampira que diziam ter sido censurada estava lá!).

30 Dias de Noite ainda vai dar muito pano pra manga aqui no d3system. Leiam o gibi, assistam o filme e aguardem as nossas novidades que vêm por aí.

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