Resenha: Livro de Coalizão Círculo da Anciã
Postado no dia 2 de setembro de 2008 por Vasco em Mundo das Trevas, Resenhas
Lançado em Agosto de 2006, com 224 páginas “Círculo da Anciã” foi o terceiro suplemento de coalizão lançado pela White-Wolf que segue o formato básico de seus antecessores.
Focado principalmente nas diversas formas como os círculos de acólitos idolatram a figura mítica da “Anciã”, seus capítulos são:
- Capítulo 1: A História da Coalizão;
- Capítulo 2: Não-vida na Coalizão;
- Capítulo 3: Coalizão na Dança Macabra;
- Capitulo 4: Facções e Linhagens;
- Capítulo 5: Regras e Sistemas;
- Apêndice: Aliados e Antagonistas;
Cultistas. Adoradores dos antigos deuses da escuridão. Amaldiçoados. Essas são as definições básicas dos membros que povoam as fileiras do Círculo da Anciã. Porém elas são suficientes para mostrar toda a diversidade e complexidade do que é ser um acólito?
A resposta é: não.
Ser um acólito é celebrar a maravilha da criação terrena e, com isso, imitar a criação divina. Os amaldiçoados são uma parte natural do mundo, assim como as árvores e as montanhas. A existência dos vampiros não se deve a um progenitor Cristão e nem a uma herança de sangue, mas sim à vontade de deuses esquecidos na escuridão do mundo, fortalecidos pela adoração de seus seguidores e aguardando o momento do retorno quando trevas e sangue reinarão mais uma vez no mundo.
Apesar de não possuírem um dogma central ou um arquétipo definido, uma coisa fica clara na forma quanto ao comportamento em geral de seus membros. Mais filósofos que pastores, a única coisa que realmente importa a todos eles é a criação e o poder que vem dela.
A história do Círculo da Anciã
Considerada a mais antiga das coalizões e tendo como base a adoração de deuses pagãos, é natural que uma história consistente não exista. Em grande parte, isso se deve à loucura e esquecimento que assola qualquer vampiro mais antigo e à diversidade de cultos espalhados pelo mundo das trevas, cada qual tendo sua visão diferente de como a lenda deve ser levada adiante.

Apesar do que foi dito acima, dois pontos são considerados conhecimento geral dos acólitos. Primeiro (e mais importante) é que o Círculo da Anciã apesar de reverenciar e retirar seu nome de uma figura feminina, acredita e idolatra também deuses masculinos. Criação é a real filosofia da coalizão não a destruição da figura masculina.
Segundo é a lenda que percorre todas as facções sobre a “Rainha Cega”. Supostamente a criadora do círculo, essa vampira reuniu diversos cultos vampíricos pagãos ao seu redor ensinando-lhes “Crúac” a magia de sangue que é o poder derivado dos deuses antigos, para em outro momento destruí-los indiscriminadamente sendo eles conhecedores de “Crúac” ou não. Alguns dizem que a Rainha era na verdade a própria Anciã, outros uma deusa mais antiga, que mesmo enlouquecida ou não foi a primeira a forjar laços duradouros entre os cultos, a magia de sangue que perdura até hoje.
Não-vida no Círculo da Anciã
De acordo com diversas lendas de diferentes cultos a existência dos vampiros é uma parte natural do mundo. Eles sempre existiram e continuarão a existir. Essas crenças reforçam o conceito de que devido a essa diversidade nada é considerado tabu pelos acólitos. Nada dever ser proibido e ignorado. Todo obstáculo é um desafio a ser conquistado e vencido, para que através da dor exista a iluminação.
Com base nisso, todas as ferramentas disponíveis devem ser utilizadas para vencer esses desafios, incluindo as disciplinas. Ao contrário dos membros de outras coalizões, os acólitos acreditam que os poderes de sangue são qualidades inerentes do vampiro, então porque não usá-las em vantagem própria? Um lobo por correr mais que um ser humano é considerado sobrenatural? Por possuir essa força maior, o lobo deve não usá-la?
Porém o Crúac não é visto dessa forma. Onde as disciplinas são algo natural e inerente do vampiro, a magia de sangue é algo somente reservado aos fiéis, aos crentes. Por derivarem dos deuses antigos esses rituais são usados em último caso e somente em ocasiões específicas. Uma vez que esses rituais permanecem fora do ciclo natural do mundo eles servem para desbalancear as coisas, que pode ser algo bom ou ruim dependendo do sentido buscado.
Vampiros existem para servir a deuses monstruosos. Esse entendimento e aceitação é algo natural aos acólitos. O abraço então é considerado algo extremamente sagrado, uma comunhão com os deuses, uma forma de por um momento ter um breve vislumbre do poder dos antigos. Em contra partida a Diablerie é considerada um crime, não um sacrifício. Uma forma de se enganar os deuses e roubar um poder que não é seu por direito.
Levando-se em consideração a forma de organização do círculo como um todo, cargos e responsabilidades são uma parte natural e importante em qualquer grupo de acólitos. São eles:
- Hierofante; líder espiritual e político
- Chorus; não iniciado, aprendiz
- Skald; guardião das tradições
- Valkyria; senhora da guerra
- Adhvaryu; mestre de sacrifícios
- Haruspex; oráculo
- Vala; sacerdote menor
- Rex Nemorensis; um ancião que guarda os conhecimentos proibidos
- Donzela; uma ignorante do bem ou do mal, uma vampira que refreia alguns instintos em prol de outros, como não caçar para aumentar o auto-controle; considerada conselheira e representante
- Tolo; arauto do caos, um questionador consciente de seu papel e limites
- Mulher Escarlate; a rebelde que se revolta contra os laços que a prendem como limites e obrigações
- Herói; aquele que tem o sangue dos deuses nas veias, para fazer o bem ou mal
- Mãe; aquela que cria
- Pai; aquele que educa e o leva a superar seus limites, aquele que impõe limites
- “Velha”; aquela que termina o caminho, aquela que fecha o ciclo
- Heremita; guardião dos segredos

Liberdade para buscar seus próprios objetivos. Apesar da estrutura que causa uma impressão de rigidez, todo o acólito é livre para buscar a iluminação da forma que lhe for melhor, seja ele um peregrino em buscando levar o conhecimento da anciã a outros domínios ou numa interiorização para receber visões dos deuses, seja ela pelos caminhos naturais (exaustão física, batalha, sexo, construção ou caça) ou não naturais (frenesi e torpor).
Circulo da Anciã e a dança macabra
Devido à diversidade de cultos que compõe o círculo da anciã, é comum pensar que a coalizão como um todo não tem quase nada em comum. Porém essa ligação existe. O Crúac, a magia de sangue que é a dádiva entregue pelos deuses aos seus adoradores é o que diferencia os acólitos dos outros ritualistas do mundo das trevas. A feitiçaria Tebana e os Anéis do Dragão são considerados imitações ridículas de Crúac — falhas e tolas adotadas pelas outras coalizões.
Somente os verdadeiros fiéis podem ter acesso aos dons dos deuses. Os chorus só recebem essa opção depois de inúmeros testes onde provem seu valor e, mesmo assim, esse é um caminho lento e doloroso. Somente aqueles que possuem a determinação e a fé conseguem sobreviver às provações que são impostas pelos membros mais velhos.

Os salões de poder também não são estranhos para os acólitos, apesar de seu modo de não-vida mais místico. Um sacrifício deve ser feito em prol dos objetivos da coalizão e os membros encaram essa dificuldade como um desafio — um passo na trilha para a iluminação — já que a dificuldade de conciliar suas obrigações sociais com as do círculo que se faz parte não é pequena.
A melhor forma de se emular o poder da anciã é através da tribulação e criação. O ritual chamado Crucible é a forma como os acólitos realizam a função de seus deuses. A maneira mais comum de realização desse ritual é encontrar um mortal é fazer com que ele passe pelo inferno, literalmente, para que ele possa aprender com a experiência.
Facções e linhagens
Formas diferentes de se adorar os deuses. As facções e linhagens são a prova da diversidade que compõe o círculo da anciã. São eles:
- Povo da Terra: caçadores nômades de humanos que reverenciam a mãe anciã durante suas caçadas;
- A Segunda Sescendente: acólitos que aceitam ser filhos do pecado vivendo em uma casa de trevas divinas onde a sabedoria é encontrada porém de onde eles não podem sair;
- A Anciã: membros que sonham em torpor com a “Velha” e recebem os segredos da sua presença aterradora;
- Discípulos do Silêncio: acólitos que reverenciam a imagem da criação e destruição ligada a anciã;
- Sipán: Grupo de bruxas que levam a guerra religiosa aos membros do Lancea Sanctum;
- Amanostukai: Acólitos Japoneses que reverenciam a deusa do sol;
- Filhas da Deusa: Cultuadores das várias faces da Deusa, tanto para membros quanto mortais;
- Semioticians: Membros que acreditam que o poder do círculo vem do “Crúac” e não da anciã;
- Bellsmeade: Família Carniçal que serve a um membro chamado Bartholomew Bellsmeade;
Linhagens:
- Asnân: Canibais que adoram uma versão reconstituída da Deusa;
- Carnon: Seguidos do Deus Chifrudo que reverenciam a tribulação e a criação;
- Filhas de Morrigan: Mercenários e conselheiros dos segmentos de poder pagão;
- Gorgons: Descendentes de antigos deuses e governantes que vem e voltam ao mundo na busca por poder;
- Mara: Adoradores da deusa do oceano;
Os capítulos de regras sobre o sistema e o apêndice indicam novas formas de entendimento sobre o Crúac, disciplinas exclusivas das facções e das linhagens, além de novas devoções e rituais. Os personagens prontos do círculo, sejam eles aliados ou antagonistas, são apresentados no formato já conhecido, com um breve prelúdio e uma planilha.
| respiro | |
Classificação do Vasco: |
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| Apresentação do produto: | 3 |
| Ambientação do conteúdo: | 3 |
| Mecânica das regras: | 5 |
| Arte e diagramação: | 8 |
| NOTA FINAL: | 4,75 |
| respiro | |
O que faltou pro 10?
Sem sombra de dúvida esse é o livro de menor qualidade da linha Vampiro o Réquiem. Apesar da arte e diagramação de alto nível se manter como em títulos anteriores, o conteúdo do livro é no mínimo inferior. Os autores não souberam decidir se queriam se focar em cultos vampíricos baseados em cultos pagãos ou em seitas com embasamento histórico. A maneira como o círculo é apresentado em vários pontos é confusa e sem sentido, tentando dar o ar de diversidade, mas acabando sendo cansativo ao extremo.
Em suma, esse é um livro extremamente dispensável — todas as informações fundamentais apresentadas nele já estão presentes no Vampiro o Réquiem. Como diz o Cobbi, essa é a minha primeira “gongada” na seção de resenhas dos livros de coalizão do Novo Mundo das Trevas. :-)











































3 Comentários
Fabio Moron
2 de setembro de 2008
Quer dizer, eles resumiram toda a embromação que fizeram n’A Máscara e criaram um livro em especial para os antigos fãs…
Mas temos linhagens o/
:-)
Mike
3 de setembro de 2008
Olá Vasco.
Achei um tanto ousada a sua “nota” por se tratar de um material publicado pela Devir, mesmo sabendo que a d3system é uma coisa e a editora é outra. Valeu mesmo para ver que há gente madura por ai e por uma análise bem feita ao invés de um “esse livro é uma m*%@#…” que a gente costuma ouvir de várias fontes.
Meus parabéns e não vejo a hora de ser realizada uma resenha para o novo D&D.
Ismael
4 de setembro de 2008
Nossa! A análise não dá a entender que a conclusão será um 4,75.
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