Resenha: Romance de Clã: Lasombra
Postado no dia 13 de março de 2008 por Equipe d3system em Mundo das Trevas, Resenhas
Escrito por Charles Phipps
Versão em Português por D3System
“Uma excelente visão introspectiva da mente da assassina mais letal dos Lasombra e do clã como um todo.”
Lucita de Aragorn é um símbolo de Vampiro: A Máscara desde sua apresentação como um personagem “arquetípico” em algum suplemento da Segunda Edição. Ela é uma assassina vampírica, nos moldes da personagem de La Femme Nikita, com tendências bissexuais e oitocentos anos de idade, e sempre foi um personagem um tanto controverso. Seus detratores afirmam que ela é simplesmente uma criação para fãs babões e uma espécie de “Lara Croft com Presas”, enquanto seus defensores usam poucos argumentos para afirmar que ela é muito mais valiosa do que o estereótipo apelativo de sexo e violência. Particularmente, eu sou um fã e acho que há algo fascinante na assassina Lasombra, e fiquei muito satisfeito com a narrativa que envolve Lucita nos Romances de Clã.
A narrativa começa no alto Conselho de Cardeais do Sabá, que está realizando um julgamento para decidir o destino de Lucita, obviamente sem a presença da mesma, pelo assassinato do Cardeal Ambrois Luis Monçada. O atentado será descrito no Romance de Clã: Assamita, e para aqueles que seguem a trama principal de Vampiro, saibam que essa morte destruirá um dos arquitetos essenciais dos planos do Sabá para conquistar o leste dos Estados Unidos. Sem surpresa nenhuma, os Cardeais chegam à conclusão de que Lucita deve morrer por esta afronta. A surpresa está no fato de que as ações de Lucita contra Monçada (que era seu Senhor) aparentemente levaram diversos vampiros mais jovens a encará-la como um modelo do que será um Sabá renovado e melhor. Viva la revolución!
Nesse meio tempo, Lucita não tem a menor consciência de que se tornou o equivalente a um invasor da Bastilha para os Sabás mais jovens e está imersa no equivalente morto-vivo de uma crise de meia idade. O livro não se concentra na capacidade de combate da vampira, mas analisa com intensidade sua situação e mentalidade pessoal. Em vez de apresentá-la como uma máquina mortífera, linda e irrefreável, ela é descrita como uma mulher que foi arremessada repentinamente no pós-vida e passou séculos nas sombras de um dos vilões mais monstruosos de Vampiro: A Mascara. Finalmente livre dessa sombra, ela começa a lutar para encontrar um significado para sua existência — ela deveria encontrar um objetivo para cumprir ou simplesmente se jogar diante do sol? É surpreendente a vulnerabilidade emocional da assassina, mas também são fabulosos os altos e baixos de sua existência, incluindo suas lembranças da Idade das Trevas, seus pesadelos e a descrição do “noite a noite” de um vampiro ancião. Uma das cenas mais profundas do romance a apresenta disfarçada como um Membro muito mais jovem e comparando suas duas existências.
O livro também serve como um guia de sobrevivência entre os Lasombra e mostra como a pós-vida mudou para quase todos os membros do clã desde a Idade das Trevas. Um convidado especial desse livro é Andrew, o protagonista do conto de abertura do Livro de Clã Lasombra 3ª Edição. No romance, descobrimos o que ele estava fazendo nos últimos dez anos desde seu Abraço.
Não se engane: os Lasombra ainda são os vampiros mais traiçoeiros, furtivos, eruditos e – acima de tudo – com mais estilo nos dias atuais, mas também obtemos algumas indicações no romance sobre a intensidade do esforço que eles fazem para sustentar esse tipo de vigor emocional. Definitivamente, uma informação essencial para aqueles que desejam descobrir porque (e como) os Lasombra são diferentes dos Ventrue e dos Tremere em suas existências.
Outro ponto forte deste livro: diferente do Romance de Clã: Tzimisce, ele apresenta o Sabá como um grupo de vampiros inteligentes e sofisticados, muito similar à Camarilla, mas com explosões ocasionais de monstruosidade que o separam facilmente desta última. Depois das embaraçosas reuniões da seita nos volumes anteriores, como a corte que aconteceu na Montanha das Cobras, esta é uma mudança revigorante. Acima de tudo, há uma sensação de maturidade no livro, mesmo com a “ausência” de sexo e violência desenfreada.
O texto de Bruce Baugh é altamente elogiável; ele, assim como Justin Achilli, que escreveu o Livro de Clã: Giovanni, conhece o cenário de Vampiro com intimidade, e possui o talento necessário com a pena para contextualizar um mundo inteiro com seus textos. Esse é um livro excelente, e não posso recomendá-lo com veemência o bastante para os fãs que admiram o cenário. Ele não é apenas um bom livro sobre Lucita ou os Lasombra; ele não é somente um bom livro sobre Vampiro: A Máscara. Ele é um bom livro — ponto final.




































