Séries: True Blood

Postado no dia 23 de outubro de 2009 por Vasco em Resenhas, Séries de TV

True Blood é uma série de drama americano criada e produzida por Alan Ball (de A Sete Palmos). A série é baseada nos livros The Southern Vampire Mysteries escritos por Charlaine Harris. A HBO americana juntamente com a produtora de Ball lançou o primeiro episódio da série em 7 de setembro de 2008.

A série conta sobre a coexistência entre vampiros e humanos na cidade fictícia de Bon Temps na Louisiana e tem como personagem principal Sookie Stackhouse (Anna Paquin), uma garçonete telepata que se apaixona pelo vampiro Bill Compton (Stephen Moyer).

Um Mundo das Trevas Diferente

Amigos não deixam amigos beberem amigos.

Com uma premissa simples, True Blood conseguiu atrair a minha atenção de uma forma que várias séries sobre criaturas sobrenaturais não conseguiram. Ao meu ver, o ponto alto da série é a forma como as histórias são contadas e as explicações que fazem sentido. Desde o próprio Tru Blood (a bebida sintética criada pelos japoneses que substitui o sangue humano e fez com que os vampiros saíssem das sombras), passando pelas histórias pessoais dos personagens (totalmente coerentes e sem o já batido conceito vampiro/ herói sombrio arrependido) e na estrutura que a sociedade como um todo teve que criar para acolher esses novos seres que brigam em uma escala governamental e local para continuarem existindo.

Mais um entre tantos?

Mas, mesmo com todos esses fatores, será que True Blood sobreviverá ao “boom” dos últimos anos que o gênero de vampiros vem sofrendo?

True Blood PosterSim, sobreviverá. Porque? Por utilizar uma formula simples com um plano de fundo rico, complexo e verossímil. Diferente de muitos filmes, livros e séries sobre o gênero que tivemos nos últimos 5 anos, True Blood mantém o charme sem ser apelativo (apesar das cenas com a Anna Paquim serem um colírio oitentista total, afinal quem viveu esses anos sabe do que eu estou falando) e faz com maestria o que ele se propõe.Contar uma boa história de vampiros lembrando que nesse contexto não existe branco ou preto, mas tons de cinza. Some a isso personagens carismáticos, doses fantásticas de humor negro, algumas pequenas discussões políticas inteligentes que se assemelham ao mundo em que vivemos e um respeito pelas lendas sobre os vampiros ocidentais (graças a deus eles não saem a luz do dia, afinal o único que eu aceito que faça isso é o Drácula, e mesmo assim tem que ser um dia nublado, mas não vamos entrar nesse mérito) e você certamente terá uma série de sucesso.

Obrigado a Alan Ball e Charlaine Harris por terem nos mostrado que mesmo com todas as histórias boas (e ruins) sobre vampiros já tendo sido contadas, a forma como você conta realmente faz a diferença.

True Blood

E ao J.J. Abrams porque como diz o pessoal na internet, “In Abrams we trust”.

Na próxima semana, curiosidades, comunidades e mais informações sobre True Blood.

Tags: , , , ,

6 Comentários

Natasha

23 de outubro de 2009

Respeito a sua opinião, mas sinto que posso deixar a minha. Pra mim, a pior série atual no ar.
O motivo principal é a apelação desnecessária com sexo. É extremamente vulgar. E não tinha porque. Como vc disse, tem um ótimo enredo, dentro da história de vampiros e tudo mais… Mas essa apelação, … bom… não precisava. Embora isso explique porque tanto “homem” que sempre achou histórias de vampiros extremamente idiotas, curtam e idolatrem tanto True Blood. É um half porn gratuito.

Vasco

23 de outubro de 2009

Respeito a sua opinião, mas sinto que posso deixar a minha. Pra mim, a pior série atual no ar.
O motivo principal é a apelação desnecessária com sexo. É extremamente vulgar. E não tinha porque. Como vc disse, tem um ótimo enredo, dentro da história de vampiros e tudo mais… Mas essa apelação, … bom… não precisava. Embora isso explique porque tanto “homem” que sempre achou histórias de vampiros extremamente idiotas, curtam e idolatrem tanto True Blood. É um half porn gratuito.

Olá Natasha. Bacana o seu comentário e sinta-se a vontade de deixar sempre os seus, afinal esse é um blog livre. Sobre o apelo sexual, realmente tem bastante (por isso o meu comentário oitentista sobre a Anna Pequim, afinal de contas quem de nós dessa época não lembramos dos filmes da Jamie Lee Curtis) e infelizmente o apelo nada mais é do que uma forma um pouco mais forte (não chamaria de gritante) de atrair o público. Veja um outro exemplo, os livros da Stephanie Meyer. Apesar de não conter nenhum apelo dito “sexual” ele é um grande sucesso de vendas, mas o apelo em si vem de outra forma, como por exemplo a exploração exacerbada do personagem do “Principe Encantado” (na figura do Edward). É uma forma de apelo forte levando em consideração nos últimos anos de tribos “emotivas” (aqui sem preconceito nenhum, por favor, é uma tribo como qualquer outra) teve um “boom” grande de seguidores nos últimos anos e a forma gritante como eles se portam. Não estou criticando os livros da Stephanie Meyer, mas é uma forma apelo forte como a sexualidade meio explicita de True Blood. Os dois tentam chamar o seu público cativo com o que eles acham mais pertinente e conseguem ser bem sucedidos nisso. Discussão bacana talvez pra um próximo post: Os vampiros e como nós vemos a sexualidade deles e a nossa…

Pensarei nisso.

Um abraço

Vasco

Duncan Salazar

23 de outubro de 2009

Ótima resenha, lá vamos para a 3a. temporada. Nem te conto que legendou a 2a para a HBO Brasil hehehe

Fabio "Sooner" Macedo

25 de outubro de 2009

O motivo principal é a apelação desnecessária com sexo. É extremamente vulgar. E não tinha porque.

Eu já acho que tinha sim, e não vejo nada de vulgar no sexo mostrado na série. O principal mote do enredo é fazer um paralelo entre a aceitação dos vampiros na sociedade com a aceitação do diferente no mundo real, principalmente em termos de comportamento sexual (mais sobre isso abaixo). Com isso, seria extremamente hipócrita se a própria série tivesse muitos pudores em relação ao sexo. E sorry, não há nada vulgar em sexo entre pessoas que se gostam (vulgar é o que o Lars von Trier mostra em Os Idiotas, ou a exploração da Megan Fox em Transformers).

Na primeira temporada, a metáfora é clara: vampirismo e homossexualismo. Na segunda, isso se expande para todo tipo de comportamento sexual e muita coisa não-sexual também, como liberdade e aceitação da fé, mesmo que ela gere fundamentalistas assassinos. Nessa temporada tivemos representações ficcionais de orgias e etc., mas tudo aconteceu por controle mental; foi um belo contraponto entre sexo como parte natural do amor, ainda que kinky (primeira temporada, entre Sookie e Bill) e o sexo usado como arma. E se este tipo de sexo não fosse mostrado, ele também perderia força de trama.

Enfim, esconder coisas geralmente só as torna mais atraentes, mesmo que elas sejam doentias, como sexo grupal não-consentido.

Com tudo isso, eu acho muito mais honesto fazer o que True Blood tem feito – mostrar sexo entre gente bonita na cara dura, sem medo de ser feliz e de ganhar audiência – do que explorar desejo sexual de forma velada e ainda por cima associando com a mentira do Príncipe Encantado, como o Vasco bem lembrou em relação a Crespúsculo.

(pior ainda que Edward de Príncipe Encantado não tenha nada, destratando Bella o tempo inteiro e se comportando o tempo inteiro como namorado abusivo, enquanto Bella acha bonito ficar na sombra da purpurina dele e se considerar “awkward” – mas isso é outra história).

Lord_Anderson

26 de outubro de 2009

Eu ainda espero ver uma adaptação de True Blood p/ RPG.

Sue

26 de outubro de 2009

Fiquei contentíssima pelo seu comentário, Vasco, em resposta ao da Natasha. Educação e boas palavras, eu não veria assim em outro lugar.
O comentário dela seria muito próximo com o que eu faria sobre a série.
Concordo que cada filme/série/mangá/hq/etc tem seu jeito de segurar/atrair um determinado tipo de público. Mas considero, sim, abusiva demais essa demonstração toda de sexo. Por mais que para algumas pessoas isso não encomode ou seja absolutamente comum, para outras pode ser exagerado. Quando você ve a série, logo de cara, parece que foi feita somente pra isso… tudo parece girar em torno do relacionamento físico, seja só entre vampiros ou entre eles e humanos.
É como se não tivesse outro propósito que não fosse esse, de tão explorado que é. E, poxa, a história tem tanto mais para ser trabalhado. Infelizmente, não faz parte das séries que eu vejo mais. Respeito, claro, quem vê. Existem públicos e públicos. E a série, não é pra mim, assim como pode não ser para outras pessoas.
Sobre Crepúsculo, eu curto a série, admiro do meu jeito e já fui até o final dela pra poder dizer que realmente valeu a pena (pra mim). E sim, você deve ter razão quanto ao apelo da autora. Mas, como já dito, cada um tem seu público. E quem curte Crepúsculo, dificilmente gostaria de algo mais “forte” como True Blood. É total questão de perfil. Não dá pra encher a boca e apenas criticar quem curte a saga pelo seu romance exagerado ou ficção além das antigas histórias de vampiros. Ou eu faria o mesmo com quem curte True Blood… ou as cenas de sexo que ele oferece.

Enfim…Nunca postei por aqui, embora conheça algumas pessoas do D3System. Curti a experiência. Alguns posts são realmente muito interessantes. Como esse. Quem sabe falam sobre mais séries (das que eu assista) e eu possa voltar mais vezes.

Deixe seu Comentário

Website ou blog (opcional)