Shadowrun Brasil PDF
Postado no dia 7 de novembro de 2008 por D3 em Aventuras, Downloads, Shadowrun
Como prometido, compilamos todo o material do cenário de Shadowrun nacional em um único arquivo PDF, magistralmente diagramado pelo Johnny Menezes.
O trabalho começou a gerar frutos e meus antigos parceiros de campanha, o Fábio Novaes e o Willian Ferraz, decidiram escrever as histórias de nossas mesas e partilhá-las com o público do D3System.
O material já publicado pode ser obtido aqui ou clicando na capa ao lado.
Novos Contos
As histórias que contaremos a seguir foram escritas a seis mãos — minhas, do Novaes e do William —, usando as aventuras que jogamos com esses personagens no meio da década de 1990. Essa é minha campanha mais antiga, e esses shadowrunners cumpriram muitas missões. O conto abaixo é um prólogo da narrativa inclusa no Shadowrun: Brasil, chamado Terra Morta, que revela como o iniciado somático Rad contraiu a doença mágica que o afligia.
0.Prólogo: Decisões Infelizes
Meu nome é Neko Tsumetai — ou pelo menos era assim que me chamavam nas ruas. Eu já tive uma pátria, um pai e um amigo, agora as únicas coisas que me restam são as lembranças.
Infelizmente, com o passar do tempo, a magia se esvai lentamente, cada feitiço se tornando mais arriscado que o outro; entretanto, a adrenalina e “O Gato” não me deixam esquecer quem eu fui e sou, e o poder que eu já manipulei. Sim, eu manipulei as linhas do maná — está é a “dica” suprema: enquanto outros se consideravam poderosos, eu só queria “manipular”, afinal este PODER não é meu, nem NUNCA será de ninguém.
Sempre que eu ia à casa de Peter Vasquez, um velho amigo, acontecia a mesma coisa.
Toc toc…
— Está aberta.
Como ele sabia que era eu sem fazer viagem astral ou magias, eu só descobri mais tarde. Ele tinha câmeras em todos os lugares que alguém pode imaginar. Sempre dizia que era um procedimento padrão, mas era uma tentativa de disfarçar sua paranóia por segurança.
— Que bom que você recebeu meu recado — ele começou.
— Você sabe que eu não costumo abrir pacotes Peter, mais como só você e o pobre entregador sabiam meu endereço, tive que usar um feitiço no coitado.
Peter abre seu sorriso seco, já sabendo onde provavelmente o entregador foi parar.— Pelo visto vou ter que arrumar outro cara para o próximo serviço, ninguém nunca volta – completou o tecnauta.
— Fala qual a confusão desta vez.
— Sabe como são as coisas na matriz, eu estava lá só olhando uns arquivos…
Pensei comigo: “só olhando”, como se eu não o conhecesse de verdade.—… de uma empresa, nada difícil de se fazer, quando a segurança foi acionada. Percebi que não tinha sido eu, havia mais alguém ali.
Ele continuava falando com seu jeito rápido de conversar, gesticulando com as mãos, como se eu fosse entender o complicado mundo da matriz. Só acenei com a cabeça, ele prosseguiu.
— Rapidamente levantei minhas defesas, já preparado para a primeira onda do sistema. Foi quando vi o outro tecnauta, ele era bom, o espelho dele deixou para trás uns dois programas de defesa, que tentavam incessantemente atacar a sua imagem falsa.
— Ele passou pelo primeiro grupo facilmente; pensando bem, talvez fosse uma armadilha dos GELOS, levando o infeliz para algo pior. Bom, você sabe que eu sempre espero o pior, certo? Bom, no fim, eu estava certo: o sistema estava abrindo falsas saídas e ele caiu direitinho. Dussel gans!
— Eu tinha que saber o motivo daquela luta toda, então me aproximei e comecei a “atacá-lo”. Claro que eu só queria copiar os arquivos sem que ele percebesse; ele não teria tempo de me “ver”, estava focado em suas defesas contra os gelos negros.
— Consegui copiar parte do que ele estava retirando do sistema. Era um arquivo da 3Mitsu.
— A corporação resultante da fusão da 3M e da Mitsubishi? — Perguntei.
— Essa mesma. Eu abandonei a matriz antes de ser percebido. Acho. Aqui está o que eu encontrei.
Ele abriu o arquivo na tela do seu neuroterminal Fuchi Cyber-4. Pensei: “eu já vi equipamentos melhores com outros tecnautas, mas nunca um piloto melhor do que Vasques para este modelo”. Comecei a ler tudo calmamente; tratava-se de informação confidencial sobre um tipo de armadura ou algo assim, um exoesqueleto. Não havia mais detalhes.
— Então, Peter, o que pretende fazer?
— Já fui aos Pubs da matriz, gastei uma merreca de nuyens, e consegui descobrir quem era o outro tecnauta. Marquei um encontro na rede e me contaram que ele só estava querendo se divertir, testando a defesa do lugar. Ele fez um trabalho bem amador, mas pelo menos sobreviveu.
Durante alguns segundos, os olhos biônicos do tecnauta se reajustaram, como se ele estivesse analisando outro lugar enquanto olhava para o teto.
— Comprei o silêncio dele por alguns dias, mas sabe como são estes “playboizinhos”: se mais alguém encontrá-lo, ele vai vender novamente a informação, com certeza.
Peter era um caucasiano com seus 29 anos, que odiava este tipo de gente. Eu nunca o questionei sobre seu passado, mas ele já deve ter sido um assalariado de algum escritório, o que para ele seria uma prisão em vida.
— Eu deixei um recado em uma rede de amizades, uma informação que somente seria procurada por alguém realmente interessado no assunto. Recebi uma resposta anteontem.
Ele me passou um pequeno cartão de dados. Observei o pedaço de plástico durante um tempo, sem muita certeza do que Peter queria. Então, ele meneou a cabeça, pegou o disco novamente e inseriu no próprio terminal e virou a pequena tela na minha direção.
— Você podia comprar um terminal de leitura, seu mago mequetrefe. Parece que vive no século passado! Bom, eu me encontrei com o Sr. Jonhson e negociei uma incursão na 3Mitsu por 150.000¥.
— A divisão vai ser a de sempre, Peter?
— Claro! 50.000¥ cada e precisamos de mais duas pessoas, pelo menos.
Depois destas palavras, notei quem seria responsável por encontrar as “duas pessoas”. Naquela mesma noite, fui a um de meus clubes preferidos, um local em uma das áreas ainda controladas do Centro Expandido de São Paulo.
O segurança do local parecia um muro de detenção de tão grande. Paguei a taxa habitual para não pegar aquela maldita fila.
Caminhei na direção da mesa que eu reservei, localizada numa câmara de vidro à prova de som. O barulho antes de chegar à pequena sala transparente era tremendo, mas era assim que deveria ser: sons aleatórios dificultam a vida de qualquer bisbilhoteiro que estiver nos arredores.
Alice, minha informante, sabendo das minhas necessidades, estava sentada a mesa com mais duas pessoas; estava me esperando na sala há exatos 4 minutos.
Um deles, chamado Rad, era um humano moreno, de mais ou menos 1,70 m, careca, e sem nenhuma modificação cibernética aparente.O outro, conhecido como MC (Morte Certa… eu não sei se é a dele por carregar uma bomba córtex ou a de seus inimigos), era um elfo de 1,80 m, cabelos claros até os ombros, corpo malhado, muito diferente do habitual da raça. Eu quase posso afirmar que a magia tinha modelado aqueles dois.
Ambos trajavam sobretudos bastante desgastados. Nós já havíamos trabalhado juntos em outras ocasiões, numa missão em Seattle, logo que voltei do Japão.
MC me cumprimentou com a sutileza de um bárbaro bêbado.– Fala, japonês! — como se eu já não tivesse sido apresentado a ele. Pelo meu nome de rua, claro.
– Boa noite, Neko — a voz inconfundível de Rad ecoou na sala.
Cumprimentei Alice, que hoje só poderia me atender nesta questão, e paguei a taxa pelos serviços prestados.
— Boa noite! Espero que estejam livres pelo menos durante esta semana — os dois concordaram com um aceno de cabeça e eu continuei falando — Nosso conhecido em comum nos arrumou um trabalho (“será que se você falasse problema eles aceitariam? O totem Gato provoca em meus pensamentos”). Os detalhes serão revelados a caminho do local. Se vocês aceitarem o serviços, claro.
— Qual o valor? — pergunta MC, calmo como sempre.
— Acha que vamos precisar levar armamento pesado? — completa Rad.
— Crédito de 25.000¥ para cada um e os custos da incursão são nossos. Armamento médio será suficiente. Como já perguntaram alguns detalhes, suponho que estejam contratados. Estaremos perto da Velha Igreja de São Judas, amanhã as 22:00. Sejam discretos.
Continua na próxima semana.




































5 Comentários
Bruno Peres
7 de novembro de 2008
Eu ja tinha parabenizado o D3 pelo material, fica aqui um parabens pro Johnny – mandou bem demais!!
Abracos e daqui a pouco vao ter que me aguentar de novo
Mestre Emilson
8 de novembro de 2008
Olá D3, aqui é nois do rpgsemcompromisso. Vim aqui primeiro por que eu já vejo esse blog há muito tempo. Segundo para agradecer pelos parabéens e pela dica (já estou diversificando). Valeu mesmo…
Por último, gostaria de perguntar se existe alguma possibilidade, algum comentário ou fofoca, de que a 4ª Edição do Shadowrun possa ser traduzido para o português-br algum dia?
Por enquanto é isso. Acredito que vc já esteja cansado de ouvir elogios sobre esse blog, mas lá vai mais um: parabéns!
PS: Bater o d3system, tá bem loge e muito dificil, mas mesmo assim valeu pela força.
Fábio
11 de novembro de 2008
Vcs deviam atualizar esse trabalho para a 4ªed e entrar em contato com a editora, quem sabe vcs não conseguem publicar um suplemento oficial.
Gilson • RPG • educação
31 de maio de 2009
Uma “Cuba Shadowrun” real:
http://www.desdecuba.com/generaciony/?p=1220
http://www.desdecuba.com/generaciony/?p=1206
Gilson
Cleber Fernandes
2 de junho de 2009
Ótimo!
Também possuo um cenário de RPG futurístico, e estou à procura de interessados.
Alguém aí se convida?
Quem estiver a fim que visite meu blog.
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