Traduzido é muito caro!
Postado no dia 22 de outubro de 2009 por Jaime Daniel em Artigos
Passeando rapidamente pelo orkut, encontrei um sujeito numa das comunidades dizendo que não se importava se Call of Cthulhu fosse traduzido ou não, pois “a versão da Devir sempre era mais cara que a original”.
Caramba, mas é óbvio que TEM que ser mais caro!!!
Não são poucos aqueles que acham espantoso o fato de qualquer livro traduzido ser mais caro do que a versão em seu idioma original.
— É o mesmo livro, com as mesmas ilustrações, e ainda tem uma qualidade de papel inferior. Como pode ser tão mais caro se livro não paga imposto?
Explico. Vejamos alguns exemplos:
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| D&D Livro do Jogador: US$34,95 X R$79,90 |
Vampiro o Réquiem : US$34,99 X R$84,50 |
Reinos de Ferro: US$39,99 X R$89,90 |
É claro que é possível encontrar exemplares mais baratos em promoção, mas o preço básico de cada um é esse. A cotação do dólar segundo o Google hoje é 1 dólar =1,7250 reais, ou seja, uma sensível diferença. Então, aonde esta o “catch”?
Bem, começa por um pequeno detalhe que muitos esquecem, que é a tiragem. Quanto mais exemplares a gráfica imprime, mais barato será o preço por unidade. Por tradição e conveniência, nenhuma editora, independente do ramo de publicações, diz abertamente qual a tiragem de seus livros, mas podemos supor que dificilmente qualquer título passe de três mil exemplares no caso de livros básicos de RPG. E duvido sinceramente que qualquer suplemento chegue a esse número.
Bem, as editoras americanas também não costumam divulgar abertamente seus números, mas é difícil acreditar que, exportando para o mundo todo, as tiragens não sejam bem mais vultosas que nossas edições em português.
Na época do lançamento da 4ª edição de Dungeons & Dragons, a Amazon comprou um número realmente grande (comenta-se que o número seria na casa de cem mil exemplares de cada livro ou mais!) de cada um dos livros básicos, para conseguir vendê-los a preços muito baratos. Supondo então que o custo seja o mesmo, é meio lógico que haverá uma diferença nos valores de uma publicação com três mil exemplares de outra com tiragem de dez mil.
Alguns poderiam sugerir que então aumentassem as tiragens para baratear os livros, mas com o mercado atual isso seria arriscado. Há um prazo ideal de alguns meses em que a tiragem tem que se pagar, ou seja, as vendas tem que ser suficientes para pagar os custos da publicação. Se isso não acontece nesses X meses, pode causar sérias dificuldades para a editora, que não é capaz de simplesmente mandar imprimir dez mil exemplares e esperar dois anos para que a tiragem se pague.
O motivo principal é que geralmente os custos de impressão são pagos em quatro ou cinco parcelas, então para a editora não perder dinheiro o ideal é que essa despesa se pague nos primeiros meses de venda da obra.
Outra verdade cruel é que o parque gráfico americano é muito superior ao brasileiro, e alguns livros de RPG tem tantas nuances e particularidades que fica muito difícil encontrar uma gráfica que atenda todas as necessidades de algumas publicações. Os Ritos do Dragão, da Devir Livraria, teve sua publicação ameaçada devido a dificuldade em conseguirem uma impressão que se equiparasse ao original.
Mas por que não se entra em acordo com os gringos para publicar versões mais adequadas ao mercado brasileiro, como fez a Jambô com “Mutantes & Malfeitores“?
Bem, obviamente os únicos que conhecem os detalhes dessa negociação são os representantes da Jambô e da Green Ronin (corrigido pelo Nume Finório). Mas editoras como a Wizards of the Coast e White Wolf (e, surpreendentemente, algumas indies também!) são muito rigorosas em seus contratos, exigindo uma qualidade e condições idênticas aos originais, pelo menos nas publicações mais importantes. E poucos sabem as dificuldades para a confecção das capas duras, como reserva de verniz, papel laminado, hot stamp, etc.
E além dos gastos normais com qualquer livro, ainda há os gastos com tradução e a pérola do bolo: o pagamento para a dona dos direitos, assim como os direitos adquiridos de cada obra ou linha (sempre na casa de alguns milhares de reais) e os royalties devidos pela marca.
Então vejamos, para meu livro Feitiços & Faniquitos dar certo, eu tenho que arrecadar com ele o suficiente para pagar as custas de tradução, produção, impressão, distribuição, direitos, royalties… e ainda ter algum lucro! E nem falei de publicidade e divulgação, outro tema sempre discutido na comunidade de jogadores.
Ou seja, não dá realmente para os livros traduzidos serem da mesma qualidade (ou próxima) dos importados e terem o mesmo preço. É só fazer uma pesquisa e analisar os resultados.
Então, ou você se acostuma com a idéia de os livros traduzidos serem mais caros, ou considere a possibilidade de melhorar seu inglês.
Jaime Daniel, cujo professor de inglês se chama Vampire: The Masquerade






































42 Comentários
Nume
22 de outubro de 2009
Opa,
“Bem, obviamente os únicos que conhecem os detalhes dessa negociação são os representantes da Jambô e da Privateer Press.”
Cê quis dizer Jambô e Green Ronin, né? A PP é tão rigorosa quanto a Wizards e a WW sobre manter o formato original dos seus livros.
Vizir
22 de outubro de 2009
Bom, eu gosto da qualidade foda dos livros publicados pela Devir (embora os americanos sejam melhores) mas concordo que os livros não tem um preço justo não sei dizer se é por culpa do Dolar mas uma coisa é fato os livros estão muito caro. A Jambo teve uma grande jogada mas se você for contabilizar os gastos deles os 40 reais no M&M acaba não valendo tanto a pena. Na minha opinião os livros deveriam eram vender por demanda e não pelo preço. Se os livros tivessem um preço pagavel eu tenho certeza que todos os rpgistas teriam os livros ao invez de simplesmente baixar/imprimir os pdfs da internet.
Gilvan Gouvea
22 de outubro de 2009
Uma explicação lógica, que faz todo o sentido…
Mas, só pra corrigir, o Mutantes & Malfeitores é da Green Ronin, não da Privateer Press (essa é dona do Reinos de Ferro).
Abs!
Vitor Hugo
22 de outubro de 2009
Só uma correção: o Mutantes & Malfeitores é da Green Ronin, não da Privateer Press. No mais, muito bom o texto.
Álvaro Guedes
22 de outubro de 2009
Oportuno, bem opurtuno o texto…muitos deveriam lê-lo antes de destratar profissionais ou reclamar ao vento…
Fagner Lima
22 de outubro de 2009
Ótima explicação Jaime.
Para pagar todo esses custos de produção (equipe/roaylties/impressão/estoque/divulgação) e dar lucro, o livro tem que custar pelo menos 6x o valor de gráfica dele.
E um livro como Vampiro: O Réquiem deve custar pelo menos uns R$ 15 por livro numa tiragem de 3mil exemplares. Levando em conta os descontos para distribuidores (20% a 50%) a Devir deve lucrar uns 10%, 15% por livro. O que não é muita coisa.
Eu pelo menos não investiria num ramo desse
Braços!
Elda King
22 de outubro de 2009
Faz todo o sentido o traduzido “ser mais caro”: você está pagando não só pelo trabalho de fazer a versão original, mas pelo trabalho extra de fazer a versão traduzida.
Mas, mesmo assim, comprar livros importados em lojas acaba mais caro que os livros em português…
MCJ
22 de outubro de 2009
…É, livro no Brasil costuma ser caro mesmo, não só de RPG…infelizmente…
Ótimo post Jaime, bom te “ver” por aqui também !
Fabio "Sooner" Macedo
22 de outubro de 2009
Valeu por reforçar esse fato ao qual muito pouca gente se atenta, Jaime!
(Aliás, Vizir, parece que você não leu a matéria: viajou, viajou, mas não prestou atenção. A matéria mostra que tem muito mais em jogo do que o dólar, os PDFs ou whatever).
Por curiosidade, há alguns anos circulou no fórum da White Wolf um número médio da tiragem das livros deles. Não era oficial, claro, mas o usuário alegou que ouviu de um funcionário da editora, e ninguém da WW desmentiu.
Tendo em mente que se trata de um boato, ainda assim o número bate com o seu raciocínio, Jaime. O que foi dito era que os suplementos geralmente saem em tiragem de 10 mil exemplares, e que os livros básicos podem chegar a 20 mil (e muita gente desconfiou que isso fosse apenas a tiragem-base – não é difícil acreditar que Vampiro venda muito mais).
Para efeito de comparação, tanto o livro básico de Mundo das Trevas quanto Réquiem estão em suas terceiras edições, cinco anos após o lançamento. Se o número do boato for correto, foram vendidos pelo menos 20 mil cópias de cada um, talvez 40 mil ou mais.
Não dá pra comparar; no Brasil, 40 mil cópias de um romance pode não levá-lo ao top 20 da Veja, mas com certeza chega perto e garante o contrato do escritor.
…
Isso posto, o público RPGista no Brasil tem que se tocar de duas coisas:
1. A comparação real do preço do livro básico de RPG não é com os originais americanos/europeus, e sim com livros de qualidade gráfica semelhante lançados no Brasil.
Vampiro: o Réquiem, por exemplo, tem requintes de produção – mencionadas pelo Jaime – que só livros de arte e fotografia recebem no mercado editorial brasileiro. Da próxima vez que forem em uma livraria, verifiquem a seção de artes e vejam o quanto custa um livro de arte/fotografia totalmente colorido, com papel brilhante e mais ou menos o mesmo número de páginas de Réquiem. Vocês vão perceber que Réquiem pode ser caro pro público em geral, mas é barato se comparado com livros de mesma qualidade gráfica.
2. A ordem dos fatores aqui altera sim o produto: é preciso primeiro comprar os livros para as tiragens aumentarem e os preços baratearam, e não o contrário.
O pensamento do Vizir aí nos comentários ilustra bem como o RPGista brasileiro dá um tiro no próprio pé. Gente, vocês trabalhariam de graça ou por um valor que não pague a condução/gasolina e o almoço? Não, né? Portanto, não faz o menor sentido imaginar que as editoras vão gastar grana em tiragens maiores para baratear o preço e depois ver se vende mais e acaba compensando. Não é assim que funciona – nem mesmo na maior parte do grande mercado editorial, que dirá em um mercado de nicho do nicho como o de RPG.
As tiragens se ajustam às vendas passadas, não tem jeito. Enquanto uma editora não ver as tiragens dos livros de um determinado jogo se esgotarem rápido, ela não vai aumentar a tiragem dos lançamentos posteriores, e o preço não vai cair. É simples assim. Baixou o livro e gostou? COMPRE-O, nem que seja usado! Não tem dinheiro? JOGUE-O, divulgue-o para outros que possam gostar e comprá-lo. (note que ninguém está sugerindo que comprem o que não gostaram, até porque isso manda um sinal errado pras editoras do tem futuro ou não, e sim que se compre o que você GOSTOU).
Não adianta dar voltas, achar N razões externas pro preço ser alto e depois não fazer o básico como consumidor. Enquanto o jogador brasileiro não compreender que sem demanda o mercado não cresce, não adianta chorar. E quem faz a demanda não é a editora, e sim o consumidor.
Estraga festa
22 de outubro de 2009
Nem vale a pena sair o Cthulhu, já que em 2010 irá ser lançada a 7th edição nos EUA.
Como sempre a tradução ficará no papo.
cochise
22 de outubro de 2009
O que eu gostaria mesmo é uma coisa que dificilmente vai acontecer é que o mercado editorial inteiro tentasse diminuir a sua cadeia de distribuição.
Os livros saem da gráfica e vão para a editora, de onde vão para livreiros que contratam distribuidores e só então chegam a livrarias.
pelo menos o livreiro já é uma etapa desnecessária numa sociedade informatizada.
Pode paracer incentivo à concorrencia desleal, mas eu gostaria que as editoras tivessem lojas virtuais onde vendessem a preço de atacado.
Mesmo que seja só uma porcentagm da tiragem (20% por exemplo)
E não estou falando apenas de RPG.
KoutzUra
23 de outubro de 2009
Pois é, Jaime… Muita gente não imagina nada disso, acha que é só pegar o livro e imprimir em português. =(
Meu inglês quebra o galho pra conversações normais (via internet, pois falar não falo nada!) e pesquisas, mas pra ler um livro de RPG em inglíshi vou ter que voltar a fazer curso… XD
Paulo Buono
23 de outubro de 2009
Faltou colocar na equação o dinheiro gasto com os autores, ficou parecendo que é mais caro traduzir do que escrever.
De qualquer modo, o brasileiro está esperando que um livro como o Requiem custe vintão! Porque quem pode pagar 60, deve poder pagar 80. Com certeza, é um bom investimento.
Guilherme Moraes
23 de outubro de 2009
Excelente artigo. Nós na RetroPunk já estávamos pensando no problema ‘tiragem vs valor” e a vantagem da venda em pdf com certeza contribui para ‘diminuir” o valor final do produto, justamente por que não tem o custo da impressão em gráfica.
Um amigo fez um consulta rápida sobre o Savage Worlds Explorers Edition em uma gráfica. Uma tiragem de 5 mil exemplares (se não me engano) sairia por cerca de R$ 20 mil (isso não são valores finais, ok?). A grosso modo, cada livro sairia por cerca de R$ 40,00 sem considerar demais custos, como tradução, editoração, publicidade, etc…
A vantagem do pdf é que o custo, muitas vezes, é um pouco menor, mas, infelizmente, a cultura do jogadores de rpg brasileiros é sempre em prol da aquisição do livro físico, quando isso mudar, talvez, possa aparecer no mercado mais produtos com valores mais acessíveis ao público…
valberto
23 de outubro de 2009
Adorei o artigo. Bem sóbrio e lógico. Direto em suas colocações.
salvaterra
23 de outubro de 2009
Argumentos e Fatos. Muito bom o artigo. E o Sooner somando muito bem, como sempre.
Divulguei esse post num tópico de orkut, justamente onde há “mimimis” sobre o custo dos livros traduzidos e importados, mas creio que a verdade não chegará a quem não quer conhecê-la.
Já estou convencido que muitas pessoas se sentem confortáveis com a bandeira da inconformidade, fazendo-a tremular mesmo sobre o mastro do engano. A verdade é angulosa e de gravata apertada. Preferem imaginar que há conspirações malignas manipulando lançamentos e preços de livros de RPG, porque a indignação é ironicamente um sentimento muito mais prazeroso do que saber que não há vilões aos quais odiar, se não o próprio desconhecimento.
Recentemente comprei alguns livros importados por saber que vão demorar muito a sair, e mesmo ansioso pelo Mago: O Despertar, resolvi esperar que saia a impressão traduzida do mesmo.
Infelizmente o ritmo de lançamentos da Devir para o Novo Mundo das Trevas é muito lento pra mim, mesmo tendo me iniciado há bem pouco tempo no novo cenário. Porém, ciente da impacto que há sobre as mesas do país pela falta de traduções, não pretendo comprar importados que sei que serão traduzidos em breve.
E que venha o Cthulhu!
Jaime Daniel
23 de outubro de 2009
Saudações a todos!
Então… fiquei mexendo nos kits de Sem Trégua e fiz confusão nos nomes… obrigado Nume, Vizir, Gilvan e Vitor Hugo.
Agradeço aos elogios e por terem gastado seu tempo em colocar seus comentários.
Cochise, ontem termieni uma série de artigos a serem publicados aqui que falam sobre livrarias, lojas de RPG e a venda de livros no Brasil.
Se realmente fosse como você acha, as grandes editoras já não teriam pensado nisso? Ainda é muito importante o alcance que as grandes livrarias tem, que é muito superior a divulgação que qualquer editora possa fazer.
Nem a Wizards ou a Bloomsbury desprezam as livrarias, então deve haver um motivo… mas eu estou me adiantando, leiam meus próximos artigos!!!
Meu objetivo é tratar de forma clara e direta certos assuntos que nunca ficam muito esclarecidos… e que continue a discussão.
Abraços e obrigado a todos!
Fabio Moron
23 de outubro de 2009
Ótimo artigo… Quem sabe as pessoas param de reclamar do alto custo… Eu adoraria que a WW liberasse impressão mais simples…
Luiz
23 de outubro de 2009
Estraga festa (sugestivo, hã), eu não acho que isso fosse ser de alguma forma um entrave.
Houveram poucas mudanças nas diferentes edições do CoC, nada que fosse descartar as anteriores. Pelo menos no sentido da mudança entre as edições do D&D, por exemplo.
A não ser que isso esteja pra mudar agora, publicar a sexta edição enquanto lá sai a décima oitava, não vai ser perda de maneira nenhuma, pelo menos não para os jogadores que curtem o jogo.
Arquimago
23 de outubro de 2009
Muito bom o artigo!
Eu me lamento pelos preços altos, mas os pago porque sabia já de alguns desses fatores, e também porque meu inglês devia ser melhor, mas nosso amado portugês me parece tão mais bonito!
Sua argumentação foi perfeita! O Fabio Sooner soner completando então, deixou todo o contexteo ainda melhor!
salvaterra pelo que entendi você domina o inglês(difernete de mim), mas penso como você é preciso mais livros traduzidos (originais, e não pirataria) nos grupos do país para melhorar o mercado.
Puppet
23 de outubro de 2009
Exatamente….
O preço dos livros de RPG são bastante razoáveis, o pessoal não sabe comparar.
Mas também não dá para dizer que o preço os torna disponíveis para todos.
cochise
23 de outubro de 2009
jaime…
o mercado editorial é o mais tradicionalista que existe (talvez o de tambores artesanais de congado seja mais) por um fator muito simples. O público é conservador.
Sei que as livrarias são importantes porque conheço várias pessoas que preferem encomendar na livraria, demorar um mês para receber o livro e pagar mais caro que se comprasse na internet para receber em uma semana.
A eliminação de internediários só vai acontecer quando entrarmos de vez na era do livro digital. O que só vai acontecer quando tivermos netbooks/tablets difundidos e populares, porque não consigo ver futuro em kindles…
jaimedanielleandro
23 de outubro de 2009
Salve!
Cochise, na minha humilde opinião de semi-analfabeto digital, essa situação só vai mudar quando houver a total inclusão digital da sociedade, coisa que ainda vai demorar pra acontecer…
Aí eu fecho a loxinha!
abçs
Luciopim
23 de outubro de 2009
Muito bom o artigo, trabalho no mercado editorial há muito tempo e acho os preços dos livros de RPG no Brasil relativamente bem baixos para a qualidade gráfica (livros capa dura, coloridos e em papel couchê).
Não acho que a comparação deve ser feita com os livros de arte, já que quase todos os livros de arte no Brasil são patrocinados, mas com outros livros “comuns” na mesma faixa de preço.
É só entrar em qualquer livraria e você vai encontrar vários livros com acabamento bem simples (brochura e preto e branco) na faixa dos 80 reais.
Livro é caro no Brasil. Mas isso não é devido a uma conspiração ou ganância dos editores de RPG.
Ricardo D Matheus
23 de outubro de 2009
Oi Jaime
O exposto acima não te faz se perguntar se vale a pena, no fim das contas, traduzir RPG para o português?
Uma vez tive uma discussão com uns alunos meus (de Física) e que estavam entrando no RPG e no fim me peguei dizendo: “Escuta amigo, se você não for capaz de PELO MENOS ler inglês, o menor dos seus problemas vai ser não jogar RPG. Eu estaria mais preocupado com o desemprego.” – e isso só tende a piorar com a “Internetização” do mundo.
No fim, sai tão caro traduzir que todo mundo já sabe que, mesmo que saia o livro básico em português, ele vai sempre depender do inglês para todos aqueles lindíssimos suplementos. Me parece que o mercado de RPGs traduzidos não se sustenta.
Fico aqui me perguntando como seria se este trabalho estivesse sendo usado para produzir RPGs nacionais (que para começar podem se livrar dos custos de direitos) e mesmo estes, se fosse eu escrevendo, SAIRIAM EM INGLES. Assim você pode entrar no verdadeiro mercado, aquele global.
PS: meu professor de inglês foi o D&D Rules CYclopedia, o que por sinal relato com detalhes no meu blog
Leonardo
23 de outubro de 2009
Realmente muito bom o artigo! Espero que o pessoal pare para pensar e resolvar comprar os livros que mais gosta! Afinal é o minimo que um jogador pode fazer se quiser que sai mais material da fonte!
Túlio d Bard
25 de outubro de 2009
O problema é que tudo que o pessoal faz é reclamar, quando a “culpa” dos preços altos é dos próprios jogadores que acabam não comprando os produtos e, devido à pequena tiragem, fazem com que os preços se elevem. É claro que os custos são maiores e, consequentemente, os preços também, mas essa diferença poderia ser reduzida se os RPGistas colaborassem.
Não adquirir produtos ilegais é básico para que algo melhore, mas acho interessante também, ao contrário do que muitos aqui disseram, evitar comprar material importado. Esperar pelo livro traduzido pode ser chato, mas com o tempo, se todos fizerem isso, a tendência é aumentar a importância do mercado de materiais de RPG e reduzir os custos e tempo de espera pela tradução.
Fabio Sooner
25 de outubro de 2009
Eu achava algo parecido: que o aparelho ainda precisaria melhorar em algumas coisas, antes de representar uma reviravolta no consumo de livro eletrônico.
Até que eu li a matéria da Época sobre o Kindle e descobri que:
- O Kindle já vendeu mais do que o iPod no mundo. (sim, você leu direito)
- Hoje, quase 40% dos livros vendidos pela Amazon saem em formato Kindle
- A proporção média de venda de qualquer livro na Amazon tem sido 30% ou mais em formato Kindle, o resto em formato físico
- O último romance do Dan Brown já quebrou a barreira e vendeu mais em formato Kindle do que em papel na Amazon [*]
Ou seja, acho que o Kindle nos *parece* algo que ainda não “pegou” porque até então ele não tinha chegado aqui, e porque ainda não vimos notícias sobre ele aqui (normal, o aparelho tem só dois anos de existência).
No final do ano vou comprar um pra mim, agora que há uma versão internacional com 3G, e aí eu dou o veredicto pessoal…
[*] O que na verdade também tem muito a ver com a política da Amazon de não apostar muito na venda de best-sellers que podem ser facilmente encontrados em livrarias físicas, mas ainda assim é um dado impressionante.
Fabio Sooner
25 de outubro de 2009
Ah sim, claro. É uma outra abordagem, mas acredito que a essência seja a mesma: seja usando qualidade gráfica, seja usando preço como fator de comparação com outros livros lançados no Brasil, fica claro que os livros de RPG no Brasil poderiam muito bem custar ainda mais. Que eles custem o que custam é um milagre.
Gilson • RPG • Educação
25 de outubro de 2009
“Pode paracer incentivo à concorrencia desleal, mas eu gostaria que as editoras tivessem lojas virtuais onde vendessem a preço de atacado.”
Isso é uma briga dos últimos anos com vários segmentos de vários mercados com a potencialização da internet. As editoras não fazem isso com maior intensidade porque prejudicariam seus maiores parceiros – e compradores – as livrarias.
Há uma lei (ou regra, não sei) que fixa os tetos dos valores dos livros no Brasil, assim as editoras não podem vender mais barato que seu parceiros, as livrarias. O que acontece são as promoções e concorrências de pequenas diferenças de valor, assim o consumidor final decide de quem comprará.
Se eu tiver escrito besteira, me corrijam por favor. Seriam interessantem as opiniões de uma editora e uma livraria.
Gilson
Jaime Daniel
26 de outubro de 2009
Somente uma observação!
Em nenhum minuto eu afirmo ou insinuo que a culpa dos preços é do jogador. Apenas constato que um número menor em vendas resulta em um número menor de livros e, portanto, em tiragens menores.
De quem é a culpa? Isso é uma outra discussão…
Depois eu respondo outros comentários, pois a loxinha chama!
abçs
Túlio d Bard
27 de outubro de 2009
Bom, fatores como impressão, divulgação, roaylties e outros citados no artigo e/ou comentários existem de uma forma ou de outra, o que muda é o número de consumidores e o lucro. Por isso falei “culpa” (com aspas). Ninguém deveria se envergonhar de comprar seus importados, mas se quisermos que algo mude, que sejamos nós a fazê-lo ao invés de esperar que as editoras reduzam seu lucro (e com elas os escritores, tradutores, diagramadores,…) que, na minha opinião, já nem é dos maiores.
Li-San~~ =]
27 de outubro de 2009
Nada contra materiais traduzidos… Sou mais pegar um livro na raça em ingles e aprender além do sistema o inglês que esperar tradução e pagar 2902902309x mais caro! #prontofalei.
Silvio
28 de outubro de 2009
Discordo em parte do que o Jaime escreveu.
Não é óbvio e não TEM que ser mais caro. Existe uma série de nuances que vnao desde a negociação, organização na compra de materia prima (o livro não tem imposto, mas o resto que gira em torno dele tem). Contrato dos profissionais envolvidos, produção, acabamento, distribuição, etc.
Por isso discordo que TEM QUE ser mais caro. Ele é mais caro mas poderia não sê-lo. POderia ter um preço equivalente. Poderia ser 10% mais barato ou caro. Como também podeira ser 50% mais caro e ai o negócio iria pro vinagre.
Trabalhei com perodução de livros, de cds e de jogos. Muita coisa é cara sim no Brasil. Mas nosso parque gráfico é de primeira. Temos empresas gráficas que fazem um trabalho exemplar. Temos fornecedores de papel de primeira. Temos tudo para produzir um livro igual ao norte-americano.
Se ele é caro é porque em algum momento a pre produção ou a produção do mesmo encareceu mas por conta de uma estratgia adotada ou de uma outra serie de fatores que não a produção em si.
Pode-se trabalhar com margens de lucros menores, equipes enxutas, trabalho rapido e preciso. Assim voce tem livros bons e com preço justo ( nem barato nem caro. Justo).
Abraços
Silvio
Jaime Daniel
28 de outubro de 2009
Salve Sílvio!
Fico contente que a discussão continue e sua participação é valiosa.
Mas eu também discordo de você…
Se quiser discutir sobre o emprego da palavra óbvio, está certo. Ela foi usada apenas como um fator de realce no texto, e talvez fosse até mais adequado usar o termo usualmente, frequentemente ou algo similar… mas ela teve sua função no texto.
Claro que poderia não sê-lo! Oxalá não fosse! E por uma enorme gama de circunstãncias poderia ou não ser. SE por um motivo emocional qualquer o dono dos direitos QUER que o livro seja publicado no Brasil, ele pode inclusive cobrar uma taxa mínima, ou até isentar de qualquer ônus, não é? Como a carta que o Kovalic criou para a versão nacional do Munchkin, lembra?
É claro que a editora pode baratear a tal ponto que tome prejuízo ou lucro mínimo por um motivo não muito claro. Talvez por estratégia comercial, para atrair a atenção para outras obras de sua coleção, ou atrair a simpatia de algum autor que tenha em vista. Até fatores de amizade pessoal podem entrar nessa equação. E outros mais inexplicáveis ainda, como a produção do Seres do Inferno! Por incrível que pareça, essas coisas acontecem, mas não podem ser consideradas como padrão.
Outra coisa que fica mal entendida é a afirmação que nosso parque gráfico é de primeira. Comparado com o quê? Nosso parque gráfico não é um lixo! É de excelente qualidade, mas não tem os mesmos recursos que o americano, tanto é assim que há as dificuldades já conhecidas do pessoal do ramo em produzir as capas duras de livros de RPG, que volta e meia precisam ser repetidas várias vezes para acertar a reserva de verniz, por exemplo. E sim, conseguimos produzir vários artigos num nível igual ao americano, mas há diferenças sensíveis entre um e outro.
Mais uma coisa que não cito no texto mas digo agora.Nós temos gráficas aqui que podem fazer um serviço IGUAL ao americano. Sim, temos e algumas da principais editoras brasileiras (onde NÃO se enquadram Devir ou Jambô) utilizam-nas, mas os seus serviços são BEM mais onerosos, e eles não vão ser simpáticos e cobrar menos para a Jambô, do que cobrariam da Martins Fontes ou Cozac Naify. E isso acabará refletindo sim no preço, não há como. Na época do auge da crise americana o preço dos serviços gráficos subiu acintosamente, o que complicou a produção de algumas obras, que AINDA podiam ser feitas, mas com um custo BEM maior. E se esse custo tiver que ser computado, adivinha o que vai acabar aumentando?
E eu acho perigoso essa afirmação de que é possível preços justos, pois assim pode-se entender que os atuais não são…
abraços
Silvio
28 de outubro de 2009
Jaime, é deste tipo de discussão que sinto falta. :-D
Sobre a questão de preços justos ou não, não quero com minha resposta anterior dizer que não existam preços justos no mercado. Ao mesmo tempo que acho que dizer que são mais caros ou baratos tãopouco ajuda nesta análise.
Se formos analisar os pontos de vista e as comparações temos uma questnao onde o preço acaba sendo irrelevante:
O livro é barato? em relação a quê?
O livro é caro? Em relação a quê?
O preço é justo, novamente… em relação a quê?
Com isso a discussão acaba ficando mais vazia pois temos que colocar nesta balança comparativos que antes nnao existiam.
Infelizmente o mercado editorial esconde os números de tiragens, assim fica difícil afirmar por exemplo a questao de tiragens, produções etc.
Podemos supor por uma análise comparativa que as tiragens andam em números de 3 a 5 mil exemplares para livros e quadrinhos talvez até menos que isso.
Usxando o exemplo que você deu do Munchkin, a obra nunca saiu, teve seu vai e vem editorial, e este tempo todo no armário acaba também prejudicando o lançamento.
Vou dar um exemplo fora do meio mas que pode ilustrar onde pode haver um inchaço no valor final.
Um importador que conheço queria trazer um produto focado no público A/B e com os impostos, produção etc o custo aqui era caro, mas ficou mais caro ainda porque ele teve uma programação pobre dos recursos, de logistica e de vendas o que refletiu em valores nao esperados.
Como você acompanha, a produção de um livro NUNCA é igual a outra, o que eu vejo e que poderia sim ser uma resposta ou um alivio no valor do material final é entender e estudar mais a produção.
Isso pode ser uma saída. Como um dead end.
O que queria deixar claro é que esta reclamação de valores não deve ser atribuida ao valor em si mas sim no cenário total.
Entender o todo, analisar o todo, podemos achar situações e processos que podem ser melhorados que podem ajudar a igualar o valor ou até mesmo baixa-lo.
Por isso que comecei a outra resposta com um “descordo em parte” basicamente pelo uso da palavra TEM do que qquer outra coisa.
abraço!
fe
29 de outubro de 2009
Acho que 80 reais é um valor muito justo pra um livro de acabamento de luxo, que pode ser usado durante anos.
Nossos livros da 3.5 tem 3 ou 4 anos, nos renderam centenas de horas de diversão todo fim de semana e isso é uma coisa que não se quantifica.
Não é livro de rpg que é caro aqui, qualquer livro é caro aqui. Não tenho problemas com inglês, mas RPG em português é do caralho, porque acessibiliza o jogo pra muita gente.
É meio elitista ficar babando o ovo do livro em inglês importado, quando um esforço está sendo feito aqui.
Darkus
8 de novembro de 2009
lendo este artigo só me vem na cabeça uma coisa…
eu compraria os modulos básicos do gurps 4ed em portuga NÃO IMPORTANTO O PREÇO QUE FOSSE!
pq não publicam então????
existem muitos gurpizeiros como eu! tenho certeza!
Leonardo
8 de novembro de 2009
Como estou querendo montar um grupo novo de GURPS para o próximo ano se a Devir lançar os livros eu compro mas não pago qualquer preço… pode ser mais caro do que o original mas se for muito caro prefiro comprar o original já que consigo ler razoavelmente em inglês!
Jaime Daniel
8 de novembro de 2009
Então… eu prometi que não ia mais falar de GURPS, então fico queito e espero quando lançarem…
LeoXorao
13 de novembro de 2009
A quantidade de comentarios demonstra que é um post muito importante para os rpgistas, mas eu tenho uma afirmação inegavel.
“Quem comanda o mercado é o consumidor, a pirataria infectou o mercado e a opção dos fabricantes é baratear os preços ou fechar as portas”.
Queda dos impostos, Subsidios, Venda em pdf, Livro digital, Maior fiscalização, etc… a solução que vira não importa, mas uma mudança é necessária.
Tsu
17 de novembro de 2009
Galera acha q serviço de tradução tem q ser fanservice.
Bem vindos ao mundo capitalista!
E parem de choramingar pq há muito tempo atrás, nem tinha livro de rpg no Brasil. Galera tinha q tirar xerox de algum conhecido q foi pro exterior.
Tive três professores de inglês: Videogame, rpg e magic the gathering.
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