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Videogame de Papel II (ou “A Revolta dos Comentários”)

Dez dias atrás, escrevi um artigo comentando sobre uma das maiores polêmicas do D&D 4E. Resolvi me arriscar e abrir comentários (o sistema ainda está em teste no blog), afinal eu citava opiniões alheias.

Screenshot do jogo “Dungeons & Dragons Shadows Over Mistaraâ€

Tive a feliz participação de muita gente interessada na conversa — falamos da mudança de foco da nova edição, abandono de público, preconceito, fantasia medieval e até da importância dos gnomos no D&D! — e geramos comentários tão grandes que eu resolvi respondê-los com outro artigo aqui do blog.

Danielle Toste escreveu:

Não discordo que enquanto opção comercial a decisão de tirar os gnomos tenha sido inteligente, mas eu ainda gostaria mais de ter visto eles bolarem uma solução para tornar os gnomos mais atraentes para os novos jogadores (como eles fizeram com os halflings do AD&D para o 3.0/3.5).

Olá Dani,

Eles tentaram aumentar a popularidade da raça (relacionando os gnomos aos bardos, para não descaracterizar o bom humor dos bichinhos), mas não funcionou. Não me lembro de qual mudança dos halflings que você está falando.

Eu achava a popularidade deles derivava do clã dos Bolseiros, não? :-)

Não acho que o D&D defina o que é fantasia medieval, mas D&D é (ou deveria ser) justamente um jogo de fantasia medieval.

Ele não deixou de ser, muito pelo contrário. O D&D só está acompanhando o conceito de fantasia da nova geração de jogadores (que estão mais acostumados a Ragnarok, Warcraft, Naruto, Avatar, Soul Calibur, Harry Potter e Piratas do Caribe).

O D&D continua sendo baseado em fantasia medieval clássica. A temática ainda é a mesma, só a abordagem que é mais moderna (vide as referências). D&D é, paradoxalmente, um RPG moderno de fantasia medieval.

Sabe o que eu fico imaginando? Uma taverna cheia de meio-demônios e meio-dragões e humanos se socializando numa boa, quando de repente a porta se abre e todos ficam chocados em ver aquela criatura rara e estranha: um gnomo ilusionista.

Esse espanto na cena da taverna só precisa acontecer se você quiser. Os gnomos (e os racial traits deles) estão no Monster Manual. Eles continuam sendo criaturas muito importantes no jogo, e se o Mestre decide que no mundo dele os gnomos são uma raça básica, pronto, as regras estão lá, prontinhas pra ele usar.

Essa raça saiu do Players Handbook por não ser populares entre os jogadores. Estavam, de um jeito ou de outro, ocupando um espaço que não era deles. Como raça, eles não são mais populares que os hobgoblins, ogros ou trolls e todos eles continuaram na tríade de livros básicos. A diferença é que agora os gnomos figuram ao lado de criaturas tão populares quanto eles dentro do universo mágico de D&D: dragões, beholders, fadas, drow e tudo mais.

eu só acho que o ideal seria encontrar uma solução que criasse espaço amigável para ambos o “novo†e o “velho†conceito de fantasia medieval

Não temos “novo” nem “velho” conceito. O que muda é a abordagem, as referências e as relações.

O conceito do D&D não mudou (veja que o conceito de fantasia medieval é uma coisa e o conceito de D&D é outra). O que mudou foram as referências do D&D e isso está causando um preconceito danado de quem é das antigas diante dessa mudança. Nesse ponto eu concordo plenamente com um membro da Spell RPG que usa como assinatura “D&D 4E, avalie com moderação”.

Não dá mais pra jogar “Dragonlance Age of Mortals” no D&D? Claro que dá! E Greyhawk? Também dá! Agora, emular uma mesa de Pendragon RPG com o D&D é uma péssima idéia e eu via (e vejo) muita gente tentando fazer mais ou menos isso com o D&D, principalmente quem vem das edições mais antigas.

Mas, ainda assim, eu me sinto um pouco abandonada as vezes. Acho que um pouco é minha culpa sim, por ser meio nostalgica, mas acho que um pouco é porque eu deixei de ser público alvo do meu RPG favorito. Não é que eu não ache que as coisas não devam ser atualizadas, reformuladas, etc, mas é que eu acho que com um pouco mais de trabalho você consegue fazer o pessoal mais antigo se sentir incluido.

Olhando a coisa meio pelos bastidores, vejo que eles estão tentando manter o apoio da Hasbro. Concordo com você que não é certo deixar o pessoal das antigas desamparado, mas é preciso pagar a conta do investimento do D&D Insider (que não deve ter sido barato). Obviamente, isso não justifica o abandono, mas como o próprio Freesample disse, essa é uma decisão editorial mercantilista.

Faço votos que a retomada da licenças de cenários consagrados (como Dragonlance, Darksun, Ravenloft e Planescape) faça parte de algum projeto futuro da WotC para fazer exatamente isso que você propôs: arrebanhar novamente os veteranos desgarrados, os tais “órfãos do AD&D”. Particularmente, eu acredito que, retirados os devidos preconceitos, tem lugar pra todo mundo nessa nova edição de D&D.

Já imaginou se eles lançam uma enciclopédia de Planescape ou Ravenloft nos moldes do Grand History of te Realms? Waw…

Franciolli Araújo escreveu:

Pegando carona na conversa, como antigo jogador do primeiro D&D, eu reclamei muito da falta de suporte de material descritivo nas terceiras edições.

Os livros “descritivos†de cenários abordavam muito mais as classes de prestígio, do que propriamente a descrição de geografia, história, costumes e relações entre os povos das regiões.

Olá Franciolli,

Eu discordo que tenha faltado material descritivo na terceira edição. Falando só de material publicado pela Wizards, haviam suplementos exclusivos para climas diversos, territórios específicos e até para monstros ou raças específicas. Fora isso, tínhamos duas revistas mensais que traziam matérias riquíssimas nesse quesito — fora toda a avalanche de suplementos não-oficiais que se seguiu com a OGL.

A minha reclamação é que o descritivo estava muito misturado com o mecânico. Felizmente, isso tem tudo para acabar com a 4E justamente devido à esse predomínio da mecânica de regras nos livros básicos. Separar a parte mecânica do sistema nos livros básicos e deixar a parte descritiva para a ambientação nos livros de cenários permite que os jogadores usem o que bem entenderem da maneira que quiserem nos seus jogos.

Nada de meio-orcs em Dragonlance se você não quiser. Os warforged do seu mundo podem ser um experimento de uma cabala de magos ao invés de terem vindo da máquina-mãe e os shifters da sua campanha podem não ter relação nenhuma com os licantropos. Eu gosto muito dessa modulação. Postei um comentário no artigo do Rocha sobre a polêmica do lançamento de Kingdons of Kalamar onde eu falava justamente à respeito disso.

Escuto de alguns mestres/jogadores de D&D que sentem-se abandonados, mas isso ocorre principalmente - não que seja a mesma razão para todos, devido ao fato de que os antigos não “se renovam†e nem procuram renovar o seu grupo, quando estes deixam de ser tão assíduos.

Concordo plenamente. Acho que essa mudança que a nova edição do D&D sofreu nas suas referências na fantasia medieval fantástica está justamente relacionada com isso: renovação.

FreeSample escreveu:

Este ponto leva a entender que quem prefere (por opção, e não pela falta dela, que fique claro) ficar com seu, digamos, velho D&D da grow, será uma pessoa ultrapassada.

Olá Freesample,

Eu não acho que uma pessoa seja ultrapassada por gostar de determinado RPG ou edição do D&D. Independente de cada um ter o direito de gostar do que quiser, seria estupidez julgar alguém através do seu sistema de RPG preferido. Desculpe se me fiz entender dessa forma.

O que eu quis dizer é que as edições mais antigas do D&D são sistemas de RPG ultrapassados quando são comparados com o D&D 4E. Esses sim, como sistemas de D&D, ficaram para trás. Meus argumentos são inúmeros: didática, foco, público, abordagem, matemática, praticidade e até mesmo conceito. Tem muita coisa para melhorar ainda? Tem muito — principalmente no design conceitual. Pretendo escrever um artigo sobre isso em breve, aqui mesmo no blog.

O fato é que eu não tenho nada contra quem vai ficar na D&D 3.5 ou ainda joga AD&D. Obviamente, essas pessoas terão que lutar um bocado para continuar sobrevivendo com seu sistema antigo sem o suporte da editora. Isso exige adaptações, boa vontade e tempo livre. O Pathfinder vai ajudar um bocado, afinal a Paizo é maravilhosa.

Talvez essas pessoas se sobressaiam, a 4E seja um fracasso e quem vai pagar a língua aqui sou eu. Talvez saia um novo RPG de ação muito melhor que o D&D pra fantasia medieval, mas por enquanto tenho lidar com o que temos de concreto e na atual conjuntura, eu realmente gosto o suficiente da 4E para apostar minhas fichas nela. :-)

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19 comentários em “Videogame de Papel II (ou “A Revolta dos Comentários”)”

  1. Muito bom o artigo, Cobbi. Não só concordo, mas acrescento que adoro jogar D&D no fliperama também (ver screenshot)! :D

  1. Cristiano escreveu:
    14 de Julho de 2008 às 21:08

    Cobbi escreveu:

    Não me lembro de qual mudança dos halflings que você está falando.

    Eu achava a popularidade deles derivava do clã dos Bolseiros, não? :-)

    Ela está falando da mudança dos Halflings que ocorreu na terceira edição, quando eles deixaram de ser os hobbits (do clá dos Bolseiros) para ser mais próximos aos Kenders.

  1. Cobbi,

    Quanto aos halflings, a mudança para mim foi justamente que eles ficaram menos parecidos com hobbits; achei que a descrição da aparência deles deixou o conceito um pouco mais atraente.

    Concordo com você plenamente que na verdade, na verdade mesmo, você pode fazer o que quiser, gnomos podem ser comuns, ou raros, ou o que o mestre quiser. Aliás, nesse sentido, toda e qualquer discussão sobre as mudanças acaba sendo irrelevante, mas de uma certa maneira isso muda a apresentação do sistema.

    O que eu quero dizer com isso é que, eu sei que os gnomos ainda podem ser usados, mas é que eles deixam de ser parte do conceito básico, inicial, do jogo, para ser uma raça que será básica se o mestre assim decidir. Deixa de ser o básico do sistema e passa a ser uma opção, e eu sei que nós, principalmente os jogadores antigos, podemos tomar essa decisão, mas é isso que mudou, sabe?

    Acho que é justamente a modernização do conceito de fantasia medieval que me assusta um pouco, não porque eu ache que isso é errado nem nada disso, mas porque eu gosto da idéia clássica de fantasia medieval e parece que o D&D era o mais próximo disso que eu conseguia encontrar, mas está deixando de ser.

    Mas, com certeza essa conversa vai me ajudar um pouco a “avaliar com moderação” o 4ed, ainda não sei se vou conseguir “aderir” ao sistema, sei lá, talvez seja aquele incomodo causado pelas mudanças, ou a sensação de ser deixado para trás, mas tem alguma coisa sobre essa nova mecânica que me deixa desconfortável.

    O que eu espero, de verdade, é que exista espaço para se desenvolver um jogo baseado em “roleplay”, com ação, combate, coisas para explodir, mas que a mecânica não acabe tirando a dinâmica interpretativa do jogo, nem tornando o papel da imaginação secundário.

    PS: Eu vi que você postou um texto aqui um tempo atrás sobre First Quest. Você tem (ou sabe quem tenha, ou onde vende) o CD com o áudio do First Quest?

  1. Cristiano,

    Exatamente!!! Era perfeitamente isso que eu quis dizer, mas você explicou mto melhor.

  1. Excelente artigo. Muito explicativo.

    Digo isso pq ainda não conheço a 4E (preciso de um convite, rs), mas com esse artigo e os comentários no anterior, minha vontade de conhecer e, evidentemente, de jogar só aumentou. Eu sou das antigas (cheguei a jogar AD&D) e aprendi a 3.5 da melhor maneira (na raça) e com um mestre que dispensa comentários (né, rs). Agora, eu tô curtindo o que estou vendo de mudanças e quero muito conhecer o sistema.

    Nós, os que jogaram o bom e velho D&D, conhecemos bem as mudanças; Já passamos por elas 3 ou 4 vezes. Eu me lembro bem quando mudou para 3.5… O que tinha de gente reclamando!!! Agora é a vez da 4E.

    Mudança é mudança, não tem jeito. Ninguém vai ficar 100% satisfeito nunca! Mas daqui uns meses, essa história passa! Tudo que é novo, incomoda um pouco! Nem por isso o D&D vai deixar de ser tão bom quanto é.

  1. Bem, só sei que desde a mecanização do D&D eu (coincidência ou não) nunca mais me diverti na mesa como jogador, apenas como narrador.

  1. Eu confesso que fiquei surpreso com a nova edição, o pouco que eu li, eles reformularam por completo desde de as regras até o conceito. Que o Cobbi me perdoe, mas não creio que o quarta trate de fantasia medieval, mesmo com as tais referências, ele trata apenas de fantasia. A própria WOTC dava mostras disso em Eberron ou no próprio Magic.

    Não creio que isso seja necessariamente ruim. Cada edição está inserida num contexto diferente. A 1ª edição na época dos tabuleiros, a 2ª na era de ouro do RPG, 3ª na contemporização do RPG e 4ª na era dos MMORPG. Acho que qualquer iniciativa que vise a manutenção do público é boa, mas a que aumenta o público é muito melhor.

    Com o tempo as coisas se ajudam, WoTC se perde nos suplementos e os jogadores do D&D 4E buscam outras coisas. Desejo toda sorte ao quarta, eu mesmo planejo utilizar (mesmo achando que meu intelecto inferior num vai aceitar bem) mas pretendo ficar no Castle & Crusades quando for jogar coisas de fantasia medieval mesmo.

    Vamos deixar a coisa rolar. Depois do vazamento do 4E só compra quem gostar. Acho que isso influenciou o comportamento de compra de muita gente. Um amigo crítico do 4E viu a “cópia” e adorou. Já outro que jurava que ia comprar, depois de pegar a “cópia” odiou. A sorte está lançada.

    PS: Shadow Over Mystara… Isso que era jogo! Esse mago aí nem tá tanto para o Elmister do AD&D. Será que já revelava a tendência do 3° ed?

    Num sei, mas tudo me soa meio conspiratório. :-)

  1. Daniel Araújo escreveu:

    Muito bom o artigo, Cobbi. Não só concordo, mas acrescento que adoro jogar D&D no fliperama também

    Olá Daniel!

    Sinta-se livre para expor aqui os seus pontos de discordância. São eles, inclusive, o que tem gerado as partes mais interessantes dessa “série” de artigos.

    Leve os meus parabéns pela 5ª edição do Spellcast pra todos lá na Spell RPG (assim que desafogar o trampo aqui eu volto a pintar por lá!). Um forte abraço pra você pela presença na Oficina dos Brunos e pra todo o pessoal da Spell RPG que apareceu na Mesa de Vidro! Valeu pela força com a divulgação lá no podcast! Está ficando muito fera!

    Danielle Tostes escreveu:

    Quanto aos halflings, a mudança para mim foi justamente que eles ficaram menos parecidos com hobbits; achei que a descrição da aparência deles deixou o conceito um pouco mais atraente.

    Oi Dani,

    É verdade! Como o próprio Cristiano lembrou, os designers deixaram a raça um pouco mais parecida com os kenders de Dragonlance (que eram absurdamente mais populares que os hobbits). Em termos de popularidade, foi uma ótima solução mesmo mas descaracterizou um bocado a raça (em comparação ao conceito do AD&D, concorda?

    Será que os designers já não tentaram fazer essa reformulação com os gnomos quando revisaram a raça (e já a descaracterizaram um pouco, comparando com o conceito original) para moldá-la a classe dos bardos (entre o 3.0 e o 3.5)? Será que é possível tornar os gnomos populares entre os jogadores sem descaracterizá-los completamente, criando uma raça completamente nova?

    Concordo com você plenamente que na verdade, na verdade mesmo, você pode fazer o que quiser, gnomos podem ser comuns, ou raros, ou o que o mestre quiser. Aliás, nesse sentido, toda e qualquer discussão sobre as mudanças acaba sendo irrelevante, mas de uma certa maneira isso muda a apresentação do sistema.

    Todas as discussões sobre as mudanças no sistema se tornam irrelevantes? Não! 8-O

    Justifiquei a ausência dos gnomos no Livro do Jogador 4E com esse argumento do “use só o que quiser” pois essa ausência trata exclusivamente sobre uma das mudanças que eu mais gostei no sistema: o aumento da “modulação”, i.e., a separação da regra para um lado e descrição pro outro. Na minha opinião isso torna, as coisas muito mais adaptáveis pra qualquer cenário. Dependendo do quão radical isso for, poderíamos criar livros de cenário de campanhas só com descrição (como o meu bom e velho Titan) que serviriam inclusive, para serem usados junto com outros sistemas de RPG!

    Exemplo esperançoso do Cobbi: digamos que o Campaign Guide de Forgotten saia cor-de-rosa desse jeito que eu estou imaginando! Quem quiser jogar esse mundo no D&D compra os três básicos (PHB, DMG e MM) e aprende as regras. Quem quiser jogar “GURPS Forgotten Realms”, compraria o Campaign Guide do cenário e não vai ter nem o trabalho de adaptar, afinal é só descrição mesmo!

    Entretanto, ainda não temos nenhum Campaign Guide em mãos para saber quão radical foi essa separação. Nos básicos ela fica clara: só as regras estão lá. Espero de verdade que isso seja compensado nos cenários de campanha.

    Mas nem de perto eu acho que esse argumento do “use só o que quiser” torne as discussões sobre as demais mudanças de game design do D&D irrelevantes.

    Fiz muita confusão? :roll:

    Acho que é justamente a modernização do conceito de fantasia medieval que me assusta um pouco, não porque eu ache que isso é errado nem nada disso, mas porque eu gosto da idéia clássica de fantasia medieval e parece que o D&D era o mais próximo disso que eu conseguia encontrar, mas está deixando de ser.

    Vou usar de novo a comparação com filmes: Fantasia medieval clássica seria Excalibur? Lancelot? Pra mim, o D&D sempre esteve mais próximo do Willow, por exemplo!

    É como se a fantasia medieval tivesse “níveis de magia” diferentes. O nível de magia do D&D sempre foi alto, mas agora, na 4E isso ficou bem mais evidente e as coisas ficaram um bocado “mais cinematográficas” (até pela influência da cultura oriental aqui na mídia ocidental). De início, isso assusta um bocado a galera que gosta da magia um pouco menos evidente nos seus jogos (é o mesmo susto que o Eberron causa), mas a 4E não torna esse tipo de abordagem de jogo mais complicada.

    O meu ponto é que o D&D sem magia é meio capenga. E às vezes eu tenho a impressão que quando o pessoal fala que “o D&D não é mais fantasia medieval clássica” eles só querem dizer que não conseguem entender direito como encaixar um mundo com magia mais sutil na mecânica desse jogo.

    Mas antes de eu sair falando um monte de coisas baseadas em suposições sobre o que você acha, explica melhor essa parte?

    O que eu espero, de verdade, é que exista espaço para se desenvolver um jogo baseado em “roleplayâ€, com ação, combate, coisas para explodir, mas que a mecânica não acabe tirando a dinâmica interpretativa do jogo, nem tornando o papel da imaginação secundário.

    Sobre o papel da imaginação no D&D, eu estou contigo e não abro. Tenho jogado a 4E há um certo tempo (até pelo privilégio de receber o material um pouco antes) e meus jogos só ficaram mais legais! Aliás, é por isso que eu defendo tanto a bendita 4E! Meus jogos de D&D continuam sendo jogos de fantasia medieval com muita ação (e bota ação nisso!) e não perdem nada (absolutamente nada) para a minha primeira campanha de AD&D (e acredite foi difícil de tirar todo o saudosismo de lado antes de escrever isso).

    Eu vi que você postou um texto aqui um tempo atrás sobre First Quest. Você tem (ou sabe quem tenha, ou onde vende) o CD com o áudio do First Quest?

    Se não encontrar o Mercado Livre, tente sebos virtuais como o Estante Virtual, por exemplo. Fica aí a dica!

    Sue Simon escreveu:

    Digo isso pq ainda não conheço a 4E (preciso de um convite, rs)

    Oi Sú! :-D

    Vou dar é um belo chute no seu traseiro sua tratante! Você sabe que pupilos meus tem cadeira cativa nas minhas mesas! Obrigado por aparecer lá na Oficina dos Brunos! Foi muito legal rever vocês por lá!

    Eu sou das antigas (cheguei a jogar AD&D) e aprendi a 3.5 da melhor maneira (na raça) e com um mestre que dispensa comentários (né, rs). Agora, eu tô curtindo o que estou vendo de mudanças e quero muito conhecer o sistema.

    Isso que eu acho mais importante: vontade de experimentar! Fico triste quando eu vejo preconceitos bobos ou simples saudosismo nublar a vontade de jogar de pessoas que eu tenho certeza que se divertiram muito na edição nova se conseguissem deixar isso de lado e curtir a coisa de “cabeça aberta”.

    Mudança é mudança, não tem jeito. Ninguém vai ficar 100% satisfeito nunca! Mas daqui uns meses, essa história passa! Tudo que é novo, incomoda um pouco! Nem por isso o D&D vai deixar de ser tão bom quanto é.

    Esse é o ponto! O D&D está melhor! Queria eu poder mestrar uma mesa de D&D 4E pra cada pessoa que eu escuto reclamar desse sistema…

    O fato é que a Dani, por exemplo, tem razão quando se sente meio abandonada. Comercialmente, eles tiveram mesmo que deixar o pessoal da “velha guarda” esperando um pouco. Esperemos que essa mudança de público do D&D 4E ajude a render grana o bastante para investir nas coisas que vão trazer os veteranos de volta! É como eu disse, o RPG cresceu, o mercado cresceu, uma gigante do entretenimento se interessou pelo nicho e eles estão fazendo de tudo para não deixar a peteca cair. Esperemos que eles não esqueçam ninguém para trás.

    Ismael escreveu:

    Bem, só sei que desde a mecanização do D&D eu (coincidência ou não) nunca mais me diverti na mesa como jogador, apenas como narrador.

    Olá Ismael,

    Como assim? Vc acha divertido jogar D&D como Mestre, mas não acha divertido jogar como Jogador? É isso?

    Isso acontece só com o D&D? Só com o D&D 4E Explica melhor? :neutral:

    Alex escreveu:

    Eu confesso que fiquei surpreso com a nova edição, o pouco que eu li, eles reformularam por completo desde de as regras até o conceito. Que o Cobbi me perdoe, mas não creio que o quarta trate de fantasia medieval, mesmo com as tais referências, ele trata apenas de fantasia. A própria WOTC dava mostras disso em Eberron ou no próprio Magic.

    Olá Alex,

    Waw! Declaração bombástica! Caramba! 8-O

    Ué, D&D continua tendo castelos, espadas, dragões, magia, orcs, anões, elfos, fadas, armaduras, cavaleiros, feiticeiros, arqueiros e tudo mais! Porque você acha que ele deixou de ser medieval?

    Com o tempo as coisas se ajudam, WoTC se perde nos suplementos e os jogadores do D&D 4E buscam outras coisas.

    Infelizmente, tenho que concordar que alguns veteranos mais “puristas” vão se interessar por outras coisas mesmo. Outros só envelheceram um pouco e vão curtir jogos com uma temática mais adulta (como Mundo das Trevas ou Trevas, que são jogos adultos mesmo).

    Entretanto, mantenho o meu argumento: esse público não estava acompanhando o crescimento do mercado. Tanto é verdade, que a WotC mudou de público. Mas eu espero sinceramente que a editora tenha um bom plano para trazer parte dessa galera de volta.

    Em termos de ambientação e conceito, Castles & Crusades é infinitamente superior, mas a mecânica de regras do 4E é bem mais madura, matematicamente falando.

    Aliás, você me deu uma ótima idéia de adaptação! :idea:

  1. Eclison "Luminus" Tolentino escreveu:
    15 de Julho de 2008 às 8:34

    Bom… Eu sou fã declarado de AD&D. Não jogo por falta de grupo de jogo. Nem por isso deixei de “acompanhar o rebanho”: comprei os livros da 3,0 e da 3.5 quando foram lançados, participo de um grupo de estudo da 4.0 (ainda não começamos a jogar) e pretendo continuar seguindo o rebanho.

    A primeira coisa a se destacar é que um conjunto de regras não invalida o outro. Querer comparar dois sistemas de jogo (mesmo nesse caso) é como comparar a Copa do Brasil com o Campeonato Brasileiro. Ambos são futebol, ambos dão vaga na Libertadores, etc. Mas são jogos diferentes, modelos de disputa diferentes, etc.

    Então, ao meu ver, não é que um sistema seja melhor, mais evoluído, mais atual, ou mais sei-lá-o-quê em relação ao outro: ele é simplesmente outro sistema. A única relação entre AD&D, 3.0/3.5 D&D e 4.0 D&D é que um foi descontinuado quando o outro foi lançado. Os jogos são diferentes, a ambientação, o foco do divertimento, os níveis de dificuldade e operacionalidade… O jogo é outro. AD&D, em muitos aspectos, ainda é muito mais atual que o 4.0D&D. Só que não são esses aspectos que estão em foco no 4.0D&D.

    O interessante, no fim das contas, é que haja diversão. É interessante que você não deixe de ver seus amigos, de conversar com o pessoal da net nos fóruns, e o mais importante: que você não feche a porta na cara dos novatos, dizendo coisas como “essa edição nova é uma porcaria” e similares. Não gosta de algo, dê a sua opinião e deixe bem claro que é a sua opinião. Encaminhe o novato para onde ele será bem recebido, seja uma loja, um point, um fórum…

    O interessante é empurrar para frente, até porque se o destino da humanidade é realmente repetir os mesmos erros de tempos em tempos, nós voltaremos a jogar AD&D em breve :P

  1. O que me preocupa nem é tanto o público veterano, já que estes vão saber se virar (ou pelo menos aqueles que realmente gostem e vivenciam o RPG).

    Me preocupa o público novo, aqueles que virão a ser RPGistas.

    Como é difícil para um veterano mudar pro novo sistema, será difícil convencer um novato que se inseriu no mundo do “game de papel” nos cenários “espada e magia” clássicos.

    Realmente desejo, com todas minhas esperanças, que a galera da WotC, ou mesmo nós, lancemos material para fomentar parte dessa galera nova com cenários de jogo mais “tradicionais”, para que assim haja diversidade, evitando que a quinta edição venha em uma caixinha bonitinha com dois DVDs inclusos, e só.

    Abraços!

  1. Senhores,

    Acho estas discussões sobre a 4ª edição muito interessantes, principalmente por serem formadas majoritariamente de opinião extremas, vejo poucas pessoas no meio termo.

    A minha opinião em relação a esta mudança é de um observador externo, o D&D não é o sistema que mais jogo… Gosto dele desde o AD&D, mas uso com pouco freqüência… Vi a evolução AD&D > 3.0 > 3.5 > 4ª e na minha opinião foi algo benéfico, houve melhoria na mecânica, equilibro entre classes e raças, não houve limitação nas possibilidades de criação de personagem etc.

    Mas existe um porem nisso tudo, por avaliar somente a parte mecânica do sistema (mesmo que na prática) eu não tenho algo importantíssimo para um jogador de RPG, a proximidade, interação e até amor por um cenário ou raça ou classe ou qualquer outro elemento clássico do sistema.

    Acho que é exatamente este ponto onde se geram tantas discussões, o Forgotten foi drasticamente alterado, raças como o Gnomo foram retiradas, o monge foi retirado, o Tiefling entrou como core….. Muitas destas alterações podem fazer sentido olhando somente para a mecânica e para o conceito, mas vai afetar aquele grupo de jogadores que gostavam da classe/raça/cenário como era.

    Acho que a 4ª edição deve ser avaliada com calma, pois por muitos pontos de vista, é quase como um novo sistema, ou no mínimo, uma nova abordagem para um bom e velho sistema.

  1. Cobbi,

    O que eu quis dizer com o “use o que quiser” tornar as discussões irrelevantes é que para os mestres mais experientes ou com mais habilidade em “modular” as campanhas não faz muita diferença a maneira como o jogo é arranjado, mas para quem pega o pacote inicial como base a apresentação do conteúdo acaba fazendo alguma diferença. Nesse sentido, para quem vai usar o que quiser de qualquer jeito não há muito o que filosofar, o livro poderia até não ter gnomos e mesmo assim daria para achar um jeito de adaptar.

    Explicando melhor a parte da fantasia medieval:

    Para mim a idéia de fantasia medieval clássica é aquela que vem da própria mitologia medieval, são os arquétipos básicos. Sim, Excalibur se encaixa bem ai, junto com o próprio Tolkien, Narnia e mesmo os contos de fadas.

    Não acho que idéia de fantasia medieval clássica exclua magia, pelo contrário, acho que tudo sobre a fantasia medieval é mágico, se não for vira “história medieval”. Mas acho que quando você cita a questão da magia, talvez esse seja mesmo um fator importante na minha concepção do “conceito novo” vs. “conceito velho”.

    Quando eu penso na idéia clássica, nós temos uma magia muito mais relacionada à idéia de magia que vem dos mitos e dos contos de fadas. Já a idéia atual tem uma visual muito mais Planescape de magia, relacionada com demônios, dragões, tecno-magia, half-bloods, warlocks, enfim. Não sei se estou conseguindo me expressar muito bem quanto a essa diferença de conceitos, mas é algo do tipo Planescape vs. Mystara, entende?

    Não que tenha nada de errado com Planescape. Eu gosto muito desse cenário, mas como um cenário alternativo e não como a idéia básica do jogo. Para mim, incorporar tieflings como raça básica e tirar os gnomos é trocar os conceitos e tornar aquele ambiente Planescape como o padrão e a fantasia medieval básica como alternativa.

    Eu sei que a decisão de mudar a atmosfera foi mais comercial, e estou certa de que como decisão comercial foi uma boa. O que eu não sei ainda é se essa decisão comercial também vai ser boa do ponto de vista conceitual do jogo (me recuso a dizer para alguém que RPG é igual MMO só que jogado na mesa ò.ó, ainda que seja a explicação mais fácil)

    Mas falando honestamente? Você está quase me convencendo a experimentar o 4ed só para saber o gostinho que tem, só para saber se na verdade eu estou fazendo uma tempestade num copo d’agua e a mudança do sistema não vai interferir na dinâmica do jogo.

  1. Olá,

    Realmente o D&D 4E está dando o que falar. O legal é que por um lado isso está reacendendo a discussão sadia sobre RPG mais abertamente na net, e acho que isso por si só já é muito bom.

    o mais importante: que você não feche a porta na cara dos novatos, dizendo coisas como “essa edição nova é uma porcaria†e similares. Não gosta de algo, dê a sua opinião e deixe bem claro que é a sua opinião. Encaminhe o novato para onde ele será bem recebido, seja uma loja, um point, um fórum…

    Olha, se um décimo dos jogadores da antiga, que torcem o nariz para as novidades, fizessem isso, nossa…

    Taí uma coisa importante: se não gosta e não quer “perder tempo” ensinando novatos, indique! Com certeza tem muita gente séria fazendo isso. Basta ver o mapa do Bruno Tarmann.

    Embora não seja eu o amigo do Alex, que mudou de opinião depois que viu a 4E, eu também mudei e gostei muito do que vi. Tanto que aguardo ansioso pela versão em português para começar a ensinar pra criançada.

    Abraços,

  1. Eclison "Luminus" Tolentino escreveu:
    15 de Julho de 2008 às 19:50

    Taí uma coisa muito comum dentro dessa discussão: as pessoas defendem/atacam com muito fervor, mas ainda não jogaram, nem leram os livros! Tem um fórum de RPG em específico no qual as pessoas realmente viram os previews da nova edição como o caminho, a verdade e a vida. Gente muito ansiosa, acreditando que a quarta edição seria mesmo a “salvação do RPG” ou algo assim… E tinha gente feito eu, que acreditava que seria o fim do mundo, que tudo estaria perdido, etc.

    Quebrei a cara, e com muito gosto. Ou melhor, quebramos todos a cara, pois não é nem uma coisa, nem outra.

    A edição não é o “Apocalipse do RPG”, não é lá a perdição do role-play, nada disso. Ela é só uma edição nova. Mestrei no D&D Game Day, mestrei no DIA D RPG, e vi um sistema ainda mais simplificado, um pouco melhor (se tivesse como lançar um Fisrt Quest para a quarta… hm…) e com alguns problemas sim, mas não era o fim de nada. Era só um recomeço… Uma nova edição.

    Fica uma recomendação para quem não jogou: jogue! Se morar aqui em BH ou na região, entre em contato comigo que eu mestro pessoalmente, até faço logo o registro na RPGA e talz… Se jogar e gostar, ótimo. Se não gostar… A gente pode tentar AD&D.

    :-)

  1. Camaradas.

    Manter alguns elementos de fantasia medieval, como castelos e dragões não significa necessariamente que é temática medieval. Sejamos honestos, Final Fantasy 7 tem dragões (ok, com outros nomes), Phantasy Star também e nem por isso são fantasia medieval.

    O 4E pode até ter esses elementos: Elfrutinhas, dragões e armaduras (a propósito, bem Robocop — farei abaixo um comentário sobre os desings das armaduras), mas é notória a perda da essência conceitual do medieval. Não acho isso ruim, mas tenho uma forte impressão de que a própria WoTC não quer possuir essa imagem. Acho que ela está muito mais interessada na visão do conceitual da Square do que na falecida Strategic Simulations, Inc. (paralelo de video-game, mó viagem!).

    :-)

    Insisto: para mim 4e não é fantasia medieval, é apenas fantasia. Se querem fantasia medieval propriamente dita, ela só será obtida após grande esforço de adaptação do 4E, pois essa não é sua mentalidade (do jogo), ou obtendo produtos com essa orientação: Castle and Crusades ou o futuro Path Finder. 4E está mais para Planescape/Eberron do que para Mystara.

    Sobre as armaduras, pelos desenhos que vi da “edição com sangria”, eles finalmente conseguiram incorporar o pensamento da raça a elas, a tendência natural do anão pela ordem fica claro na geometria das armaduras.

    Quanta abobrinha que eu disse dessa vez, desculpa tio Cobbi

  1. Cara, eu odiava AD&D, sempre preferi Gurps.

    Aí joguei a quarta edição e me empolguei. Cara, ficou wargame total, eu adoro wargames!!! Lógico que o grupo onde jogo manteve o roleplay de sempre, mas que o jogo enfoca muito mais o combate, isso é.

    A dinâmica do jogo ficou rápida, conceitos mais simples de entender, mas agora não tem jeito de jogar sem miniaturas e tabuleiro.

    É isso aí, videogame de papel! (eu adoro videogames!)

  1. Waw, quanta confusão pelos gnomos! :mrgreen:

  1. Cobbi,

    Quanto a não me divertir mais como jogador, acontece desde a 3.5, se não me engano. Acho que cansei dos combates intermináveis, mil jogadas de dados, esse tipo de coisa. Tabuleiros e miniaturas que eram pra ser acessórios tornaram-se o principal.

    Tudo bem que você pode dizer “ah, mas isso é com o grupo, depende do grupo/mestre etc” (e deve até influenciar o fato de eu me diverti mais mestrando que jogando). Sim, mas hoje não encontramos nada muito diferente disso. Até porque o D&D encaminhou-se para isto. E se quiser jogar de outra forma as pessoas procurarão justamente outro sistema.

    Eu não reclamo de D&D ter mudado. Eu não sou vinculado a nenhum sistema e posso mudar de um pra outro tranqüilamente, ao que melhor adapta ao meu gosto. E por isto mesmo avisei ao meu grupo que só irei narrar de hoje em diante Mundo das Trevas. E se quiserem que eu narre D&D4 é só providenciar os livros pra mim hahahaha. Não é uma crítica ao sistema. Se assim agrada a maioria por mim tudo bem, eu pego outro trem.

    ;-)

  1. Arquimago escreveu:
    16 de Julho de 2008 às 12:48

    Gostei muito do artigo.

    E tenho a mesma impressão que você, estou curioso, mas olho as regras e não sei bem… Parece algo estranho….

    PS: Eu tenho a caixa do AD&D que comprei faz uns 6 anos, lá tem dois CD’s, um que você falou e outro do Karameikos. Me procura por e-mail que a gente conversa.

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