Videogame de Papel III (ou “Futebol, Piratas, Gnomos e D&D”)
Como eu expliquei no segundo artigo, tudo começou com uma estréia antecipada do nosso sistema de comentários. E cá estamos nós.

Como seria uma tremenda falta de bom senso da minha parte publicar um outro comentário desse tamanho, segue terceira parte da saga!
Eclison “Luminus” Tolentino escreveu:
A única relação entre AD&D, 3.0/3.5 D&D e 4.0 D&D é que um foi descontinuado quando o outro foi lançado
Olá Eclison!
Pergunta: usando sua metáfora do futebol, não seria como se, quando tivessem inventado o Campeonato Brasileiro, tivessem parado de fazer a Copa do Brasil? Afinal, as edições antigas foram descontinuados (e atualizadas!) com o surgimento da nova edição.
Os jogos são diferentes, a ambientação, o foco do divertimento, os nÃveis de dificuldade e operacionalidade…
Hummm… Acho que agora eu entendi o que vc quis dizer. Se for assim, concordamos plenamente (exceto pelo fato de eu achar que a mecânica do AD&D não tem nada de mais moderno que seus predecessores).
Encaminhe o novato para onde ele será bem recebido, seja uma loja, um point, um fórum…
Falou tudo! Estou contigo e não abro! O que serve pra nós muitas vezes não serve para as novas gerações!
Meus pais demoraram um bocado pra entender isso.
Paulo H. Merlino “Triade” escreveu:
Como é difÃcil para um veterano mudar pro novo sistema, será difÃcil convencer um novato que se inseriu no mundo do “game de papel†nos cenários “espada e magia†clássicos.
Questão de abordagem. Volto ao exemplo dos filmes: Piratas (de 1986), A Ilha da Garganta Cortada (de 1995) e Piratas do Caribe (de 2003) são todos filmes de piratas, mas com abordagens diferentes! Essas releituras trouxeram benefÃcios inegáveis ao gênero dos filmes de pirataria, concorda? Muita gente que eu conheço só foi assistir os filmes mais antigos depois de babar na trilogia do Cap. Sparrow!
Se é assim com os filmes, porque seria diferente com os cenários? Acho essa renovação necessária para a sobrevivência do jogo! Peter Jackson nos ensinou isso com O Senhor dos Anéis, a Sony vem fazendo milagres com a mitologia grega em God of War! Que venham então as novas versões de Forgotten, Dragonlance, Ravenloft, Darksun e Planescape! Coisas boas de verdade bebem nas fontes certas para serem boas e as coisas ruins são descartadas naturalmente.
Daà alguém pergunta:
“Ué, mas se o novato já aprendeu a jogar e gostar do novo, porque então faria a regressão aos clássicos?”
Acredite: acontece naturalmente. Eu sou prova viva disso. Adorei Dan Brown e conheci Humberto Eco. Comecei com Paulo Coelho e hoje leio Steve Hagen. Não é preciso “regredir” aos clássicos, basta se inspirar nas coisas boas que eles descobriram para criar as novidades. A seleção natural (que eu citei no primeiro artigo) acontece assim mesmo, naturalmente.
Espero de verdade que os game designers que cuidarão dos cenários favoritos dos veteranos na 4E se lembrem de olhar pra trás de vez em quando, mas que voltem a olhar pra frente a tempo de não tropeçarem de boca no chão.
Realmente desejo, com todas minhas esperanças, que a galera da WotC, ou mesmo nós, lancemos material para fomentar parte dessa galera nova com cenários de jogo mais “tradicionaisâ€, para que assim haja diversidade, evitando que a quinta edição venha em uma caixinha bonitinha com dois DVDs inclusos, e só.
Quando se usa “o bom do clássico” para criar coisas novas (em releituras, adaptações ou ganchos de enredo) você naturalmente vai atrair, mais cedo ou mais tarde, a curiosidade do público para a origem desse Ãcone/elemento. É como eu falei no parágrafo de cima, basta saber onde se basear. tem coisas que não deveriam sumir nunca. Tem outras que deveriam ser esquecidas para sempre.
Mas se o D&D 5E for vir com 2 DVDs com as ferramentas que eles estão prometendo pro D&D Insider, então eu quero eles na contracapa do players!
Guzzon escreveu:
Acho que é exatamente este ponto onde se geram tantas discussões, o Forgotten foi drasticamente alterado, raças como o Gnomo foram retiradas, o monge foi retirado, o Tiefling entrou como core….. Muitas destas alterações podem fazer sentido olhando somente para a mecânica e para o conceito, mas vai afetar aquele grupo de jogadores que gostavam da classe/raça/cenário como era.
Guzzon, sempre acompanhando o d3system. Seja bem-vindo.
O Forgotten nem saiu ainda. O gnomo continua no básico (no MM, não mais no PHB), muita gente reclamava de se ver “obrigado” a encaixar monges e cultura oriental em cenários onde isso não era adequado e o Tiefling é um dos eixos das mudanças que afetarão os cenários 4E (com a saga do Império de Bael Turath, que já começou na incrÃvel Into the Shadowhaunt, inclusive).
Será mesmo que é só pra mim que essas coisas parecem fazer sentido?
Dani escreveu:
O que eu quis dizer com o “use o que quiser†tornar as discussões irrelevantes é que para os mestres mais experientes ou com mais habilidade em “modular†as campanhas não faz muita diferença a maneira como o jogo é arranjado, mas para quem pega o pacote inicial como base a apresentação do conteúdo acaba fazendo alguma diferença. Nesse sentido, para quem vai usar o que quiser de qualquer jeito não há muito o que filosofar, o livro poderia até não ter gnomos e mesmo assim daria para achar um jeito de adaptar.
Entendi e acho que finalmente entramos num acordo. Só quero que você não fique desapontada, achando que os pobrezinhos foram podados da 4E. Afinal, eles estão lá! O sistema está mais modulado como um todo e eles podem continuar sendo usados como raça, mas eu concordo com você: os gnomos perderam parte do destaque que tinham. No entanto, acho que perderam esse destaque por ótimo motivo: eles não eram populares. Have a deal?
Não sei se estou conseguindo me expressar muito bem quanto a essa diferença de conceitos, mas é algo do tipo Planescape vs. Mystara, entende?
Acho que entendi sim. Tipo… “Magia fadas vs. Magia dragões”? “Neil Gaiman vs. Frank Miller”? “Peter Jackson vs. Micheal Bay”? Peguei?
Eu sei que a decisão de mudar a atmosfera foi mais comercial, e estou certa de que como decisão comercial foi uma boa. O que eu não sei ainda é se essa decisão comercial também vai ser boa do ponto de vista conceitual do jogo
Não acho que foi só comercial. Acho que ela faz parte da renovação que eu falei ali em cima para o TrÃade. Hoje em dia, o que faz sucesso é Naruto e não Ursinhos Gummy (ok, apelei, coloca Pokémon no lugar, vai). É óbvio que o game concept vai oscilar conforme o público escolhido e, por esse ponto, me parece uma ótima opção.
Como eu disse para o TrÃade, o que me preocupa é a trabalheira que eles estão arrumando para os game designers dos cenários clássicos. Criar essa expectativa toda é bem arriscado comercialmente (aliás, mais alguém está até com medo de sentar na poltrona do cinema nessa sexta por causa da expectativa que criou!?).
Mas falando honestamente? Você está quase me convencendo a experimentar o 4ed só para saber o gostinho que tem, só para saber se na verdade eu estou fazendo uma tempestade num copo d’agua e a mudança do sistema não vai interferir na dinâmica do jogo.
AÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ! ![]()
Não sei de onde vc é, mas eu, os RPGArautos e toda a equipe do d3system estamos sempre mestrando mesas barulhentas de 4E nos eventos mensais da capital! Agora em agosto eu também fui intimado ao EIRPG de Curitiba! Você está triplamente convidada a experimentar a 4E numa das minhas mesas malucas! Aliás, vc conhece X-Crawl?
Peter Primordial escreveu:
Embora não seja eu o amigo do Alex, que mudou de opinião depois que viu a 4E, eu também mudei e gostei muito do que vi. Tanto que aguardo ansioso pela versão em português para começar a ensinar pra criançada.
Falando em eventos mensais da capital, olha só quem apareceu!
Pra não me deixar mentir, taà mais uma fera do D&D que viu que a 4E está longe ser um bicho de sete cabeças! E olha que o Peter é da época do D&D original! Ele até mestrou uma mesa de D&D da Grow no Mistério & Horror!
Eclison “Luminus” Tolentino escreveu:
Fica uma recomendação para quem não jogou: jogue! Se morar aqui em BH ou na região, entre em contato comigo que eu mestro pessoalmente, até faço logo o registro na RPGA e talz… Se jogar e gostar, ótimo. Se não gostar… A gente pode tentar AD&D.
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Se a Dani morar em BH vc já tem uma missão a cumprir hein Luminus!
Alex escreveu:
Manter alguns elementos de fantasia medieval, como castelos e dragões não significa necessariamente que é temática medieval. Sejamos honestos, Final Fantasy 7 tem dragões (ok, com outros nomes), Phantasy Star também e nem por isso são fantasia medieval.
FF e Phantasy Star tem um elemento especÃfico que os distancia um bocado do D&D: tecnologia. Aeronaves, raio laser, robôs e por aà vai. No entanto, eu entendo seu ponto. Também estou criando uma expectativa grande sobre os livros de cenário dos clássicos como Dragonlance e Forgotten Realms.
Acho que ela (a WotC) está muito mais interessada na visão do conceitual da Square do que na falecida Strategic Simulations, Inc.
O trunfo da TSR foi adaptar um jogo que já era popular (wargame) para uma temática também popular (fantasia medieval) e misturar nisso elementos de teatralidade e faz-de-conta. Bom, a bola da vez agora são o MMORPGs. Não acho que esses dois raciocÃnios conceituais estão assim tão distantes.
Quanta abobrinha que eu disse dessa vez, desculpa tio Cobbi
Esquenta não… Só espero que você não espere que eu também me desculpe pelas abobrinhas que gosto de dizer aqui.
Tsu escreveu:
Cara, eu odiava AD&D, sempre preferi Gurps.Aà joguei a quarta edição e me empolguei.
Olá Tsu!
Mais um! Mais um! Viu! Eles existem! (rs)
A dinâmica do jogo ficou rápida, conceitos mais simples de entender, mas agora não tem jeito de jogar sem miniaturas e tabuleiro.
E vai explicar isso pro d3?! Sei lá eu como, mas ele consegue calcular até os ataques de oportunidade!
Mas eu te dou razão. Fica complicado jogar um combate de D&D 4E sem matriz. na verdade, a melhor palavra é “incompleto”. Que dá, dá! Mas perde-se um aspecto muito bacana do jogo.
Erick escreveu:
Waw, quanta confusão pelos gnomos!
Calma, a Dani e eu estamos quase nos entendendo (eu acho)…
Ismael escreveu:
Quanto a não me divertir mais como jogador, acontece desde a 3.5, se não me engano. Acho que cansei dos combates intermináveis, mil jogadas de dados, esse tipo de coisa.
…
Eu lembro de vc… Você não usava um dragão de prata como avatar lá no fórum da REDERPG?
Bom, você também está convidado a se sentar numa das minhas mesas de 4E para experimentar os novos noncombat encounters — debates, argumentações, enigmas, perseguições, fugas, puzzles e skill challenges. Fora isso, o conceito “Mecânica Central” da 4E é justamente esse: economizar rolagens. Nada de rangers com 12 ataques por turno (e, conseqüentemente, 12 jogadas de dano), magos catando todos os d6 da caixa de War para calcular o dano das magias ou confusões sobre quem deve jogar o dado (o defensor ou o atacante).
Nessa parte, o sistema evoluiu um bocado.

17 de julho de 2008 às 17:12
Meu Bahamut do Cáu! Mil vezes eu me pergunto porque esse sistema não veio antes!!! Casa de Vidro nada! Casa de Espada Jedi, todo tiro que vem é rebatido!
Nem vou parabenizar, vão começar a me estranhar!
Show! Simplesmente.
P. S.: Apesar de parecer que estou falando do 4E (e pensando bem, pode muito bem ser), o sistema a que me referia era o de Comentários! Estou com a leve impressão de que vocês Jà se arrependeram de não terem disponibilizado antes!