Videogame de Papel V (ou “Ravenloft na 4E?”)

Postado no dia 8 de setembro de 2008 por em Videogame de Papel

Demorei, mas estou de volta! Ocupado, traduzindo e colocando os assuntos do d3system em dia, acabei tendo que tocar o Videogame de Papel pela linha de fundo temporariamente. Felizmente, nada impede que cobremos o escanteio com categoria e coloquemos a bola de volta na área. :-)

Relembrando (afinal, faz mais de um mês!), entre os artigos e comentários anteriores, eu citei parte das minhas teorias mirabolantes sobre o surgimento de alguns dos mitos do D&D: falamos da ilusão do “mais roleplay no AD&D”, do pseudo-conflito “dramatismo vs. cinematográfico” e da verdadeira origem da “dança do quadrado”.

Chegamos a especular (meio por cima) sobre como seria um possível Ravenloft 4E, mas como o assunto voltou à tona no VdP IV, vou aproveitar a deixa do Felipe Velloso (do Ambrosia) para levantar a polêmica da 4E com relação a um ponto delicado: clima de jogo.

“Pulsos de Cura nas Brumas??? Você enlouqueceu!?!”

Quero começar, pelo último post que o Velloso fez láááááááááá no VdP III (nos confins de Julho) e que, por algum motivo bizarro (provavelmente o amplo intervalo entre os meus artigos), eu acabei não respondendo no VdP IV.

Felipe Velloso escreveu:
Cara tenho que discordar de você em uma coisa… É simplesmente impossível adaptar Ravenloft para o D&D 4th. O clima do jogo seria destruído pelas dezenas de poderes que a nova edição apresenta, esse tipo de coisa em Ravenloft é muito rara, o mundo é medíocre e depressivo, não adianta muito usar esse tipo de abordagem.

Um dos cenários que eu escolhi para fazer meu primeiro playtest do D&D 4E foi justamente o Ravenloft, então nós discordaremos um bocado, Felipe. Discordo que não dê pra adaptar. Discordo que os poderes impossibilitem o clima gótico e, se o que você quis dizer é que a 4E não serve pra jogar Ravenloft, eu vou discordar muito de você  — o que é bom, afinal foi assim que surgiu a “saga” do Videogame de Papel.

Entendo perfeitamente essa impressão que o Felipe sentiu. Entendo, porque foi justamente por cause dela que escolhi o Ravenloft para o meu playtest 4E — fiz meio que de birra mesmo! Como um desafio… Afinal, um verdadeiro playtest tem que ter um belo risco de dar bugs no sistema, certo!? Bom, tudo mudou um bocado depois que li o DMG 4E, que foi quando eu entendi parte das coisas sobre as quais vou escrever aqui.

Sei como as coisas ficam complicadas quando tentamos combinar gótico e fantasia épica — e talvez seja aí que esteja o ponto chave do rebú todo — mas vamos do começo porque o assunto é polêmico e o artigo é longo pacas. :-)

“Desde os primórdios até hoje em dia…”

O Ravenloft foi concebido como um cenário de ação gótica. Se você errar na dose para equilibrar esses dois elementos no seu jogo (ação e gótico), seu Ravenloft corre o risco de degringolar feio no D&D. Foi exatamente essa a primeira coisa que o pessoal da Arthaus tentou fazer os jogadores entenderem (mal e porcamente, na minha opinião), quando tiveram a oportunidade nas mãos.

Vale uma boa olhada no primeiro capítulo do livro básico de Ravenloft 3E (especificamente nas páginas 6 e 7 na edição brasileira). Tudo nebuloso demais (sem trocadalho nenhum, rs), descartando toda a praticidade em nome de um acadecimicismo irritante e, na melhor das hipóteses, enfadonho. Faltou muita praticidade — e eu me contive aqui pra não usar a palavra usabilidade, que seria muito mais adequada, ainda que completamente fora de contexto.

Particularmente, aprendi o que é RPG de imersão total (deep immersion roleplaying game) em 1996, com Ravenloft “clássico”. Anos depois, quando a Devir comprou a briga do cenário (sem saber que a Arthaus ia fazer a caca que fez com a licença), eu fui o tradutor escolhido para a linha (momento curiosidade: antes de mim, era o Saladino “Katabrok” quem traduzia Raven, num trabalho digno de nota com o Domínios do Medo). Por conta dessa minha “origem” e do meu convívio com esse cenário, aprendi, joguei e mestrei cada vez mais Ravenloft. Tanto, que até hoje eu sou muito fã  — ok, eu perco pro CF, mas convenhamos, ele é doente por Raven! Evil

O Equilíbrio da Força

Quanto mais você desequilibrar o seu Ravenloft da proposta básica do D&D (que é um jogo de ação e não de drama), mais adaptações serão necessárias. Tanto é verdade que o próprio Felipe lembrou o quanto os game designers precisaram dar duro em adaptações (desde o AD&D) para incluir esse aspecto dos conflitos psicológicos na mecânica da coisa — foram novos tipos de testes, capítulos e capítulos com novas regras, quilos e quilos de novas tabelas e porcentagens esdrúxulas e, mesmo assim, muitas dessas adaptações conflitavam demais com coisas que já existiam (e funcionam bem até hoje) no coração do D&D.

Felipe Velloso escreveu:
No caso do D&D, até pode ser verdade, mas acredito que a interpretação ganha muito quando tem mecânicas atreladas a ela, seja na forma da “morality” e dos “derangements” do novo WoD, sejam os testes de loucura ou horror do velho Ravenloft.

Concordo plenamente que a mecânica precisa trabalhar em prol do enredo e da dramatização proposta pela temática, mas convenhamos, não é de hoje que o Raven e o D&D batem cabeça.

Exemplo? Os próprios testes de poder (power checks) eram uma tentativa de abordar mecanicamente o aspecto da corrupção do personagem. Funciona? Sim, mas “incomoda” no sistema de tendências. Minha sugestão? Ao invés disso, o sistema padrão de moralidade e ética (as tendências) deveria ter sido usado a favor da mecãnica da corrupção sem causar aquela confusão danada em muitos mestres/jogadores, que acabavam pedindo testes de poder por situações inapropriadas e muitas vezes ridículas.

“Ok garoto, pode pegar os d10s!”

Minha experiência diz que isso trabalhou muito contra o cenário na impressão de diversos jogadores. Criou-se uma espécie de preconceito contra Ravenloft e muita gente que eu conheci custou a sentar para jogar numa (boa) mesa para perceber que esse cenário não era:

  1. A cópia barata de Cine Trash que o cidadão imaginava que fosse.
  2. Call of Cthulhu com hormônios demais e esteróides de menos.

O resumo da ópera? O preconceito gera uma “elite” que joga e defende o cenário com unhas e dentes. Essa elite odeia o trabalho que Arthaus fez na terceira edição (pré Van Richtens Guides e Gazetteers) e fica mais cada vez mais arraigada no AD&D. Isso só atrapalha a povo a ver que não custa experimentar as novidades da 4E que, dentro do D&D, tem tudo pra encaixar bem melhor na proposta desse cenário que os remendos do AD&D e do D&D 3E.

A Parte Não É o Todo

O sistema de power checks (assim como o de medo, horror e loucura) foram desenvolvidos para serem um elemento do jogo em Ravenloft. Se a sua campanha será baseada na corrupção de personagens, existem sistemas com mecânicas muito melhores que o D&D para se jogar essa história, ou seja, o horror pessoal funciona como um sidehook em D&D — como elemento de trama e como plot para os vilões — já para os jogadores ele é só tempero e não o arroz com feilão.

Felipe Velloso escreveu:
Eu gosto muito da minha mesa de Ravenloft, fazem várias sessões que não preciso bater em ninguém, quase tudo é investigação, medo e loucura…

Então eu repito o meu (sincero) conselho: se você e o seu grupo gostam de jogar Raven com essa dinâmica psicológica em primeiríssimo plano, tem outros sistemas que vão deixar a coisa muito mais divertida pra vocês. Aliás, quando sugeri aquela lista de sistemas (no VdP I), esqueci de citar o Call of Cthulhu da Chaosium, que eu acho que é o mais indicado pra quem gosta de jogar com esses conflitos psicológicos no primeiro plano (e, à propósito, também virou um game maneiro sobre essa temática).

A sugestão do Cobbi nesse caso é?

Um bom teste que não exige sistemas obscuros e com leitura toda em português é o GURPS Ravenloft!

E que a Steve Jackson Games não nos ouça…

Tudo o que vc precisa é:

Se o grupo empolgar (como foi o meu caso) e quiser realmente vestir a camisa, vai ajudar um bocado descolar também:

Todo esse material está disponível em português e já resolve horrores! (Pegaram?!). Pra ajudar na adaptação, pesque todos os suplementos e romances de Ravenloft (principalmente os de AD&D) que você puder encontrar por aí.

A Física das Brumas (ou “Cuidado com seu Referencial)

Minha mesa de Ravenloft 4E? Tudo bem, obrigado! Como? Bom, tem um outro ponto que eu acho que faça uma baita diferença: as referências de ação gótica que o Mestre escolhe.

Para equilibrar essa balança delicada entre a ação cinematográfica e o horror psicológico, meus jogos de Ravenloft 4E são altamente influenciados pelas melhores referências de Ravenloft (como um cenário de horror gótico para um jogo de ação) que eu já conheci nesse meio tempo.

Exemplos dessa referências? Pois não: :-D

Sem sombra de dúvida, a Guerra do Pecado sempre foi a maior de
todas as influências nas minhas campanhas de Ravenloft…
  • A incrível saga de Diablo e do mundo de Santuário na sua luta contra o avanço dos três irmãos;
  • Os quadrinhos Spawn Dark Ages, leitura obrigatória para todo e qualquer fã de horror medieval;
Vampiros, lobisomens, ciganos e até o Frankenstein!
Ravenloft pra Wolverine nenhum botar defeito!
  • O filme Van Helsing que está longe de ser a oitava maravilha do cinema, mas que serve perfeitamente como um tremendo exemplo de Triplo X de horror medieval;
  • Os dois filmes de verdade do Batman (Begins e Dark Knight), que dispensam quaisquer comentários no quesito “ação + terror”;
Castlevania: Onde mais você pode matar o Drácula com um chicote?
  • E já que o nome do artigo é o que é, também não poderia deixar de fora toda a saga Castlevania!

Daí alguém vai dizer: “mas Cobbi, existem milhares de outras referências muito melhores para um bom jogo de Ravenloft“, certo? Calma! Segure as pedradas! Não há dúvida que Walpole, Stoker, Shelley, Poe, Byron, Sade, Doyle, Lovecraft e todo o restante da turma tenham realmente definido o que é o gótico, mas é justamente nesse ponto que eu queria chegar.

O gótico “de raiz” tem tramas baseadas principalmente nos conflitos psicológicos e nas crises emocionais. Esse “gótico mais puro” é muito mais voltado pro horror pessoal do que para a fantasia épica, daí concordemos numa coisa: jogar horror pessoal no D&D é simplesmente contra-produtivo, have a deal? E não é de hoje não, é desde sempre! Tudo provado por A + B aí em cima, pros mais teimosos.

E Como Fica a Coisa Toda na 4E?

Felipe Velloso escreveu:
Me divirto jogando D&D, e possuo os livros da primeira edição até a 3.5, mas sempre senti que o sistema era ruim de algum modo, pois não servia aos propósitos do meu tipo de jogo. Ainda sim, compreendo que é uma questão pessoal, e que D&D serve muito bem para campanhas de lutas épicas e fantasia medieval.

Se eu entendi direito o seu tipo de jogo, a 4E só vai te facilitar as coisas. Agora, os noncombat encounters — investigações, mistérios, debates, perseguições, invasões, fugas, enigmas, puzzles — recebem muito mais destaque. Sem eles, a nova edição fica até meio capenga. Leia sobre eles no Capítulo 5 do Dungeon Master Guide 4E. Vale cada linha.

O sistema de quests (pág 102, DMG 4E) foi outra mão na roda para os meus jogos de Raven: mais investigação, tramas mais envolventes, enredo mais complexo e integrado na mecânica — aliás, agora tudo está melhor integrado na mecânica da 4E: solucionar um mistério dá tanto XP quanto qualquer combate contra lobisomens — tudo sem adaptações, sem remendos toscos, sem dor de cabeça com porcentagens.

Os poderes ficaram mais cinematográficos? Oóóóóóbvio! E aí chegamos no ponto onde você, leitor (pela glória de Tymora, pq eu já bati os recordes de tamanho nesse artigo) entende o motivo de eu ter escolhido as referências que escolhi ali em cima: são todos ótimos exemplos de como retratar o gótico de maneira cinematográfica sem perder a atmosfera e o clima de jogo!

Concluindo, dá pra jogar Ravenloft no D&D 4E? Ô se dá! Eu mesmo faço isso (aliás eu mestro isso)! :mrgreen:

Será que sai mesmo? (e se sair, será que fica bom?)

Se a minha expectativa sobre os cenários 4E já aumentou tudo o que aumentou depois daquilo que o Tio Bill disse na Dragon (e eu posto minha opinião sobre Forgotten 4E em breve aqui no d3system), imagine você, caro leitor, a quantas anda a minha ansiedade em relação a Raven 4E… :roll:

Sua mãe não te ensinou a experimentar antes de jogar as coisas de lado no prato?

Felizmente agora, depois de jogar um belo bocado de D&D 4E, eu já consigo ver que a 4E é tão compatível com um potencial Ravenloft 4E quanto o D&D red box era compatível com o Castle Ravenloft lá pelos idos de 1983 — ou tanto quanto o AD&D combinava com o Domains of Dread, só que agora é mais provável que não precisemos daquele monte de porcentagens toscas e tabelas esdrúxulas.

De onde eu tirei isso? Primeiro, tivemos uma notável (ainda que tardia e já citada) melhora da linha Ravenloft ainda nos estúdios Sword & Sorcery. Depois, porque a WotC evoluiu um bocado no gênero do horror — primeiro com o Libris Mortis e, saem súvida nenhuma, com o Heroes of Horror, dois suplementos espetaculares dentro dessa temática. Para coroar, tivemos o retorno triunfante da WotC ao Ravenloft propriamente dito com o estupendo Expedition to the Castle Ravenloft.

Óbvio, existem certas coisas que não devem ser esquecidas nunca. No fundo, é tudo uma questão de ponderar sobre o público-alvo, resgatar a intenção conceitual do cenário, beber nas referências certas e usar um sistema de regras adequado. É legal mirar no jovem? Óbvio! Mas não custa manter certas raízes e, pelo amor de Ezra, devolver ao novo Strahd os ares de Bela Lugosi, ambos clássicos inquestionáveis que merecem ser respeitados como o tal. Nada contra criar coisas novas e maneiras, mas tem certas referências que não podem (nem devem) ser mudadas. Mesmo que virem lenda (e nesse ponto aqui eu concordo plenamente com a Dani e com o Guzzon).  :-)

That’s All Folks (or Almost All…)

Fora todo esse meu otimismo — e essa batelada de texto aí que eu escrevi — tenho pouco a acrescentar sobre um provável Ravenloft 4E. Sei que quase ninguém percebeu direito ainda a aparição da Grêta Sombria na aventura introdutória Fortaleza no Pendor das Sombras, mas está fácil de ver mais ou menos como as coisas vão rolar. O Shadowfell não me engana e que venham poderes sombrios! Eu e meus heróis estamos mais do que prontos pra vocês — e agora temos pulsos de cura pra incrementar! :-D

” — Ei gata, não era você naquele filme de vampiros que foi processado pela White-Wolf?
— E com essas harpias e essa besta de repetição +5 vc acha que escapa da WoTC?”

A bola não pára, os comentários estão abertos e eu estou longe de achar que esse assunto morre aqui. Entretanto, vou manter a polêmica de Raven 4E nesse artigo e nos comentários dele.

No próximo VdP, darei a atenção marecida aos comentários que surgiram semi-aleatoriamente nos artigos anteriores (como a chinelada do Soneca na 4E e a constatação WoWística da nobilíssima — e agora ruiva — Vivi, a matadora de instâncias). Wow que, aliás, ainda vai dar muito pano pra manga por aqui.

Veja Mais:

21 Comentários

Daniel Anand

8 de setembro de 2008

Fantástico post. Concordo contigo 100%: use o D&D para jogar D&D. O decote da Aleera é bônus.

Washington

9 de setembro de 2008

Materia muito boa! Eu sempre vi raven como uma extensão do WoD e achava dificil imaginar uma sessão em lvl altos de dnd nesse cenário. Mas depois de ler tudo  isso estou convencido a arriscar usá-lo na 4ed!

Nibelung

9 de setembro de 2008

Podia usar a imagem do Domínios do Medo naquela que reune todas as capas de Ravenloft. Se não me engano, foi a primeira tradução oficial da Devir pra AD&D, não?  Se a capa do livro da 3ª edição também fosse do importado, eu não iria reclamar disso.

Shin

9 de setembro de 2008

REALMENTE, tenho que concordar que muito do que foi dito esta coerente, mas também tenho que dizer que algumas coisas estão em certo ponto, “fora do lugar”

Cobbi, Dracula não é um “horror pessoal”, assim como “Van Helsing” também não. Sei que D&D não é casa para quem quer jogar qualquer coisa sobre horror pessoal, mas tentar juntar essas duas coisas (D&D + Horror Pessoal) é definitivamente complicado.

Irei dizer que muito do que foi dito aqui, irá me fazer ler novamente os livros de Raven (eu o li uma vez, mas não tive o interesse… quem sabe dessa vez as coisas funcionam), mas tenho que dizer que se raven é para ser uma “ação gótica” acho que ira perder um pouco da graça.

Bem Cobbi um abraço, ótimo texto! ^_^

Ismael

9 de setembro de 2008

Eu estou admirado com este artigo, Cobbi. Eu tinha a impressão que tu eras um desses defensores fanáticos de D&D, praticamente religioso. Mas gostei do artigo. Me pareceu bastante sensato – tá, vou falar a verdade, o que me convenceu no artigo foi ter afirmado que há outros sistemas mais apropriados pra determinadas temáticas, coisa que eu imaginava que tu pensavas que D&D (ou o sistema D20) se aplicava universalmente e satisfatoriamente a tudo - e consistente.

E me diga uma coisa, porque vocês desapareceram da casa de vidro?

Eve Blood

9 de setembro de 2008

Cobbi ficou ótimo o artigo. Ravenloft é um dos meus cenários favoritos, e a sua opinião sobre o 4e e Ravenloft é bastante interessante.

Por sinal, vi o vídeo de tu mestrando… Com um Mestre empolgado desse jeito e com o teu conhecimento, é aquela coisa que eu sempre digo “qualquer sistema é bom quando tu tem um bom Mestre”, qualquer sistema assim fica bom, fica adaptável, fica divertido, etc.

Tu com certeza conseguiria adaptar até o cenário de “Kill Puppies for Satan” (vide blog da Matilha)  com a 4e.
o.o

:***

Raul

9 de setembro de 2008

Também estou esperando muito pelo lançamento de Ravenloft para a 4ª edição. Conheci o cenário pelo livro básico da Arthaus e tive uma experiência um tanto quando decepcionante, pois senti no livro um clima geral de “você já conhece o cenário das edições anteriores, portanto não vamos dar detalhes”.

Depois de muito quebrar a cabeça, cheguei praticamente a mesma conclusão deste artigo, de que Ravenloft + D&D estão mais para como o WoD É jogado do que como ele DEVERIA ser.

Falam tanto dos action points e healing surges, mas eu acho que, somados ao second wind, eles são uma ótima adição a Ravenloft por permitirem aqueles momentos dramáticos “reunindo as últimas forças para combater o vilão” depois de apanhar bastante. Afinal, pra mim, Ravenloft não é um cenário para o Mestre fazer os jogadores sofrerem na mão de super vilões, mas sim um cenário sobre feitos heróicos.

Alexandre

9 de setembro de 2008

O artigo está muito bom mesmo!

Meu irmão tem uma caixa de Raven e eu nunca dei importância… Agora fiquei com vontade de ler a ambientação só por causa do texto.

Acho que essas brumas aparecerão na minha mesa.

Allana

9 de setembro de 2008

Opa! Bem, eu nunca fui lááá muito chegada em Ravenloft. Acho que porque nunca joguei. Cheguei a comprar o Domínios do Medo, dei uma olhada rápida mas não me empolguei. Apesar que a idéia do cenário eu já tinha, só nunca parei pra olhar a mecânica e tudo o mais.

Só tenho uma coisa pra acrescentar às referências, Cobbi: não precisa ir tão longe (Byron e Poe, que aliás são ótimo até como literatura just-for-fun), mas tem Álvares de Azevedo, aqui no Brasil mesmo.  Já leu a peça “Macário” dele? É bem ao estilo Raven, e não deixa a dever a ninguém! ;)

Melgalian

9 de setembro de 2008

(Ansioso para o VdP que fará uma crítica semelhante sobre o FR…)

Rey Jr

9 de setembro de 2008

Eu fico até com medo de parecer um Fan-boy do Cobbi, D3, D3sys e D&D 4e pq sempre comento “Concordo!!!”.

O fato é que o Cobbi me disse uma vez uma frase que adotei como minha: Eu sou o publico-alvo que o 4E queria atingir!

Eu me encaixo certinho no modelo de jogo apresentado até agora. Todas as sessões de 4E que mestrei até agora ficaram com um gostinho de “queremos mais”.

E não sou um defensor fanático do 4E. Eu sei que ele desagradou e desagrada a muitas pessoas e não atingiu a expectativa e o estilo de trocentas pessoas. O engraçado é que até agora grande parte das reclamações do pessoal tem uma defesa sensata por aqueles que realmente quiseram ler e entender o 4E.

E quando postam um artigo como esse, putz, só fica de birra quem quer. Ou seja, apenas as viuvinhas do 3.X que torraram centenas de reais e agora “perderam” seu material. Favor frisar as ASPAS.

Então pelo que parece os cenarios do 4E lançados pela WotC serão:
- Forgotten
- Eberron
- Ravenloft
- Dragonlance
- Dark Sun

É isso ou to enganado? Se for, to mais que satisfeito!

Abraços!

PS: E apenas pra esclarecer: Eu disse “…só fica de birra…”, e não “…Só não adota o 4E…” . Voce pode nem adotar o 4E porque não faz seu estilo, seu gosto… sem problema algum qto a isso.

Mas torcer o nariz para tudo relacionado ao 4E e aos vários beneficios que o 4E trouxe á mesa de jogo é birrinha sim, e o senhor é uma “viuvinha”, meu amigo! Hehehehe :mrgreen:

Daniel Don

9 de setembro de 2008

Carácoles Bruno, esse artigo tá genial. Pegou a bola, passou o time adversário inteiro, deu chapéu e meteu na saia do goleiro.

Eu e a Elisa sempre fomos partidários do fato de que Raven é um cenário duca, mas não funciona com D&D, ao menos não com a proposta que geralmente se quer dar. Mas, como você provou mesmo, é possível rolar terror + ação e ser muito bom mesmo.

Nossa campanha da 4ª Edição em Eberron teve mais ou menos esse clima nas primeiras sessões.

Aliás, a 4E tem muito pano pra manga para um jogo “ravenloftístico”, com coisas como warlocks (star e infernal pack, principalmente), tieflings, anjos e paladinos malignos (a figura do anjo negro só pelo nome já é legal).

Queria jogar essa campanha de Raven tua… :-(

Grande abraço!

Felipe Velloso

10 de setembro de 2008

Caramba, me senti honrado agora com esse post, muito obrigado mesmo pela oportunidade de dar prosseguimento a essa discussão, ainda que infelizmente não sei se poderia acrescentar muita coisa a mais.

Primeiramente, dentro dessa abordagem terror+ação, acredito que realmente a quarta edição pode funcionar sim, principalmente se o narrador se esforçar para trazer dramaticidade e personalidade a cada sessão. A impressão que me incomoda, e que também parece incomodar meu narrador de ravenloft já vem desde a terceira edição. Ainda que a versão dos livros pela White Wolf seja fantástica (principalmente os gazetters), o próprio sistema D20 me parecia um pouco anti-climático para o tipo de jogo que gostamos de fazer. Não há como evitar, conforme vai se passando os níveis, os poderes me parecem cada vez mais exagerados para um cenário onde ninguém mais tem esse nível de poder.

Na verdade, já fazem algumas sessões que eu, e alguns outros jogadores até pensamos na idéia de fazer a sessão trocar de sistema de novo (ela começou com AD&D, mas logo trocamos para a terceira, que o narrador ainda desconhecia), para algo como Gurps, ou quem sabe até, usar o meu Cthulhu Dark Ages (o que não falta aqui é um sem número de títulos de horror), ainda não estreiado.

Eu até gosto dos testes de power check, horror e loucura, mas acredito que existem melhores formas de se produzir esses efeitos com sistemas mais direcionados para esses temas. Utilizando como você mencionou, o próprio sistema de tendências do jogo, minha pergunta é: como você os adaptaria para a quarta edição?
Acredito que muita coisa boa e divertida pode ser feita com o novo D&D, ainda que não ache que D&D (em qualquer edição) esteja entre os melhores jogos de RPG, uma opinião bastante particular baseado no tipo de crônica que gosto de narrar e jogar.

Ravenloft é um cenário que se encaixa relativamente bem com meu tipo de mesa, ainda que as temáticas que eu usaria nesses jogos seriam diferentes das suas. Eu gosto de ver Revn como um mundo medieval em ruínas, não só socialmente, como também psicologicamente. Um lugar miserável, para um povo miserável, mesquinho e superticioso. Onde o terror se espalha em todos os lugares: nos ratos mortos e fedidos em sacos de comida ao sombrio lorde no castelo, que devora aos poucos as almas camponesas. Um mundo onde homem comum não entra em uma floresta, pois teme e respeita as criaturas da noite que lá vivem.

O prelúdio de nossa mesa, entitulada “o mal íntimo”, girava em torno de uma maldição de um artista que teve sua amada roubada. Acreditando na morte da mesma, a partir de uma série de circustâncias, ele acabou sendo queimado vivo em sua mansão. Desde esse dia, a cidade foi morrendo aos poucos, conforme todos os cidadãos lenta e dolorosamente se transformavam em pedra. Meu personagem, um Baroviano chamado Grigori Stravislaos, um ex-clérigo do senhor da manhã, atormentado pela inexistência de seu deus, que abençoa até mesmo atos vis, busca junto com um ocultista e amigo, Ilume, uma forma de fugir desse plano. Somos chamados para investigar a cidade que definha, e tentar reverter a maldição. Enfim, acho que já deu para ter uma idéia. Claro que cruzamos com alguns conflitos físicos pelo caminho, mas eles eram interlúdios de pequena relevância, hoje a crônica já avançou ao ponto de termos personagens cada vez mais modificados, e mais sombrios, conforme descobrimos que nossos personagens possuem uma alma maculada com um fragmento de uma antiga entidade demoníaca.

Gostei bastante do post, não sei se tenho muito a acrescentar ao mesmo.

Kalouro

10 de setembro de 2008

Parabens pelo post muito bom, mas pra mim ficou assim:

Raven 4E = Van Helsing “The Wolverine” Film

Franciolli Araujo

11 de setembro de 2008

Só tenho a parabenizá-lo pelo artigo, Cobbi.

Gostaria de informar que o link do VdP IV está apontando para o VdP III.

Queria saber o que significa a sigla VdP que o Melgalian deixou lá em cima.

Paulo Baccarat

11 de setembro de 2008

Hey, Cobbi, ao que parece o boato se confirmou, mas resumindo, o VP de digital gaming da WotC confirmou que sairá Domains of Dread na Dragon de Outubro, mas como material core.

Melgalian

11 de setembro de 2008

Franciolli escreveu:
Queria saber o que significa a sigla VdP que o Melgalian deixou lá em cima.

Hmm… Peraí, professor! Como assim? Logo acima disso você informa:

Gostaria de informar que o link do VdP IV está apontando para o VdP III?!

Seria o mesmo Videogame de Papel? ;-)

PS: E minha citação se referia ao dito do Cobbi:

Cobbi escreveu:
e eu posto minha opinião sobre Forgotten 4E em breve aqui no d3system

Nibelung

12 de setembro de 2008

Franciolli escreveu:
Queria saber o que significa a sigla VdP que o Melgalian deixou lá em cima.

Videogame de Papel, essa seção que o Cobbi faz a cada 1d4 semanas.

Dani

12 de setembro de 2008

Caramba, mto bom o artigo, da até vontade de jogar Ravenloft.

Nunca joguei Raven, mas pelo que conheço do conceito acho bacana a proposta, apesar que eu nunca tinha pensado nele pela perspectiva de ação gótica, para mim a idéia gótica é um pouco mais Era Vitoriana do que horror medieval. De qualquer maneira, com certeza não sou a melhor pessoa para dar opinião sobre conceitos para Ravenloft.

A questão de atribuir bastante XP por solução de mistério é algo que normalmente já acontece nas mesas em que eu jogo e que eu acho particularmente inteligente, por dois motivos: primeiro porque muitas vezes fazer isso é muito mais difícil do que combater; segundo porque é um incentivo para os jogadores criarem personagens que são mais do que apenas máquinas de guerra e existem personagens com habilidades de combate mais defasadas, mas que podem tornar uma campanha bem mais interessante. Nesse quesito então, ponto para o 4E por cuidar da mecânica desse sistema.

Mas Cobbi, dá para jogar de gnomo na versão Ravenloft de 4ed? hahahahahaaha brincadeira…

Rey Jr., é claro que tem birrinha, e eu mesma admito que sou um pouco birrenta, como o Cobbi tinha mencionado no primeiro artigo, é um sentimento comum em relação a mudanças. 

Acho que o importante mesmo é termos consciência e sabermos identificar que partes do sistema não são compatíveis com o nosso estilo de jogo e que partes são só birra mesmo, porque no fim das contas isso vai ser o mais importante para escolher entre migrar ou não para o 4E.

Rey Jr

13 de setembro de 2008

Concordo contigo, Dani.

Eu não quero dizer que quem não mudar pra o 4E é birrento e assim começar uma “guerra de edições”. Cada edição tem o seu “sabor”, seu toque. E vai do gosto de cada um. Mas quem lê o 4E com calma e sem pré-conceitos, vai identificar nele muitos pontos bons que inclusive podem ir parar em seu jogo de 3.X.

Acho que esta é a beleza da coisa. As versões não são compativeis mas elas se “comunicam”.

lol

2 de outubro de 2008

Maneiro o post, mas oq me chamou mais atenção foi:

Mulheres bonitas jogando D&D!!

Pensei q elas ficassem só na área de Vampiro.. acho que Ravenloft realmente é uma boa com certeza! :P

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