Wod: Crossover

Postado no dia 14 de julho de 2009 por em Artigos, Mundo das Trevas

Na palestra de Mundo das Trevas que o Fábio Sonner e eu ministramos durante a RPGCON 2009, surgiu uma dúvida interessante entre os presentes: no mundo das trevas, um crossover (“cruzamento”, em português) significa a interação entre personagens de linhas de jogos diferentes — magos num jogo de Lobisomem, ou Vampiros no mundo dos espíritos. Na teoria, essa opção foi criada para enriquecer o jogo, mas será que ela funciona na prática?

Um fino véu

Under a Blood Red Moon

O primeiro suplemento a detalhar os crossovers entre as linhas de jogos da White-Wolf foi o Under a Blood Red Moon, um livro que mostra a invasão dos lobisomens na cidade de Chicago, e as implicações dessa guerra do ponto de vista dos Garou e dos membros.

Um sucesso de vendas e críticas, esse suplemento permitia tanto narradores quanto aos jogadores interpretarem ou introduzirem em seus jogos os lobisomens invasores ou os vampiros sobreviventes.

Vendo nisso uma oportunidade de ouro, a White-Wolf logo começou a lançar diversos suplementos com essa temática. Dentre eles, os mais destacados são o World of Darkness e a série Rage Across.

Mesmo sistema, opções diferentes

Vampiro e LobisomemA primeira vista, personagens diferentes que utilizavam o mesmo sistema de jogo parecia ser a coisa lógica a se fazer para continuar atraindo novos jogadores. Porém, o que a White-Wolf não levou em consideração foi que apesar de utilizarem o mesmo sistema, as linhas de jogo eram tão diferentes entre si que a inserção de personagens de outro cenário causaria o caos em qualquer crônica!

O exemplo mais clássico desse problema é uma particuliaridade entre os vampiros e os lobisomens. Um vampiro com 5 pontos na disciplina Rapidez e um lobisomem que possua o dom chamado espírito de batalha. Quem agiria primeiro?

Pela regra, não temos uma definição. Logicamente o melhor árbrito dessa questão é o narrador, mas essa é somente uma das inúmeras falhas mecânicas que só vieram a ser encontradas quando os crossovers já estavam a todo vapor.

Uma solução coerente

Sotyteller Handbook RevisadoCom o lançamento do Storytellers Handbook Revisado — um dos melhores livros da White-Wolf, na minha opinião — uma pequena luz foi lançada sobre esse problema. Uma solução simples que tinha como intenção acabar com um problema antigo.

Como os crossovers eram uma discussão delicada até mesmo dentro da editora, no lançamento desse suplemento, Justin Achilli — um desenvolvedor da linha na época — decidiu que era o momento de um posicionamento oficial sobre o assunto. A sua solução foi que a melhor forma de se resolver os problemas com os crossovers era que a linha de jogo sendo narrada no momento ou a que tinha maior envolvimento na história prevaleçeria sobre as outras.

Em outras palavras, se você está narrando uma crônica sobre vampiros, eles sempre terão a vantagem sobre as outras linhas que estão incluídas no crossover. Algo simples, que os narradores ao redor do mundo provavelmente já utilizavam, porém, depois da posição oficial do desenvolvedor da linha, diminuiu drasticamente o espaço para reclamações.

Um Mundo das Trevas

Ao meu ver não existe nada melhor do que um jogo coerente, onde as atitudes dos jogadores possam influenciar o andamento do cenário criado pelo narrador.

Para os jogadores — ainda mais aqueles que estão sempre ligados nos novos lançamentos e como eles podem afetar o seu jogo preferido — também é  gratificante ver a interação de seus personagens com os personagens de outras linhas.

Vampira

O crossover existe para preencher essa lacuna. Contudo, se for aplicado sem controle, indiscriminada ou levianamente, ele deixa de ser uma ferramenta muito útil na composição das tramas de um enredo e pode acabar arruinando qualquer crônica.

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11 Comentários

Wellington

14 de julho de 2009

Foi esquecido a linha Dark Ages que facilitava bastante crossovers embora não os incetivassem com a finalidade de não tornar o sobrenatural banal e, não por problemas de metafisica, regras ou cenário como era o caso o WoD moderno, houveram até mesmo UNS TRÊS suplementos dessa linha que tratavam de todas as criaturas da época.

Anderson

14 de julho de 2009

Mas vsc falaram só do antigo WoD.

No novo cenario de Vampiro: Requiem, Lobisomen: Distituidos etc, isso foi em grande parte resolvido ja que as regras unificadas e mesmo nos livros basicos há dicas de como lidar com o encontro de diferentes seres sobrenaturais.

Necco

14 de julho de 2009

Ainda não li, mas acredito que o novo WoD vá resolver muito melhor que o antigo esses problemas.
E pra mim, a linha Dark Ages num facilitava tanto as coisas não. Um dos meus primeiros personagens que o diga, levou uma surra catastrófica de um lobisomem jovem em Vampiro: Idade das Trevas :-)

Gilson • RPG • educação

14 de julho de 2009

Um narrador não deixou eu ser lobisomem numa mesa de vampiros nos anos 90…

Gilson

Welwerin

14 de julho de 2009

Crossover no OWOD é merda na certa.É prefirivel jogar NWOD para fazer isso.

Fabio Sooner

14 de julho de 2009

Mas vsc falaram só do antigo WoD.

Anderson, eu toquei nesse assunto no texto sobre Passado e Futuro do Mundo das Trevas.
Procure na terceira parte, “Como?”, lá no meio do texto.

E também, não tem muito o que elucubrar sobre isso no novo Mundo das Trevas: o sistema básico é o mesmo. O que dá pra considerar é o conflito *de temas* – mas aí, entra-se em um território que depende muito mais dos interesses do grupo de jogadores em si do que dos temas do cenário. Talvez um dia eu escreva algo sobre isso, talvez não, porque cada um vê cada jogo de uma maneira diferente. Se o fizer, será de um ponto de vista puramente pessoal.

Cauê

14 de julho de 2009

SAMUEL HEIGTH!…
pronto falei :P

Cauê

14 de julho de 2009

justificando o comentario solto:
Faltou falar do maio erro/exageiro em crossovers ever made na historia do mundo das trevas :P
O parente, carniçal, com uma reliquia que concedia dominio sobre esferas, que virou um cinzeiro no mundo das limbo!
só faltava ele ter tido um caso com uma mumia, ter libertado os demons e ser parente de fada XD

Cauê

14 de julho de 2009

outro errinho é Samuel Haight o nome do coiso :P

Ivan Prado

15 de julho de 2009

Cara, muitas regras no velho WoD você PRECISAVA abstrair, ainda mais em se tratando de crossover. Regras nunca foi o forte do jogo antigo, e a arbitrariedade comia solta.
Realmente o cenário era a única coisa que salvava o velho WoD… ótimo cenário, regras zero.
Sou mil vezes mais o “não tão novo” Mundo das Trevas, que também tem um ótimo cenário, mas com regras mais condizentes.

Caio

20 de agosto de 2009

No NWoD a questão técnica é tranquila. Senti só um pouco de dificuldade (e isso já acontecia no antigo) porque os Magos são descaradamente mais poderosos que o resto, o que torna as coisas mais complicadas.

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