WoDBrasil News #4: Deadline
Postado no dia 17 de junho de 2009 por Fabio Sooner em Colunas, Mundo das Trevas
Esta semana está difícil. Não por falta de novidades – até tem – mas de tempo livre mesmo. Uma série de atividades nas quais me engajei recentemente estão se aproximando de seus prazos finais, e com isso, não deu para fuçar muito nas minhas “fontes jornalísticas”. Se você sentir falta de algo importante, por favor, sinta-se à vontade para acrescentar à coluna via comentários; chequei a postagem semanal da reunião de desenvolvimento da White Wolf, a página inicial deles, as prévias de Geist e os lançamentos, e praticamente nada mais. Como as melhores fontes mesmo são os fóruns e blogs pessoais dos autores, mas estes exigem um pouco mais de garimpo, há uma chance razoável de uma pepita, digo, boa informação estar rodando por aí.
“This ain’t no party, this ain’t no disco,
this ain’t no fooling around
No time for dancing, or lovey dovey,
I ain’t got time for that now“
- Talking Heads
Raciocínio + Investigação
Anúncios, livros futuros, notícias!
● Uma segunda chance para as prévias de Geist: A prévia de Geist: the Sin-Eaters do último dia 10 (por coincidência o dia em que esta coluna estava saindo) não revelou muita coisa; com apenas uma pequena peça de ficção, ficamos sem saber nada de concreto, seja em relação ao tema, ao clima, ao cenário ou às regras. Já a de ontem (esta coluna agradece!) nos entregou algo mais palpável. Primeiro, um pouco mais sobre a natureza da criatura – com descrições como “mais do que fantasma, menos que deus” – e sobre o processo de fusão, que acontece quando a alma do quase-morto “chama” um geist para si e este oferece uma “Barganha” (sim, é termo de cenário mesmo). Ou seja, há algo de especial na alma daquele mortal, e os geists existem já no reino dos mortos antes da fusão! Como cereja do bolo, temos a descrição no rodapé da capa do cenário: “Um Jogo Narrativo de Segundas Chances“. Hmmm.
Presença + Expressão
Últimos lançamentos
> Ready-made Player Characters: The Keepers (Hunter: the Vigil, PDF)
A coleção Ready-made Player Characters (Personagens jogáveis prontos) apresenta personagens de diversos jogos de Mundo das Trevas para aqueles que não têm tempo (ou saco) de preencher fichas, especialmente quando se tenta preparar uma sessão de RPG de última hora só para passar a tarde ou a noite. O terceiro pacote, The Keepers, apresenta uma célula de caçadores com cinco personagens mortais apropriados para Hunter: the Vigil e inclui fichas em versões “básica” e “avançada” para cada um, dicas de interpretação, histórico e sugestões sobre como usá-los em conjunto com alguns SAS previamente lançados, como Bad Night at Blackmoon Farm.
Um Ponto de Força de Vontade
Pensando alto, resmungando, ruminando
Esta semana tenho corrido para ler todos os 101 contos do Concurso Cultural Eu Criatura, como jurado do negócio. E olha… Muito para minha surpresa, o nível está relativamente alto. Antes de começar a ler, criei quatro pastas para “filtrar” os contos à medida que os lia, chamadas “Já Ganhou”, “Bom”, “Razoável” e “Lixo”. A rigor, não deveria precisar da “Razoável” – “Já Ganhou” e “Lixo” são para o joio e o trigo, e a pasta “Bom” me salvaria se não chegasse a escolher pelo menos 5 contos para a “Já Ganhou”… Mas eu não me sentiria bem de chamar um conto apenas mediano de “lixo” ou de “bom”, então…
O que importa nisso é que tinha certeza de que a pasta “Lixo” iria ficar abarrotada. Podem me chamar do que quiserem, mas o nível do material que vejo por aí na Internet não me convencia do contrário. No final das contas, não apenas a tal pasta não está lotada, como tem menos contos do que as outras pastas combinadas, enquanto a “Já Ganhou” tem pelo menos 8 – e olha que ainda não li a metade do total. Vai ser difícil escolher… Ainda bem que este concurso tem diversos jurados.
Mas tudo isso é, na verdade, um preâmbulo para o que vinha me incomodando realmente, que é o seguinte: alô pessoal de Vampiro, vamos tentar sair um pouco do óbvio? O concurso tem contos representando todos as criaturas sobrenaturais – até fantasmas – mas os que envolvem vampiros são, disparado, os que mais caem na pasta “Lixo”.
E o pior é que não acontece por questões como estilo de escrita, precisão gramatical, falta de tato na hora de usar figuras de linguagem ou mesmo de uma boa cena de ação cinematográfica, e sim por falta de idéias mesmo. Perdi a conta de quantos destes contos retratavam a noite do Abraço de um mortal e – oh, meu Deus, agora eu sou um Amaldiçoado! Ai de mim! Nunca mais verei o sol/minha amada/a vida da mesma maneira, etc. etc . etc. [insira os adjetivos e advérbios floreados que preferir].
Em alguns destes casos, o conto era um primor em termos de escrita pura, mas foi parar na pasta Lixo assim mesmo. Não apenas estou sem tempo nem saco para ler a mesma história pela milésima vez, como considero este clichê extremamente contraproducente em relação a Réquiem. Alguém pode saltar e dizer “pô, mas o jogo enfatiza ainda mais o horror pessoal do que antes”, e eu respondo – mas é exatamente por isso. Chororô romântico-emo-parnasiano não é horror pessoal, e sim punheta pseudo-literária.
Uma das melhores coisas de Réquiem foi justamente enxugar o cenário e definir limites para “forçar” os jogadores e narradores a desenvolverem os personagens por conta própria, em vez de se escorar em eventos cataclísmicos/globais ou em crossovers mal disfarçados (como doenças vampíricas alienígenas e o escambau). Réquiem é um exemplo claro de como trabalhar dentro de um escopo bem melhor definido aguça a imaginação, e os suplementos da linha nos últimos dois anos demonstram isso claramente. E vocês me vêm com derivações de Anne Rice ainda a esta altura do campeonato, quero dizer, do concurso?
Bronca dada, nem tudo é trevas (pun intended). Talvez justamente porque alguns sacaram a jogada de Réquiem, quando um conto sobre vampiros não era lixo, ia no mínimo para a pasta “Bom”. Tenho me esforçado para não sobrevalorizar estes por puro contraste, já que seria injusto com os outros contos sobre magos, lobisomens, changelings e afins. Mas pelo menos dois foram para a “Já Ganhou”: um pela idéia central, e outro pela forma. O primeiro se aproveitou bem de algo muito característico a Réquiem (isto é, que não existia em Máscara), e o último merece menção especial mesmo que não termine entre os finalistas: o autor partiu da mesma base “a primeira noite como vampiro” que quase todo mundo usou, mas com um viés completamente inesperado, sem crise nem “ai de mim”, e sem esquecer do horror – e ainda estabeleceu este viés com um recurso formal de diálogo bem peculiar. Kudos!
Vamos ver o que o resto da semana lendo os outros contos nos reserva…
Vantagem: Arsenal
O que vai chegar na prateleira de casa
Vai chegar livro desta vez, e logo: World of Darkness: Immortals e Ancient Bloodlines (finalmente!). Segundo a UPS, eles chegam amanhã. Portanto, vocês têm a semana toda para fazer perguntas e matar qualquer curiosidade sobre eles que eu possa verificar em uma olhada rápida. Vão pensando!
Teste de Moralidade
E se fosse Call of Chtulhu, seria de Sanidade…
Para quem acompanha o Terra, saiu anteontem uma história bizarra envolvendo tatuagens supostamente feitas contra a vontade no rosto de uma garota belga. O estado do rosto da moça me gerou aquele tipo de aversão que te faz parar para olhar e ter certeza, como em um acidente de carro na esquina, sabem? E fico me perguntando se isso não dava uma história nada usual de Mago: o Despertar… Eis o link para um vídeo com a última notícia sobre o assunto, com um bom resumo do caso todo:
Tatuador se oferece para pagar metade da remoção das tatuagens
Fim da sessão
<mode=”piada interna”>Tá bom, acabou, tá bom, tá bom, tchau!</mode>




































11 Comentários
Felipe Velloso
17 de junho de 2009
Totalmente te compreendo, tirando raras exceções os contos de Vampiros ficaram todos absolutamente iguais, o que foi bastante chato devido a quantidade de pessoas que optaram por narrar histórias de vampiros.
Tenório
18 de junho de 2009
ô moço, li que o senhor está ocupado, mas, já que você pediu para comentar, posso sugerir??? Que tal você responder as dúvidas que eu te dirigi na última coluna????Abraços!
Lucas Wathas
18 de junho de 2009
Deve ser engrçado os concorrentes lendo isso. Eles estariam pensando: “Será que esse sou eu? Será? Será?”
Opa, eu sou um dos concorrentes.
Quanto a quantidade de contos de Vampiros, acho que é porque é o cenário mais antigo lançado, o que dá um tempo para nos familiarizarmos com ele. Eu teria escrito algo sobre Mago se eu soubesse o suficiente do cenário mas como não sei….
Enfim, continue com essa ótima coluna, que eu gostaria que fosse mais frequente!
Álvaro Guedes
18 de junho de 2009
Primeira vez que posto na coluna do Sonner, desde o fim de seu blog.
O problema dos contos de vampiros é a propria figura em que se tornou o vampiro: mais romântico e açucarado que monstruoso (e sim, É uma crítica ao Crepúsculo e seus Vampíros “brilhantes”, afff…). As pessoas deveriam retomar o vampiro literário de seus primórdios (alô, leiam mais Polidori, LeFanu e Byron!hehehe).
Fabio Sooner
18 de junho de 2009
Lucas escreveu:
Pois é, eu gostaria de poder ler mentes agora :-)
Lucas escreveu:
Isso é fato. Mas ao mesmo tempo, também significa que há MENOS desculpa para se fazer um conto com a mesma velha história da noite do Abraço, não? O jogo está aí há mais tempo, tem mais suplementos, mais referências…
Meu problema não é a quantidade, isso era de se esperar. O Álvaro acertou na lata:
Álvaro escreveu:
E mesmo no campo “vampiro romântico”, tem o que explorar. Não precisa ficar só na Síndrome de Louis (de Entrevista com o Vampiro).
…
Tenório, tem como segurar até o sábado? :-D
Tenório
18 de junho de 2009
Sooner,
Beleza! Espero a próxima coluna então!
Abraços e boa leitura!
Lucas Wathas
18 de junho de 2009
Bem, não estou defendendo as pessoas que escreveram o Emo-Vampiro-Clichê, porque não estou mesmo. Só estou defendendo a quantidade de contos.
Bem, acho que não posso comentar muito a esse respeito, depois eu sou desclassificado… heheheh
Fabio 'Sooner' Macedo
20 de junho de 2009
Lucas escreveu:
Sim, eu entendi. Mas como o texto só se preocupa com a qualidade – quem citou a quantidade foi o Felipe; o texto em si não questiona isso – achei que era um bom complemento apontar que o argumento que vale pra quantidade funciona ao contrário para a questão da baixa qualidade.
Lucas escreveu:
Bom. Primeiro, pode apostar que eu não desclassificaria contos com base em percepções pessoais quanto ao autor. Segundo, mesmo que algum jurado fosse capaz de fazer algo tão mesquinho (o que eu duvido), nós recebemos os contos sem os nomes dos autores. Veio apenas o texto e o número da inscrição. Não sabemos nem se um determinado conto é do mesmo autor que outro (são 101 contos e 87 autores, se não me engano, de acordo com o minisite do concurso).
Lucas Wathas
23 de junho de 2009
Bem, quanto a eu ser desclassificado, estava dizendo quanto a dar informações demais sobre o meu conto.
André
23 de junho de 2009
Amigo, bom dia!
Li várias matérias do seu blog e curti muito. Pena que estou MUITO desatyualizado sobre o mundo do RPG atual, vide Réquiem e derivados. Eu sou um jogador de RPG moldado nas formas antigas, ou seja, Vampiro 2ª ED, 3D&T, Ad&D, até Gurps Módulo Básico 1ª Ed eu jogava (e o tenho até hoje). Mas meu cenário preferido é vampiro. Por favor, poderia me recomendar um site onde posso “assistir” a transição dos antigos pros novos RPG’s?
Grato!
Fabio 'Sooner' Macedo
23 de junho de 2009
Olá André!
Estou na faculdade, então não tenho todos os links que poderia ter, mas lembro de algumas coisas de cabeça que podem ajudar bastante.
A melhor opção, eu acho, é baixar e dar uma olhada nos quickstarts gratuitos de cada jogo. Eles não são completos e trazem apenas uma fração das regras de cada um dentro do contexto de uma pequena história jogável, mas já ajuda muito. Alguns estão traduzidos, outros não, e todos podem ser encontrados no site do Concurso Cultural Eu Criatura (no quadro lateral direito, nos links de “roteiro introdutório” para cada criatura):
http://www.devir.com.br/eucriatura/
Se quiser ler todos em inglês mesmo (até porque os de Vampiro, Lobisomem e Mago têm mais partes), o link no site da White Wolf é:
http://www.white-wolf.com/downloads.php?&category_id=6
Se quiser a coisa mais condensada, tem o site de Vampiro: o Réquiem em português:
http://www.requiembrasil.com/index2.htm
Por fim, tem meu site original, o WoDBrasil, que gerou o blog e agora esta coluna. Mas ele está desatualizado há meses e até hoje não consegui completar os FAQs/Seção de Dúvidas de todos os jogos (só Vampiro e Promethean). Nem mini-site pra Hunter: the Vigil ele tem ainda, e já está pra sair mais um, Geist: the Sin-Eaters. O endereço é:
http://www.wodbrasil.com/
Espero que ajude. Um abraço e boa caçada! (er, por informações, quero dizer…)
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