WoDBrasil News #7: Dose dupla

Postado no dia 15 de julho de 2009 por Fabio Sooner em Colunas, Mundo das Trevas

sooner1Mais prévias de Geist, a continuidade do uso do Twitter, mais uma instância da coleção Ready-Made Player Characters… Parece que a coluna não muda, mesmo depois de uma semana de hiato – mas a verdade é que estamos em uma época do ano em que tudo fica estagnado, à espera do grande lançamento do ano. Enquanto isso, toquemos o barco, com um pouquinho mais de gordura acumulada – e também um pouco mais de foco no Brasil desta vez.

“I’m not a bad man,
I’m just overwhelmed
It’s ’cause of these things”
- She Wants Revenge

Raciocínio + Investigação

Anúncios, livros futuros, notícias!

geistskullPrévias e demos de Geist: As duas últimas prévias de Geist, dos dias 07  e 10 de julho, cobriram assuntos interessantes: as reuniões e celebrações dos Sin-Eaters, e como a forma em que morreram (seus thresholds) influencia suas atitudes. Ambos os textos são, como seria de se esperar, um tanto vagos, mas há o que tirar dali. As celebrações incluem do óbvio, como o Dia dos Mortos, ao peculiar a cada krewe, como o exemplo de um grupo em Nova York que paga bebidas a todos os Sin-Eaters presentes quando os Yankees perdem um jogo. O texto ainda menciona as convocations, que acontecem quando um assunto específico precisa ser resolvido por toda a comunidade local, e a necessidade de se ter respaldo para convocar tais reuniões. Já a prévia dos Thresholds nos apresenta a morte por deprivação, que gera os Silenciosos, e como isto afeta a sua postura de vida após a Barganha. Interessante notar que os casos de morte por excesso de álcool se enquadram aqui, e os Sin-Eaters estão bem cientes da importância dos Thresholds – ou seja, é mais do que uma classificação de personagem.

twitterdastrevas●● Status do Mundo das Trevas em português: Para os preguiçosos que ainda não estão acompanhando esta coluna no Twitter, a editora responsável pelo Mundo das Trevas no Brasil, Maria do Carmo Zanini, anunciou algumas coisinhas na Palestra das Editoras da RPGCon (ou seja, os leitores do Twitter já sabem desses anúncios há duas semanas – viu, viu?). Em primeiro lugar, Mago: o Despertar ainda não está pronto; falta a preparação final dos capítulos que foram traduzidos por fora. Com isso, o livro não sai antes de agosto. E tenham paciência com a moça, que ela acabou de ter neném! As boas notícias são de que a nova tiragem do livro básico do Mundo das Trevas foi para a gráfica na semana passada, e que os próximos lançamentos considerados (sem promessa), após Cidade dos Amadiçoados: Nova Orleans (para Vampiro: o Réquiem), devem ser Changeling: the Lost e Second Sight (para a linha básica). O que eu esqueci de comentar no Twitter foi a classificação do Ministério para Mago: o Despertar: 18 anos (sim, isso significa que, para eles, é mais impróprio até que Lobisomem. Vai entender…).

logo_eucriatura●●● Pra não dizer que não falei do resultado: Ah, sim – para quem ainda não viu, eis o resultado do Concurso Cultural Eu Criatura (que também havia publicado no Twitter, minutos depois do anúncio oficial). Já que com certeza alguém vai perguntar, eu digo logo: meus votos foram para os dois primeiros na ordem apresentada, e o terceiro voto foi pra outro. Porém, Lembranças, o terceiro colocado, estava entre os 12 da minha pasta pessoal “Já Ganhou”.

●●●● Mais Prévias de Geist: E enquanto esta coluna estava sendo finalizada, sai mais uma prévia de Geist no site da White Wolf, desta vez cobrindo os Sin-Eaters que morreram por Pestilência, ou os Ravaged Ones (”Os Devastados/Arruinados”). O interessante é que, assim como na prévia anterior, a categoria não inclui apenas o óbvio: pessoas que morreram por conta de doenças psicológicas e/ou envenenamento também contam. O texto tem um enfoque bem sério na imagem de “batalha pela vida”, em que o Sin-Eater percebe que, para a maioria dos mortais, a idéia é apenas um clichê; ao desviar-se da morte e retornar, aquele Sin-Eater desenvolve uma tedência a encontrar soluções vencedoras, a usar de truques para sobreviver e obter sucesso. Bastante interessante.

Presença + Expressão

Últimos lançamentos

theabedjucipher> The Abedju Cipher (Mage the Awakening/SAS, e-book)
Aventura no sistema SAS para Mage, The Abedju Cipher oferece o fim de uma busca milenar por um artefato Atlante, com toda a politicagem, traição, e juramentos de vingança e animosidade que só a sociedade dos magos pode lhe proporcionar. O SAS inclui, como sempre, uma coleção de cenas, de hyperlinks entre as partes relevantes do texto, e material de registro para o Narrador. The Abedju Cipher foi desenvolvido para acompanhar o livro Seers of the Throne, mas pode ser usado por qualquer Narrador de Mago.

therefuseReady-made Player Characters: The Refuse (Promethean: the Created, PDF)
A coleção Ready-made Player Characters (Personagens jogáveis prontos) apresenta personagens de diversos jogos de Mundo das Trevas para aqueles que não têm tempo (ou saco) de preencher fichas, especialmente quando se tenta preparar uma sessão de RPG de última hora . O sexto pacote, The Refuse, apresenta uma throng de criaturas prometéicas e inclui fichas em versões “básica” e “avançada” para cada um, dicas de interpretação, histórico e sugestões sobre como usá-los em conjunto com alguns SAS previamente lançados, como To the Flame.

Um Ponto de Força de Vontade

Pensando alto, resmungando, ruminando

Ao final da palestra sobre o Mundo das Trevas na RPGCon, quando já estavam olhando feio para a gente por causa do atraso, um dos participantes comentou sobre Hunter: the Vigil – basicamente, estava curioso para saber no que ele difere dos antigos. Na hora, de improviso e com o relógio batendo a hora de término, não pude dar uma resposta direta. Desde então, ando matutando o que Vigil tem realmente de diferente.

hunter-the-vigilNo frigir dos ovos, não é muita coisa, até porque o tema central não tem espaço para muitas variações: pessoas descobrem a existência de monstros e criaturas sobrenaturais, e algumas resolvem contra-atacar. É simples, direto e humano, não tem muito o que inventar.

E pior: o pouco que tem, a WW já inventou. Do suplemento Caçadores Caçados ao jogo Hunter: the Reckoning, passando pelos suplementos do Year of the Hunter, nós já vimos todos os tipos de caçadores: mortais e sobrenaturais, com motivos nobres e mesquinhos, movidos por suas próprias decisões ou influenciados por uma força maior, usando apenas o raciocínio e estacas ou equipamento de última geração… Até mesmo caçadores deste e do outro lado do véu entre os mundos físico e espiritual!

O que motivou Hunter: the Vigil, então? Eu chutaria que foi a oportunidade de reunir (boa parte de) estas diferentes possibilidades em um todo coerente. Quer queira, quer não, o tema “caçador” sempre foi tratado de forma… esquizofrênica no antigo cenário. Já começa com um livro pequeno, mas que consegue a proeza de reunir caçadores mortais comuns, linhagens vampíricas que recuperam Humanidade com Disciplina, lobisomens e magos caçadores, caçador falando dos sete clãs como se fosse conhecimento comum, espada de dano agravado +5 e o escambau – sim, estamos falando de Os Caçadores Caçados; deixe a nostalgia de lado e releia-o. Já Year of the Hunter era apenas um selo aplicado a diversos livros de antagonistas para cada linha, cada um deles apresentando “caçadores” apropriados à linha que pertencia; não havia um fio de corte unindo todo o material. Finalmente, Hunter: the Reckoning se baseava em um mistério e em uma premissa aparentemente contraditória: um jogo sobre pessoas normais reagindo às trevas, mas a partir de habilidades concecidas não se sabe direito por quem, por quê, e como.

crossbulletsVigil foi a oportunidade de mudar isso. O jogo foi concebido para ser abrangente, dividindo as possibilidades em três “tiers” (”camadas”), onde os caçadores são “classificados” de acordo com o seu grau de organização e recursos (inclusive possíveis efeitos sobrenaturais na “camada” mais alta), mas todos estão unidos por um tema e circunstância. A Vigília não é algo organizado, e sim uma idéia: enquanto houver monstros, haverá caçadores; mate um, ou faça-o desistir, e outra pessoa tomará o seu lugar. É uma reação natural da humanidade enquanto espécie acuada pelos monstros em seu meio.

Hunter: the Vigil também se escora bastante na criação de um cenário detalhado, tanto para estabelecer uma base coerente desta vez, quanto para oferecer algo a mais – senão, para quê usar o jogo, se o livro básico e suplementos como Second Sight e Antagonistas dão conta de uma crônica de mortais caçadores muito bem? A principal oferta de Vigil neste sentido são os Pactos e Conspirações, e como estes representam diversas abordagens à caçada.

network0Estas organizações, cada uma delas ligadas a uma “camada”, são o que dão “sustança” a Hunter: the Vigil como cenário à parte. Os Pactos ["Compacts"] são grupos locais/regionais de células de caçadores que trabalham sob uma visão em comum, e as Conspirações ["Conspiracies"] são organizações maiores, por vezes globais e antigas, com hierarquia e estrutura – e com potencial para objetivos mais escusos. Assim, (quase) todas as possibilidades para histórias de caçada, do grupo de colegasda vizinhança que tenta encontrar uma criança raptada por um vampiro aos agentes de campo de uma multinacional dedicada a capturar monstros para estudo médico, estão cobertas – é só escolher a sua “camada” na hora de jogar, ou uma combinação delas, e ser feliz.

Mesmo assim, os pactos e conspirações não soam exclusivistas nem obrigatórios. Não é como um leitor de Vampiro se sente com os clãs, onde a idéia de se remover um clã deixa um “vazio” natural; as organizações de caçadores são bastante independentes, e é fácil escolher duas, três ou mais de acordo com o tema da crônica e brincar com as expectativas dos jogadores.

handofgloryQuer uma história onde o mistério da origem dos monstros é representada pelo embate entre religião e racionalismo científico? Crie uma célula de caçadores da conspiração católica Malleus Maleficarum e outra do pacto Null Mysteries, ache um motivo para as duas se encontrarem, e vóila. As outras organizações não precisam nem existir nesta história. Ou será que a crise é tentar expor os monstros à humanidade, com os jogadores se perguntando se isso vai funcionar ou não? Tente o pacto Network Zero, aqueles caras que filmam monstros para pôr no YouTube, enquanto uma célula da Força-Tarefa militar VALKYRIE tenta suprimir as evidências, que estão atrapalhando seu trabalho. E por aí vai.

Aliás, outra característica de Hunter: the Vigil é que, como em nenhum outro suplemento/jogo de caçadores antes, as crises entre caçadores podem tomar um destaque incomum. O fato é que o fio de corte que une todos os caçadores é tênue: eles são os “anticorpos” da humanidade, e onde há monstros, sempre haverá gente “comum” reagindo. Os monstros não são invisíveis 100% do tempo. O problema é que só isso não garante nada – a humanidade, como um todo, sempre pregará a paz e não o conflito, e isso nunca impediu que guerras e brigas e crime se espalhassem pela sociedade. Com os caçadores não é diferente: eles ainda são humanos, mesmo os que conseguem conjurar o fogo do Inferno por serem descendentes longínquos de um demônio.

theunionEnfim, o grande forte de Vigil é que, desta vez, estamos falando de um cenário – e um cenário independente, que funciona por si só e não apenas como reação a eventos cósmicos-cataclísmicos (como era Hunter: the Reckoning). É algo que só lendo para crer, eu admito; não é fácil imaginar como um cenário coerente pode ter o Zé Ruela da esquina e o imigrante muçulmano que toma elixires para adquirir habilidades e combater djinns. Mas acreditem, Vigil realmente consegue isso. Uma indicação é como o jogo trata da parte mecânica. Ao invés de poderes semelhantes às Disciplinas/Dons/Arcanos, temos coisas como regras para refletir as Profissões (as mundanas, mesmo!) como Vantagens, as novas possibilidades de dispêndio de Força de Vontade, e as Táticas, ou manobras coletivas do grupo para conseguir alguma vantagem sobre os monstros.

Tudo simplesmente muito bem fundamentado, é isso que posso dizer. Fazer o quê? Leia e confira se concorda comigo…

Teste de Moralidade

E se fosse Call of Chtulhu, seria de Sanidade…

Quem andou lendo o desfecho do caso de Ouro Preto já deve ter visto este texto, mas ainda assim, vou pôr um link para ele nesta seção por dois motivos: (1), o texto é definitivo, com mais informação do que sequer havia chegado aos meus ouvidos nestes anos todos, e (2) tem pouca coisa mais insana do que este caso. Não, nem é porque envolve RPG – isso, na verdade, é o de menos. O “de mais” é como o caso todo foi conduzido, desde os primeiros dias até o desfecho, tanto na cidade, quanto na delegacia, no Ministério Público e na mídia. É um caso que vai ser objeto de estudo jurídico e de comunicólogos por muitos anos ainda, e vai sempre ser uma mancha na história do MP de Minas.

Fim da sessão

Eu já deixei claro que a conta desta coluna no Twitter continuará? Se não ficou claro, que fique agora, porque vai. A idéia é ir “soltando” durante a semana o que ando vendo/achando/lendo/fazendo, o que por tabela adianta o que vai aparecer na coluna. ‘Tá esperando o quê pra acompanhar?

Agora me dêem licença, que hoje tem mais um embate entre a luz e as trevas que preciso presenciar; um embate entre o (manto) sagrado e o (porco) profano, às 21:50, na Globo.

PS.: À metade da população mineira: desculpem-me, mas torcer pelo moleque que é aquele Kléber “Gladiador” (pffff) não dá. Assim como não dá para torcer pra argentino. É uma pena, porque o time azul é legal.

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6 Comentários

Fabio Moron

16 de julho de 2009

18 anos??? 18 anos???? Dio mio…

Álvaro Guedes

16 de julho de 2009

Os censores do Ministério da Cultura (ou da Câmara Brasileira do Livro, ou da DEVIR nunca sei qual dos três) devem ter “evangélicos contumazes” entre suas fileiras. É preferível que seus filhos entrem em contato com um “jogo de Lobisomens” (criatura obviamente irreal) que com um “jogo de Magos e Feitiçaria Satãnica”, hehehe (IRONIC MODE).

Fabio Sooner

16 de julho de 2009

Faltou incluir isso na matéria, que só vi agora:

http://terribleminds.com/ramble/2009/07/13/standing-vigil-looking-back-at-hunter/

Hunter: the Vigil recebeu OITO nomeações para o prêmio Ennies este ano, uma quantidade parecida com a de Changeling: the Lost ano passado – e em categorias parecidas, como Produto do Ano e Melhor Suplemento (os jogos de WoD são considerados “suplementos” do livro básico, então não concorrem a melhor Game).

É esperar pra ver. Este ano tem a concorrência forte da 4ª Edição, então qualquer prêmio será surpresa.

Carlos

19 de julho de 2009

Opa, Sooner! Obrigado por relembrar de nossa conversa lá no RPGCon! Falamos de tanta coisa que nem me lembrei que vc ficou encucado com o lance do Hunter x Hunter (já ouvi esse titulo em algum lugar…).
Sim, pra complementar nossa conversa, achei o site da empresa que fabrica as capas de qualidade pros nossos tão amados livros de rpg. Segue: http://www.dac.com.br/
Dai é so ir em: Produtos > Escritorio > Protetores > 219 caderno grande.
Não pessoal, não estou aqui fazendo merchanda pra empresa, longe disso. Mas que Sooner e eu entramos num acordo que SÓ essa marca presta pros livros de rpg. O resto é de qualidade ruim, ou é muito curto, muito pequeno, muito grande… enfim…
Fica ae o recado!

Abraços

Fabio Moron

20 de julho de 2009

Carlos,

Hunter x Hunter é um mangá do criador de Yu Yu Hakusho (Yoshiro Togashi)… mas tipo, não creio que seja sobre isso q vc estavam falando… Mas enfim, fica a dica =D

Eriol

20 de julho de 2009

RS! Eu sei que Hunter x Hunter é um anime! Eu fiz um trocadilho. (infame, mas enfim…)

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