WoDBrasil News #15: Horrores noturnos e caçada, caramba

Postado no dia 24 de setembro de 2009 por Fabio Sooner em Colunas, Mundo das Trevas, Sistemas

buddy_bookApós uma semana de descanso, a coluna está de volta enquanto a série Desconstruindo o RPG não renasce. Esta semana, temos a indefinição quanto às novidades do ano que vem; a continuação com força total da série Night Horrors – incluindo o lançamento (finalmente!) de Wicked Dead, para Vampiro: o Réquiem, agora focado em outros tipos de vampiros, diferentes da Família como apresentada no livro básico; um pouco mais sobre o RPG de Supernatural, que dá mais caldo do que imaginava; e até uma zoada básica no Ronaldo!

Carry on my wayward son
There’ll be peace when you are done
Lay your weary head to rest
Don’t you cry no more

- Kansas (vixe!)

Raciocínio + Investigação

Anúncios, livros futuros, notícias!

Ainda 2010: Estamos prestes a entrar em outubro, e nenhuma notícia ainda sobre o ano que vem. Alguns dos livros programados, a esta altura, só sairão em 2010, como Danse Macabre (Vampiro: o Réquiem), Mage’s Chronicler’s Guide (Mago: o Despertar) e World of Darkness: Mirrors (linha básica). Sobre as sugestões de que no ano que vem veríamos algo que “não é uma nova edição de acordo com os parâmetros da indústria”? Nenhuma resposta, dica, comentário, nada. Para completar, a reunião semanal está suspensa enquanto os funcionários fazem um congraçamento com o pessoal da CCP (a companhia da Islândia com quem a White Wolf se fundiu, proprietária do MMORPG EVE Online), e Eddy Webb anunciou que irá dar uma parada nos blogcasts dele porque “tem muita coisa sendo feita agora”. O mistério continua…

nighthorrorsunbidden●● Night Horrors e a Amazon: Para quem ainda não soube, Night Horrors: Wicked Dead (para Vampiro: o Réquiem – saiba mais na seção abaixo) saiu há uma semana, ficou fora de estoque, voltou e acabou de novo. O mesmo tinha acontecido com Night Horrors: Wolfsbane,  o primeiro da série para Lobisomem: os Destituídos (comentado na coluna da semana passada), há cerca de 15 dias, quando ele foi oficialmente lançado. E agora, após ter anunciado o lançamento em julho erroneamente e “corrigir” a data para novembro, a Amazon “soltou” Night Horrors: The Unbidden (Mago: o Despertar) para alguns consumidores no início da semana, apenas para anunciar que ele está em estoque novamente a partir de hoje. Quem quiser pedir logo, é bom fazê-lo, porque o mesmo padrão deve se repetir. Quem tem mais paciência, basta esperar cerca de 15 dias – quando a corrida pelos primeiros exemplares passar, a tendência é o estoque se estabilizar.

pimpthebackhanding●●● Behind the Lines – Desfazendo mitos (ainda): Para quem ainda tem aquela velha imagem de que a White Wolf só faz jogos sobre angústia e medo, que os caras odeiam D&D e outros estereótipos bestas, vale a pena dar uma conferida na última coluna de Ethan Skemp, Behind the Lines: entre o histórico de ter feito coisas como o RPG de Street Fighter – incluindo coisas como ninjas espanhóis – e o cardgame Pimp: the Backhanding, além de histórias sobre os outros hobbies dos funcionários, dá até para dar risada. Tudo isso envolto em considerações sobre a “cultura corporativa” da White Wolf.

Presença + Expressão

Últimos lançamentos

nighthorrorswickeddead> Night Horrors: Wicked Dead (Vampiro: O Réquiem; 160 p., $32.99)
Mais um livro da série Night Horrors, em que cada linha ganha uma série de personagens icônicos e monstros para serem usados como antagonistas em crônicas daquela linha, mas com estatísticas as mais simplificadas possíveis para facilitar crossovers. Wicked Dead é o segundo livro da série para Réquiem e inclui uma série de “vampiros alternativos”, ou seja, outros tipos de vampiros ao redor do mundo que não são “Kindred” – incluindo uma expansão dos Aswang, mencionados no suplemento Antagonistas. Wicked Dead também expande os Strix, de Requiem for Rome, e apresenta uma nova abordagem para os dampyr, agora mortais que atraem vampiros naturalmente e que possuem uma espécie de sangue tóxico.

Um Ponto de Força de Vontade

Pensando alto, resmungando, ruminando

Os bródi na caçada

Os bródi na caçada

Chegou aqui em casa estes dias o RPG de Supernatural, produzido pela Margaret Weis Productions. Foi uma das compras mais arriscadas que fiz até hoje, porque só tinha lido uma resenha dele – e ainda por cima feita por fã no RPG.Net – e não conhecia o sistema Cortex, que não tem grande fama. Junte a isso o fato de que RPGs adaptados de propriedades intelectuais alheias geralmente têm má reputação, e poderia ter me dado muito mal.

Mas talvez exatamente por não esperar muito – e também por acreditar que Supernatural enquanto série sempre foi um bom RPG, se é que vocês me entendem – até que estou gostando do que estou lendo. Ainda não cheguei no capítulo com as mínucias das regras, mas passei pelo capítulo “The Basics” (”O básico”), o de criação de personagens e o de Traits (”Características”), que refinam o personagem para além dos Atributos e Skills (Habilidades/Perícias). Isso já deu uma idéia dos fundamentos do sistema Cortex e, principalmente, do tom do texto – que parece ter sido escrito pelo próprio Dean Winchester, com seu vocabulário… Como explicar… Rústico?

Prós do jogo até agora:

  • Ficha de personagem enxuta, com liberdade para a criação/inclusão de Skills personalizadas: Os Atributos são fixos como usual (no caso são seis), mas de resto o jogo exibe um meio-termo ótimo entre uma lista pré-gerada de Skills e a possibilidade dos jogadores incluírem as Skills que desejarem. Isso é possível em termos diretos – isto é, dar ao seu caçador uma Skill que não consta no livro – e indiretos, com a possibilidade de escolha de Skills Especializadas: você pode comprar Armas de Fogo d6 e depois refiná-la ainda mais adicionando embaixo a sub-Skill Escopetas com valor d8, d10 ou d12, por exemplo.
  • supernaturalRPGTudo é medido em tipos de dados, e não com valores numéricos fixos: Pode parecer estranho à primeira vista, mas em vez de ter Inteligência 6 e Armas de Fogo 4, você tem Inteligência d6 e Armas de Fogo d4. Geralmente, você joga um Atributo + Habilidade -  ou seja, no exemplo, jogaria um d6 + um d4 – e depois soma o resultado. Se bater a dificuldade, conseguiu. Um efeito colateral disso é que, se você obteve um melhor resultado no dado de sua Skill em vez do dado do Atributo, por exemplo, isso pode informar a descrição da cena (não sei se o capítulo do Mestre menciona isso, mas foi uma idéia que me ocorreu e que parece fazer sentido).
  • O jogo tem um recurso de “pontos de intervenção na narrativa”: Isso é algo que muitos RPGs independentes modernos incorporam, mas pouquíssimos RPGs “mainstream” fazem: trata-se de um “pool” de pontos especiais que o jogador pode gastar para inserir um fato novo na cena ou alterar algo a seu favor, e que ele recupera sob certas condições narrativas – no caso, agir de acordo com as Complicações que escolheu na criação de personagem. Eu gosto muito dessa idéia; ela permite que os jogadores contribuam ainda mais com a riqueza da história, aliviando um pouco o trabalho (sempre pesado) do Mestre.
  • O sistema Cortex é simples de entender se você já conhece Mundo das Trevas e/ou D&D: Há paralelos diretos entre Cortex, D&D e até mesmo Storytelling, apesar do uso de dados de tipos diferentes. Você joga Atributo + Skill, modificado por Traits (que se parecem com as Vantagens do novo Mundo das Trevas, inclusive em termos de escopo). A ênfase é na narrativa e em jogar dados somente quando absolutamente necessário.  Há Pontos de Vida, como em D&D, mas o dano se divide em “atordamento” e “ferimento”, o que lembra dano por contusão e letal, como no Storytelling. E por aí vai. Tirando os Pontos de Narrativa (aqueles de interferir na história), todo o resto lembra algo dos dois sistemas mais famosos do mundo.
  • Texto esperto, meu irmão: Se outro dia estava reclamando de RPGs herméticos, desse não se pode reclamar: não conheço nenhum livro de RPG – básico ou suplemento – com texto tão direto quanto este. É enxuto, no ponto e divertido, além de fiel ao espírito dos caçadores da série.

Já entre os contras…

  • supernatural27O jogo usa diversos tipos de dados: Embora o uso de todos os dados pares entre d2 e d12 não seja tão complicado quanto em certas versões de D&D, ainda assim se trata de usar diversos dados diferentes em um único sistema. Em defesa do sistema Cortex, não consigo imaginar como seria possível usar todos estes dados de forma ainda mais simples – o problema é que isso exige mais compras da parte dos jogadores.
  • Falta um pouco de clareza: Talvez por causa do estilo do texto ou do tamanho relativamente pequeno do livro (menos de 200 páginas), em um ou outro ponto o texto não é exatamente claro quanto a como determinada regra funciona. No caso dos Advancement Points (”Pontos de Progresso”, o equivalente a XP), o texto é até contraditório – ainda não tenho certeza sobre os custos de se incrementar um Atributo ou Skill. Pode ser que o capítulo de regras detalhe isso melhor; vamos ver quando chegar lá.
  • Texto ixxxperto, mermão: Sim, isso também é um contra – porque a “esperteza” do texto por vezes cansa. Imagine conviver com Dean Winchester falando de rock clássico, mulher e carros durante anos. Por mais que eu ame muito tudo isso (bem, exceto carros), não há quem aguente. Até agora, não sei se o texto deste livro é um primor de estilo e autenticidade, ou uma bela saída pela esquerda para não ter que pensar muito na escrita.
  • Não é Hunter: the Vigil: Podem reclamar desse “contra” vindo de um fã do Mundo das Trevas, mas é fato: Supernatural RPG nem de longe apresenta a diversidade temática, de regras, de antagonistas e de material que Hunter: the Vigil tem. Mesmo considerando que este tem cerca de 100 páginas a mais, não há absolutamente nada em Supernatural que você não consiga reproduzir facilmente com Vigil – que ainda por cima vai te dar muito mais opções que nunca funcionariam no sistema Cortex ou no cenário de Supernatural, a série.

supernatural quickstartNoves-fora, as coisas boas por enquanto estão superando as ruins. Ainda há algumas idéias menos cruciais ao sistema e ao cenário que quero testar antes de tomar partido, como o sistema de Lifestyle (”Estilo de Vida”), que define o que o seu caçador pode possuir ou comprar, além da possibilidade de saber se naquele mês o dindin está sobrando, faltando, ou na medida. O sistema lembra a forma como Recursos são tratados no novo Mundo das Trevas, mas envolve possíveis testes com dados e potencialmente inclui não apenas dinheiro, mas padrão de vida esperado de acordo com o background do personagem.

Assim que comprar os dados que faltam e testá-lo, conto o que achei dele pra valer. Enquanto isso, vocês podem tentar o quickstart, “The Hunt Begins” – que eu só descobri existir agora… (para quem ainda não sabe o que é um quickstart, trata-se de uma versão demo gratuita do jogo, com personagens pré-gerados e aventura pronta.)

Teste de Moralidade

E se fosse Call of Chtulhu, seria de Sanidade…

Sempre quis uma ferramenta online simples para criar rostos de personagem com aquele jeitão de retrato falado? Tente o Ultimate Flash Face. Para personagens de fantasia, ficção científica e afins, deve haver opções melhores; mas para Mundo das Trevas, o tipo de rosto que se cria ali pode ser bastante apropriado.

Fim da sessão

true-blood-season-2-dvdQuando eu disse no início do Brasileirão que o Adriano se daria muito melhor do que o Ronaldo Fofômeno, e que o Corinthians podia ter muito bem trazido o Túlio Maravilha ou o Obina que teria dado tudo na mesma (noves fora marketing), ninguém me deu atenção. Agora toma, to-toma, to-to-toma. E o abismo entre os dois tende a aumentar ainda mais – nem lipoaspiração resolve o problema do Fofômeno, caramba!

Além disso, acabamos de ver aqui em casa a segunda temporada de True Blood. E na próxima devem aparecer os lobisomens. A coisa está ficando cada vez melhor – e olha que passar no teste da segunda temporada não é para qualquer série, não.

Isso dito, um abraço, e fiquem de olho no fim de semana que pode aparecer uma surpresa por aqui…

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8 Comentários

Vasco

24 de setembro de 2009

Salve Sooner…

Cara, Kansas foi fantástico!!!

E olha, eu sou fã de carteirinha de Supernatural, então se vc ta falando que é bacana (apesar dos contras) to dentro…

E olha só, nem li isso antes de ir ao ar…

Ser da equipe Não tem os seus privilégios, hehehe…

[]ção mano e continue mandando muito bem!

Lord_Anderson

25 de setembro de 2009

Oh, fiquei curioso sobre esse Wicked Dead, da p/ dar uma palha do que tem nele?

E eu acompanho True Blood (e os livros Southvampires que o inspiraram) desde o começo.

Incrivel como ninguem fez uma adaptação p/ RPG ainda.

Arquimago

25 de setembro de 2009

Gostei da dica do saite de faces!!!

Precio ver logo essa serie…

R.G. Caetano

25 de setembro de 2009

Excelente artigo sobre o RPG da série Supernatural.

Já aproveitei e baixei o Quickstart do jogo, vale muito a pena vocês conferirem.

Fabio Sooner

25 de setembro de 2009

@ Lord Anderson:
Por coincidência, acabei de recebê-lo e folheá-lo. O livro é dividido em dois capítulos principais: “The Truth”, com 12 tipos de vampiros que não são Kindred; e “The Consequences”, onde algumas coisas que surgem a partir das falhas dos vampiros recebem tratamento próprio.

Os 12 vampiros são:
- Aswang: metamorfos originários das Filipinas que são humanos normais durante o dia e bebem sangue à noite (alguns nem sabem o que são). Apareceram primeiro em Antagonistas.
- Baykosh é “o fantasma da América do Norte”, possuindo sobreviventes de guerra e conflitos.
- Bhüta são fantasmas que possuem pessoas inocentes.
- Cihuateteo são bruxas imortais que bebem sangue, originárias do México.
- Cymothoa Sanguinaria é uma espécie de crustáceo parasita que se aloja em um corpo humano, substituindo a língua, e que se alimenta de sangue (e a coisa mais nojenta que já vi no Mundo das Trevas)
- Formosae tornam suas vítimas belas e decadentes enquanto se tornam mais obesas.
- Ghûls são os míticos vampiros comedores de carne do Oriente Médio.
- Jiang Shi são cadáveres ambulantes das lendas orientais, resultantes de místicos que buscaram a imortalidade e agora têm âncoras, como os fantasmas.
- Mnemovores são devoradores de memórias.
- Penanggalan são vampiros da Malásia que se alimentam de crianças e velhos e conseguem separar a cabeça do corpo.
- Ragged-men são larvas que parasitam humanos que bebem água contaminada, depois evoluem para uma forma que torna suas vítimas mais atraentes para vampiros, até que infectem um.
- O Rizetti Apparatus oferece cura e imortalidade… Mas o efeito colateral é a necessidade por sangue.

O capítulo Consequences lida com:
- draugr, os vampiros que chegam a Humanidade 0.
- Larvae são a Besta encarnada em um corpo humano sem mente, geralmente resultado de um Abraço falho ou feito por um draugr (e usados por alguns vampiros como tropa de choque).
- Os Strix estão de volta, os espíritos-coruja que possuíam vampiros nas noites de Roma. Só que agora eles não estão se vingando de um clã… E a origem que eles clamam é de surpreender. Não vou entregar o spoiler.
- Finalmente, os dampyr são filhos da união entre mortal e vampiro. Eles possuem uma aura quase irresistível para vampiros… Mas o seu sangue é inócuo, e só ocupa espaço no corpo vampírico. Eles parecem ser completamente mortais e conseguem resistir (intuitivamente) aos efeitos de Ofuscação, Dominação, Majestade, Pesadelo e outras Disciplinas psicológicas. E só (nada de Blade ou Disciplinas exóticas aqui). É sugerido que eles podem funcionar bem como parte de uma célula de Hunters.

Em geral, as criaturas do capítulo Consequences receberam mais páginas do que as do primeiro capítulo – especialmente os draugr e os dampyr.

Lord_Anderson

28 de setembro de 2009

Oh Fabio.

Mal a demora em responder, mas valeu mesmo pelos esclarecimentos. Vou dar uma olhada nesse livro com certeza.

Nohmes

28 de setembro de 2009

Cadê a surpresa?

Fabio "Sooner" Macedo

29 de setembro de 2009

@Nohmes: faltou tempo, mas assim que sobrar ela vem. Só digo que a série não morreu…

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